UNIÃO CONTRA GUERRA PODE VIRAR MODELO CONTRA OUTRAS AMEAÇAS!
(Moisés Naím - O Estado de S. Paulo, 07) Durante meses,
Vladimir Putin disse que não tinha nenhuma intenção de invadir a
Ucrânia, mas em 24 de fevereiro fez exatamente isso. Desde então,
surpresas tornaram-se a norma. O próprio Putin foi surpreendido, já que é
óbvio que as coisas não saíram conforme ele antecipava. O ditador
superestimou a eficácia de suas Forças Armadas e subestimou as da
Ucrânia, que ofereceram uma inesperada resistência. Um devastador ataque
cibernético, por exemplo, ainda não se produziu, e a Marinha de Putin
dá inesperados sinais de desordem e improvisação.
Também surpreendeu Volodmir Zelenski, o presidente que se
converteu em exemplo de valentia e liderança. Por sua vez, o povo
ucraniano demonstrou com ações o que significa defender a pátria das
investidas de um ditador sanguinário.
Lamentavelmente, tudo o que já ocorreu não permite supor que os
ucranianos repelirão o ataque russo. A desproporção entre as forças
militares da Rússia e da Ucrânia é enorme. Cabe esperar, entretanto, uma
prolongada insurreição da pátria ucraniana contra seus invasores, a
qual contará com simpatia do mundo e apoio militar de EUA, Europa e
outras potências.
Putin não apenas se equivocou em relação aos ucranianos, mas
também subestimou as democracias do mundo. Esta foi a maior surpresa que
este conflito nos trouxe até agora. A União Europeia respondeu de
maneira unida e coordenada, com seus políticos e burocratas reagindo
rapidamente e tomando decisões até pouco tempo atrás inimagináveis.
Os EUA aliaram-se com a Europa e outros países para impor
custos proibitivos sobre as agressões de Putin. As democracias do mundo
reagiram com velocidade incomum e, em alguns casos, desfizeram pilares
fundamentais do que havia sido sua política externa. A Alemanha, por
exemplo, decidiu aumentar seu gasto militar e enviar material bélico
para as Forças Armadas ucranianas.
A Suíça abandonou o que já foi um fator definidor de sua
política externa e até de sua identidade nacional: neutralidade frente a
conflitos internacionais. As severas sanções adotadas pela aliança
internacional desconectaram a Rússia da economia mundial. Assim, Putin
condenou sua população à pobreza e ao isolamento. Tristemente, também
veremos mais terror e repressão dirigidos aos russos que se atreverem a
exigir um futuro melhor. À medida que a situação piorar, o Kremlin se
sentirá mais ameaçado pelos russos que protestam nas ruas e praças do
que por democratas de outros países.
Ao mesmo tempo que se aprofunda o isolamento da Rússia, as
democracias têm mostrado uma inédita capacidade de se unir e agir
conjuntamente em defesa dos valores que compartilham. Projetar e impor
as sanções mais severas jamais vistas e coordenar sua adoção entre
muitos e muito diferentes países foi muito difícil, mas se conseguiu.
Este é um dos mais bem-vindos efeitos colaterais da invasão de Putin:
descobrir que as democracias trabalhando juntas são capazes de enfrentar
grandes problemas com êxito. Esta experiência pode servir de guia para
enfrentar outras perigosas ameaças globais.
Por coincidência, quatro dias depois da invasão à Ucrânia, um
painel composto por proeminentes cientistas publicou um relatório que
alerta para inéditos danos humanos e materiais que as mudanças
climáticas estão causando e para a alarmante velocidade desses danos. O
relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) tem
como base pesquisas de milhares de cientistas de todo o mundo.
A principal conclusão é que as catástrofes produzidas pelas
mudanças climáticas estão batendo recordes em frequência e custos
humanos e materiais. Segundo o relatório, corremos risco de que vastas
áreas do planeta tornem-se inabitáveis, incluindo algumas das zonas
urbanas mais povoadas.
A crise climática de que o planeta padece é tão ou mais
ameaçadora que Vladimir Putin. A invasão é um crime inaceitável, que não
pode ser ignorado, e é preciso apoiar aqueles que enfrentam o tirano
russo. Mas o mundo deve desenvolver capacidade para responder a mais de
uma crise por vez. A Ucrânia não deve ser abandonada, mas a luta contra o
aquecimento global também não. Esta última é muito difícil, mas agora
sabemos que, agindo em conjunto, o mundo pode alcançar coisas difíceis.
Os líderes das democracias do mundo mostraram que, frente a uma
ameaça existencial, as políticas as podem mudar decisiva e rapidamente.
É hora de usarem com valentia o superpoder que a crise na Ucrânia lhes
ajudou a descobrir para atacar a outra grande crise que a humanidade
enfrenta.
Jornalista Jarbas Cordeiro de Campos
- Jornalista Jarbas Cordeiro de Campos - Pós Graduado em GSSS - Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde.
- Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
- Jornalista formado pela FAFI-BH,especializado em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde pela ESPMG. "O Tribunal Supremo dos EUA decidiu que "só uma imprensa livre e sem amarras pode expôr eficazmente as mentiras de um governo." Nós concordamos."
09 março 2022
NO MÉDIO PRAZO PUTIN PERDE A GUERRA E PODE SER DEPOSTO.
04 março 2022
PAULO GUEDES NÃO ACEITA OPINIÃO DO FMI SOBRE ECONOMIA BRASILEIRA
(O Estado de S. Paulo, 10) Superado com vigor o primeiro
impacto da pandemia, a economia latino-americana perde impulso, volta ao
ritmo anterior ao surto de covid-19 e se defronta com três desafios
simultâneos: garantir contas públicas sustentáveis, elevar o potencial
de crescimento econômico e promover importantes ganhos sociais,
favorecendo a coesão e combatendo as desigualdades. Formulados pelo
Fundo Monetário Internacional (FMI), o diagnóstico e a receita são
dificilmente contestáveis por qualquer político responsável, informado e
disposto a trabalhar pelo desenvolvimento de seu país e da região.
Nesse quadro, as perspectivas de expansão do Brasil são inferiores, sem
surpresa, às de outras grandes economias da América Latina e do Caribe –
uma desvantagem visível já no período petista e mantida, e até
agravada, nos três anos de mandato já completados pela presente
administração.
A forte reação econômica foi suficiente, no ano passado, para a
maior parte da região voltar aos níveis de atividade anteriores à
pandemia, normais para os latino-americanos e geralmente inferiores aos
de outros emergentes, principalmente da Ásia. O Produto Interno Bruto
(PIB) da América Latina e do Caribe encolheu 6,9% em 2020, cresceu 6,8%
em 2021 e deve expandir-se 2,4% neste ano e 2,6% no próximo, segundo
informe do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, desde janeiro
chefiado pelo brasileiro Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central
do Brasil. Na América do Sul, o PIB deve aumentar 1,8% em 2022 e 2,2% em
2023. O ganho estimado para 2021, de 7,1%, compensou com folga a perda
de 6,5% na onda inicial da pandemia. Nessas contas, a economia
brasileira se distingue duplamente das demais.
A primeira diferença aparece no balanço de 2020. Nesse ano o
PIB do Brasil diminuiu 3,9%, num recuo bem menor que o observado em
outros países da América Latina e de grande parte do mundo capitalista –
uma vantagem proclamada mais de uma vez pelo ministro da Economia,
Paulo Guedes. A segunda, bem visível quando se volta ao cenário mais
comum, confirma o menor vigor da economia brasileira, já evidente em
anos anteriores ao choque inicial da pandemia.
O crescimento projetado para o Brasil – de 0,3% em 2022 e de
1,6% em 2023 – é bem inferior ao estimado para outras economias da
região. Exemplo: depois de uma perda de 5,9% em 2020, a produção chilena
cresceu 12% em 2021 e deve aumentar 1,9% neste ano e também no próximo.
As taxas estimadas para a Colômbia são de 4,5% em 2022 e de 3,7% em
2023. O salto do ano passado, de 10,2%, superou amplamente a queda de
2020, estimada em 6,8%.
Houve avanços inegáveis na maior parte da América Latina, no
último quarto de século. As economias ficaram menos frágeis, houve menos
crises graves e os países tornaram-se menos dependentes do socorro do
FMI. Acordos de financiamento ainda foram assinados, mas em situações
menos dramáticas e acompanhados de condições mais suaves.
No Brasil, o cenário favorável durou cerca de dez anos, neste
século. Os padrões de governo começaram a ser afrouxados no segundo
mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e entraram em colapso
nos primeiros anos da presidente Dilma Rousseff. Muitos bilhões foram
queimados em políticas erradas, como a dos “campeões nacionais”,
enquanto se deteriorava a infraestrutura, a ineficiência era favorecida
pelo protecionismo, a Petrobras era pilhada e a indústria de
transformação perdia competitividade e relevância. A recuperação
econômica nunca se completou, depois da recessão de 2015-2016, e as
noções de planos e programas federais praticamente sumiram a partir de
2019.
O Brasil tem recuado duplamente – em relação à própria história
de modernização econômica e em relação aos padrões mundiais e
regionais. Embora menos industrializados, outros países
latino-americanos têm mostrado dinamismo bem maior que o brasileiro,
condições fiscais mais saudáveis e menor propensão a surtos
inflacionários. As novas projeções do FMI confirmam a evidente
desvantagem brasileira, mas quem, no Ministério da Economia, ainda leva a
sério o FMI?
03 fevereiro 2022
ATENÇÃO BRASIL DE CENTRO E DE DIREITA, UNAM-SE SENÃO A ESQUERDA PODE ASSUMIR DE NOVO
ELEIÇÃO LEVA PORTUGAL MAIS À ESQUERDA E EXPÕE CRISE DA DIREITA DEMOCRÁTICA!
(Mathias Alencastro, pesquisador do Centro Brasileiro de
Análise e Planejamento, ensina relações internacionais na UFABC – Folha
de SP, 30) Muitos portugueses foram votar neste domingo atravessados
pela mesma pergunta que tira o sono de muitos brasileiros: como
assegurar a aliança das forças democráticas contra a extrema direita?
A tão esperada ascensão do Chega seria suficiente para colocar o
PSD, tradicional partido da centro-direita, face ao dilema que tem
devorado a alma dos conservadores ao redor do mundo? Isto é: aliar-se à
nova direita, xenófoba, negacionista e antirrepublicana, ou buscar a
preservação do pacto democrático por meio de uma aliança com a
centro-esquerda? A angústia dos conservadores era hoje visível no rosto
de Rui Rio, o apático líder do PSD, que passou a campanha prometendo
tudo e o seu contrário.
Do outro lado, o socialista António Costa parecia não ter
vontade nem condições de reeditar a geringonça, como é conhecida a
aliança das esquerdas que governou Portugal aliando disciplina fiscal e
inserção internacional entre 2015 e 2019.
Apesar do sucesso da empreitada, o Partido Comunista e o Bloco
de Esquerda romperam com o Partido Socialista em 2019 e, no final do ano
passado, ajudaram a derrubar o seu governo minoritário, pressionado por
novos líderes do seu partido e fragilizado pelo desmonte de um projeto
de poder que ele havia desenhado de cabo a rabo.
Nesse contexto moroso, ninguém esperava a vitória triunfal dos
socialistas deste domingo e o melhor resultado de Costa em três
eleições. Mesmo se os socialistas não conquistassem a maioria absoluta
na Assembleia da República, Costa só precisa, em princípio, de acordos
pontuais com aliados para seguir no comando de Portugal num momento
decisivo da sua história: caberá ao próximo governo administrar a
chamada "Bazuca", os volumosos fundos europeus destinados à retomada da
economia.
O resultado em Portugal também reforça algumas impressões
gerais sobre a dinâmica da política na era pós-pandemia. Primeiro,
experiência da crise sanitária e a tomada de consciência da crise
climática estão reaproximando os eleitores dos partidos comprometidos
com o Estado social.
Segundo, o que todos se acostumaram a chamar de crise da
democracia pode ser, na realidade, uma crise da direita. Com a
confirmação do Chega como terceira força política, fica impossível para a
direita democrática portuguesa competir eleitoralmente contra a
centro-esquerda. Uma situação subjacente nos Estados Unidos no meio do
Partido Republicano, escancarada na França, onde o racha das direitas é
ainda mais profundo e, em certa medida, no Brasil, onde o surgimento de
Sergio Moro e Jair Bolsonaro colocou a direita democrática em minoria
dentro do campo conservador.
Por último, é impossível não destacar a atuação de Rui Tavares,
candidato a deputado pelo Livre. Conhecido no Brasil pelo seu podcast
"Agora, agora e mais agora", ele mostrou que a melhor forma de combater a
baixaria verbal de candidatos mais acostumados às redes sociais do que
aos debates eleitorais é a retidão republicana, as propostas inovadoras e
o otimismo com o futuro. Uma inspiração para todos os progressistas
brasileiros.
01 fevereiro 2022
Você Que Pretende Votar No Lula e Não Entende De Política !!! Assista até o final.
Quem viver e participar fazendo a coisa certa em prol de um Brasil justo para todos, vera que essas pesquisas são manipuladas e não se confirmaram com o resultado das urnas. Não anule seu voto, não reeleja, alterne. Dê chance as novas ideias. Vote Moro presidente.
30 janeiro 2022
29 janeiro 2022
LIVE-BOMBA DE BOLSONARO SOBRE ROUBALHEIRA DO PT NO BNDES
POR ESTA E OUTRAS RAÇÕES NÃO PODEMOS PERMITIR QUE O PT E SEUS COMPARSAS ASSUMAM DE NOVO O GOVERNO FEDERAL.
As reservas florestais são auditadas e certificadas por empresas internacionais e nacionais especializadas e uma porção significativa dos recursos captados vai para o produtor rural que se compromete a preservar a floresta
MERCADOS DE CARBONO!
Por Rubens Barbosa presidente do IRICE e membro da Academia
Paulista de Letras - O Estado de S. Paulo, 25.
Fala-se muito em mercado
de carbono e do potencial de recursos que poderão tornar o Brasil no
maior ator mundial nessa área. Na prática, o assunto continua difícil de
ser entendido e implementado.
O Brasil, desde a formulação da Política Nacional sobre Mudança
do Clima, em 2009, está prometendo a regulamentação de um mercado de
carbono sem, na prática, qualquer avanço no âmbito do Ministério da
Economia. Em fins de 2020, o governo brasileiro recebeu estudo do Banco
Mundial (BM) com a recomendação da criação de um instrumento de
precificação de carbono como mercado regulado ou um imposto sobre
emissões. Como essa matéria não progrediu, o Brasil ficou sem o apoio
estratégico do BM para a preparação do mercado e para a fase de
implementação, ao contrário de 15 outros países, entre os quais Chile,
Colômbia e México. Em paralelo, a questão continua em exame pelo
Congresso, por meio do Projeto de Lei 528 proposto pelo deputado Marcelo
Ramos. Não se prevê uma decisão no curto prazo dessa matéria. Na
reunião da COP-26 em Glasgow, avançouse na regulamentação global do
mercado internacional de crédito de carbono entre países, o que coloca
pressão sobre as autoridades brasileiras.
Mais importante para a indústria e para o agronegócio nacionais
é o mercado voluntário de carbono. Não só pela crescente necessidade de
apresentar resultados para cumprir suas responsabilidades dentro da
expectativa do ESG (sigla em inglês para princípios ambiental, social e
de governança), como pela perspectiva de criação de uma taxa
alfandegária para desestimular a exportação para a União Europeia de
produtos que no processo produtivo emitem gás de efeito estufa. Existem
duas possibilidades que podem ser exploradas voluntariamente pelas
empresas: mercado de dívida relacionado com investimentos em projetos
ambientais, no contexto das práticas ESG do mercado financeiro e de
capitais; e o mercado de serviços ecossistêmicos, que tem a ver com o
carbono estocado ou sequestrado usado para compensação ambiental. O
mercado voluntário, assim, é formado a partir de projetos que
comercializam créditos de carbono originários de conservação de
floresta, reflorestamento, carbono em solo agrícola ou regeneração de
áreas. Nesse seguimento, o mercado deverá ter a sua consolidação e um
crescimento exponencial, pois as exigências de descarbonização serão
cada vez maiores e em prazos cada vez mais exíguos, a exigir a
compensação ambiental via aquisição de títulos de descarbonização. Os
certificados de floresta serão os maiores atores, pois a manutenção de
áreas florestais preservadas será indispensável. Vários títulos podem
ser emitidos como representativos do carbono estocado. O título, criado
em 1989, atualizado em 2020 e recentemente regulamentado (Decreto
10.828/21), é a Cédula de Produto Rural (CPR) para pagamento de
“serviços ambientais” referentes à redução de gases de efeito estufa,
manutenção ou aumento do estoque de carbono, redução de desmatamento e
degradação, conservação da biodiversidade, conservação dos recursos
hídricos, conservação do solo e outros benefícios ecossistêmicos. Esse
título tem sido chamado de “CPR Verde” e poderá ser custodiado na Cetip e
listado na B3, portanto, ser comercializado. Com ele, surge o produtor
rural que oferece o serviço intangível da preservação ambiental e com
ele o comprador compensa sua emissão.
Em suma, o que existe hoje é um mercado voluntário, com títulos
comercializados pelos quais empresas nacionais e estrangeiras assumem
metas ambientais por conta própria, como forma de demonstrar suas
práticas ESG para investidores, parceiros comerciais e consumidores.
Setores que necessitam comprovar a neutralidade nas emissões, como o da
mineração, deverão apresentar contrapartidas como a CPR Verde. No
comércio exterior, empresas exportadoras de produtos como fertilizantes,
aço e alumínio ficarão afetadas, caso a taxa de carbono seja aplicada
pela União Europeia. Nesse caso, as empresas desses setores deverão
buscar formas de neutralizar e compensar as emissões que forem geradas
na produção desses produtos, pois existe a possibilidade concreta de
virem a ser afetadas. Com isso, deverá surgir um mercado para
certificações verdes para o comércio exterior com a garantia de que os
referidos produtos não foram produzidos em áreas de desmatamento da
floresta. Outra área que começa a ser examinada no mercado de carbono
são projetos de energia renovável (PCH e fotovoltaica), que poderão
beneficiar-se de novas receitas para viabilizá-los.
Em todos esses casos, o modelo de negócio é simples e
transparente. As reservas florestais são auditadas e certificadas por
empresas internacionais e nacionais especializadas e uma porção
significativa dos recursos captados vai para o produtor rural que se
compromete a preservar a floresta, tanto a Amazônica como a Mata
Atlântica.
Há diversas iniciativas de empresas que oferecem esses títulos
ao mercado nacional e a oferta tende a aumentar. Há empresas (poucas)
que estão se organizando para oferecer esses títulos não só para o
mercado doméstico, mas também internacional, na China, na Europa e nos
EUA. As empresas industriais e do agronegócio terão de examinar com
cuidado as ofertas para terem certeza de que a operação é segura.
12 janeiro 2022
200 ANOS DE INDEPENDÊNCIA, NO ÚLTIMO DIA 9/01/2022
DIA DO FICO, QUE FAZ 200 ANOS, NÃO FOI 1º PASSO DA INDEPENDÊNCIA, DIZEM HISTORIADORAS!
Por Sylvia Colombo, para Folha de São Paulo, em 09/01/2022
"Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto:
diga ao povo que fico".
Decorada na escola,
repetida em filmes históricos, evocada como um provável princípio de um
patriotismo brasileiro, a frase talvez nunca tenha sido de fato dita por
dom Pedro, naquela época ainda príncipe regente do Brasil — pelo menos
não da forma como ficou conhecida.
O Dia do Fico, cujos 200 anos celebram-se neste domingo (9), vem sendo desconstruído pela historiografia contemporânea.
"Há uma lenda dourada sobre o Dia do Fico, que vê a
Independência como destino do Brasil, mas a verdade é que a
Independência não estava escrita nas estrelas. Naquela época, outras
opções estavam em debate e havia distintas pressões agindo. A ideia de
que esse episódio ligou o despertador da Independência não é real", diz à
Folha a antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz.
Nem a frase é exatamente essa nem o Dia do Fico pode ser
considerado o primeiro passo do que seria a Independência do Brasil,
proclamada em 7 de setembro de 1822.
Onde estão, então, os problemas dessa versão?
O Dia do Fico, como se conhece o episódio de modo geral, foi a
expressão de revolta de dom Pedro que, ao ser convocado a retornar a
Portugal pelas Cortes de Lisboa, rebelou-se e, de uma das janelas do
Paço Imperial, no Rio de Janeiro, teria dito: "Como é para o bem de
todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico".
Só que este não é o registro original e sim o que foi alterado
para entrar para a história. Segundo o primeiro edital publicado sobre a
sessão, a frase dita pelo regente teria sido outra, bem menos enfática
ou heroica.
Ele disse: "Convencido de que a presença da minha pessoa no
Brasil interessa ao bem de toda a nação portuguesa, e conhecido que a
vontade de algumas províncias assim o requer, demorei a minha saída até
que as Cortes e meu Augusto Pai e Senhor deliberem a este respeito, com
perfeito conhecimento das circunstâncias que têm ocorrido".
Para Schwarcz, a frase é uma construção, que fez parte da
utilização da pessoa de dom Pedro pela elite imperial como uma figura
simbólica. "A elite controlou o fantoche, e esse retoque da frase é
apenas um dos aspectos dessa narrativa que esteve por trás da saída
imperial para a crise daquele momento", afirma.
A análise da frase inicial, segundo a historiadora Lúcia Bastos
Pereira das Neves, "permite perceber que dom Pedro não estava pensando
ainda em uma separação do Brasil com relação a Portugal".
Ela alerta para o fato de que "não se pode ver a história com
os olhos de quem já sabe o que aconteceu depois. Quando disse a frase do
Dia do Fico, dom Pedro não tinha convicção sobre o que ocorreria —
vinha titubeando, estava pressionado, estava em dúvida sobre suas
opções".
Voltando um pouco no tempo: a família real portuguesa estava no
Brasil desde 1808. No ano anterior, temendo o avanço de Napoleão sobre
Portugal, o então príncipe regente dom João embarcou com toda a família
ao Brasil, com o apoio político e logístico da Inglaterra. Durante os 13
anos em que permaneceu aqui, dom João estabeleceu a corte no Rio de
Janeiro, promovendo várias melhorias na cidade e na economia da colônia.
Em 1815, o Brasil teria seu status elevado, passando a fazer
parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Na prática, a
ex-colônia modernizou-se. Houve a abertura dos portos para nações
amigas, que diversificou e aumentou o comércio, e novos edifícios
públicos foram construídos.
Também foi possível, por iniciativa de dom João, passar a
imprimir jornais no Brasil, algo que era proibido durante a época
colonial. Surgiu a Imprensa Régia, que publicava a Gazeta do Rio de
Janeiro, e foram criadas instituições como a Real Academia Militar, o
Jardim Botânico, o Banco do Brasil, o Teatro São João (hoje Teatro João
Caetano) e outras.
A família real também mandou vir a Biblioteca Real de Portugal,
com um acervo estimado em 60 mil volumes, que daria início ao que hoje é
a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Todos esses avanços foram ameaçados depois, quando ocorreu a
Revolução Liberal do Porto, em 1820, em Portugal. Tratou-se de um
movimento liberal, nacionalista e constitucional, que buscava
reestruturar o império, tendo novamente Portugal como centro político e
administrativo.
Para isso, era essencial que dom João 6º retornasse à metrópole
e mais, jurasse a Constituição. O plano era desmantelar a ideia de
monarquia como as do Antigo Regime. A monarquia "modernizada" teria o
rei quase como uma figura simbólica e cerimonial, enquanto o poder
político de fato seria exercido pelas Cortes.
Dom João partiu para Portugal para enfrentar a crise e deixou
Pedro, então com 22 anos, à frente do país. Antes de viajar, ele teria
dito: "Pedro, se o Brasil se separar de Portugal, prefiro que seja para
você, que vai me respeitar, e não para alguns desses aventureiros".
Embora não haja comprovação histórica de que a frase tenha sido dita, é
outro desses episódios que entraram para a narrativa oficial da
Independência.
As Cortes, no entanto, queriam também que dom Pedro voltasse e
emitiram um decreto com esse intuito. Segundo o plano, as províncias do
Brasil passariam a responder diretamente a Lisboa até que uma junta
escolhida por Portugal fosse designada para governar o país.
Para a historiadora Isabel Lustosa, o momento do Fico está
totalmente vinculado às ações das Cortes de Lisboa. "Os liberais
brasileiros, inicialmente, ficaram satisfeitos com a revolução
constitucionalista que aconteceu na cidade do Porto, em razão das
liberdades que seriam concedidas, especialmente a liberdade de imprensa.
Porém, logo começaram a perceber que as medidas das Cortes apontavam
para um retrocesso político e econômico do Reino do Brasil."
Isso porque, apesar de serem pessoas com ideias liberais, logo
perceberam que seus interesses econômicos e sociais estavam sob risco,
caso o Brasil, como queriam as Cortes, fosse novamente reduzido em sua
autonomia, até eventualmente ser transformado de novo em uma colônia.
"Esses homens enxergaram no processo o prejuízo que recairia
sobre seus interesses e se uniram, no final de 1821, em defesa dos
mesmos", afirma Lustosa.
Uma das saídas que foi ganhando força entre a elite brasileira
era pressionar o regente dom Pedro a permanecer aqui, evitando a
minimização do status do Brasil, ao mesmo tempo que se aniquilaria a
possibilidade de uma revolução independentista como as que vinham
ocorrendo em outros países da região, com guerras sangrentas e processos
de fragmentação territorial no que antes eram os vice-reinados
espanhóis.
"A permanência de dom Pedro era importante do ponto de vista
institucional, pois ele representava a monarquia e o regime da moda,
digamos assim, que era o da monarquia constitucional. O medo da
fragmentação do Brasil por falta de um centro de poder que o unisse era
grande", diz a historiadora.
Lustosa concorda com Schwarcz sobre o equívoco de pensar que o
Dia do Fico tenha sido um primeiro passo para uma inevitável
Independência. "Não havia ainda, no final de 1821, quando elementos das
elites do Centro-Sul do Brasil se uniram no Rio de Janeiro pelo Fico, um
movimento pela independência do Brasil. O que havia era uma reação a
uma circunstância: a forma como o governo estava centralizado nas
chamadas Cortes de Lisboa", diz Lustosa.
Dom Pedro, sozinho no Brasil, também hesitou muito em decidir
que passos tomar. Por vezes, mostrava-se em desacordo com o plano de ter
sido deixado para trás para governar o país. Manifestou, em cartas ao
pai, o desejo de voltar para a Europa. Por outro lado, sentiu a enorme
pressão de políticos, comerciantes e da elite brasileira para que
ficasse, mantendo algo de ordem e de unidade no país.
"O medo da Revolução Haitiana também era muito real entre as
elites latino-americanas. No Brasil, a ideia de manter a ordem a
qualquer custo era muito presente entre as pessoas que tinham dinheiro e
poder. Portanto, a ideia de não submissão às ordens das Cortes
respondia mais a esse sentimento de garantia da manutenção de
interesses", diz Lúcia Bastos Pereira das Neves.
"A opção imediata não era a Independência, mas a manutenção dos
privilégios dessa classe e da ordem no país, com a presença de um
monarca. É preciso fazer um esforço para entender como as pessoas
daquela época pensavam".
Mesmo entre as províncias, havia divisão sobre as atitudes a
tomar. Pernambuco e Bahia, por exemplo, estavam mais próximas da ideia
de apoiar as Cortes. No Rio e em São Paulo, as elites se dividiam entre
os conservadores vinculados a José Bonifácio e os mais radicais,
liderados por Joaquim Gonçalves Ledo.
Dom Pedro era muito influenciado pela posição da mulher,
Leopoldina, e não foi diferente nesse episódio. "Dona Leopoldina, como
as princesas de seu tempo, destinadas pelo casamento a garantir acordos
de cooperação internacional, era uma legítima representante dos
interesses da Áustria, onde nascera. Era legitimista, absolutista e
catolicíssima, mas muito inteligente e arguta", afirma Isabel Lustosa.
"Ela compreendeu que a autonomia do Brasil, mesmo que ainda sem
a independência declarada, era fundamental para o sucesso daqueles
interesses."
O momento que culminou na proclamação do Fico ocorreu em 9 de
janeiro, quando o príncipe regente recebeu uma carta assinada por 8.000
pessoas que pediam sua permanência no país. Depois de ler a missiva, dom
Pedro proferiu a frase e acabou permanecendo no Brasil.
"As pessoas gostam da história arrumadinha, com a cronologia
clara, só que ela não é assim. O episódio do Fico tem importância, mas
já é hora de vermos a Independência em um conjunto maior de eventos, que
não ocorreram apenas na Corte do Rio de Janeiro", diz Lilia Schwarcz.
A antropóloga e historiadora sustenta que "havia outros
protagonistas, homens e mulheres, em outras regiões do Brasil. Talvez a
efeméride dos 200 anos seja uma boa oportunidade de fugirmos da agenda
clássica e jogarmos luz nesses outros eventos".
08 janeiro 2022
OS 11 SUPREMOS ILUMINISTROS DO STF | VERSÃO COMPLETA
"Não se deixem enganar pelos cabelos brancos pois os canalhas também envelhecem ".
Precisamos de um STF que se preocupe realmente com a nação, e não que sejamos um pais dominado pela ditadura da hermenêutica imposta por um grupo reduzido de juízes.
Esse documentário deveria ser transmitido em vários idiomas. Um patrimônio mundial, onde a narrativa exportada mente sobre quem exerce ditadura em nosso país. Nesse acervo, fica claro o que está por trás de tudo... Parabéns pela coragem e serviços prestados à nossa nação.
Vamos divulgar esse vídeo pessoal. As pessoas precisam conhecer os "ministros" que temos e entender suas ações.
06 janeiro 2022
Minha resposta a Alexandre de Moraes e a todos do STF
Nesse vídeo (Barbara) farei mais do que dar apenas uma resposta, darei a minha singela contribuição para o Inquérito do nosso querido, amado, supremo e magnânimo Alexandre de Moraes. Tá longo, mas boas respostas não são curtas. Separa a pipoca e bora lá.
05 janeiro 2022
JUVENTUDE E POLÍTICA!
Por Cesar Maia – Folha de SP, 24/04/2010.
Desde os anos 80 a
mobilização da juventude e a sua participação política vinham
diminuindo. As mobilizações dos jovens em grandes manifestações nas ruas
foi minguando. Nas campanhas eleitorais, os debates acalorados, com
"torcidas" dos candidatos extravasando os auditórios, quase
desapareceram. Precipitadamente, analistas falavam de um processo de
alienação, produto da sociedade de consumo.
Provavelmente, a causa de fundo não tenha sido nenhuma razão
estrutural, mas as mudanças na própria atividade política. À medida que
os extremos políticos convergiam para o centro, produto de uma certa
desideologização após a queda do Muro de Berlim, as razões espontâneas
de mobilização perderam impulso.
Uma razão central está no que muitos politólogos chamam de
"partidocracia". Ao tempo em que ocorre a convergência ao centro, os
partidos se fecham e se consideram eles mesmos detentores da
representação popular a partir do voto da população. A "partidocracia"
produziu claros desestímulos à participação dos jovens, que não viam os
canais de participação, mobilidade e ascensão partidárias. Os
parlamentos foram se burocratizando como desdobramento desse processo. E
o efeito maior foi o desestímulo à participação dos jovens e a sua
desmobilização.
Nos últimos anos, há uma nítida reversão desse quadro,
desmentindo os que imaginavam que as causas eram estruturais e
permanentes. Se uma parte dos jovens busca a participação política com
expectativa de ascensão partidária e acesso a mandatos, a grande maioria
busca a participação política para influenciar as decisões. A internet
quebrou aquela obstrução. Mesmo que a maioria dos partidos não
desenvolva canais de acesso a mandatos e a espaços políticos, o fato é
que, em relação àqueles que querem participar da política, a internet
implodiu as máquinas partidárias. O uso da internet é proporcionalmente
maior entre os jovens, reforçando essa tendência. Esses descobrem que os
edifícios partidários podem ser alcançados em qualquer andar, sem
precisar mostrar carteirinha ao porteiro nem usar os seus elevadores.
A participação é livre, pode-se dizer o que se quer,
multiplicar o que se pensa, formar redes numa multiplicidade de temas e
numa frequência maior que os políticos com mandato, mobilizar a opinião
pública.
Já vivemos num ambiente muito diferente, com ampla participação
dos jovens, que, filiados ou não a partidos, opinam, pressionam e
chegam à sociedade, independente da vontade e da autorização dos
caciques de plantão. Com isso, a participação dos jovens voltou a dar
dinamismo ao processo político.
Os partidos que entenderem isso estarão conectados ao futuro.
04 janeiro 2022
Thomas Hobbes, laicidade, bem-estar social e o Brasil
Em
Por Francisco Fernandes Ladeira
Hobbes, laicidade, bem-estar social e o Brasil
O filósofo britânico Thomas Hobbes entrou para a história do pensamento político ocidental ao publicar, em meados do século XVII, o livro Leviatã. A obra em questao é uma das referências mais antigas e influentes da teoria do contrato social. Leviatã também é historicamente associado ao absolutismo monárquico, forma de governo em que todo o poder político concentrava-se nas mãos do rei. Segundo Hobbes, os seres humanos, em estado natural, são inerentemente inimigos, pois cada indivíduo visa, primordialmente, a sua própria sobrevivência, independente do bem-estar de seu semalhante. “O homem é o lobo do homem”, diz o clássico aforisma hobbesiano.Desse modo, para que os seres humanos possam viver em sociedade, é imprescindível que haja uma instância reguladora e superior a todos. Temos assim o Estado e as leis. Porém, poucos leitores observaram que no Leviatã Hobbes também defende (embora não utilize necessariamente os termos apropriados) duas formas de organização social que ganhariam consistência somente após as revoluções burguesas. Trata-se do Estado Laico e do Estado do Bem-Estar Social.
Grosso modo, Estado Laico é um estado oficialmente neutro em relação às questões religiosas, não apoiando e nem se opondo a nenhuma religião. Dessa forma, a todos os cidadãos é assegurada a liberdade de crença, bem como a liberdade de não-crença religiosa (como são os casos de ateus e agnósticos). Para Hobbes algumas afirmações de Jesus Cristo como “O meu reino não é deste mundo” e “Daí a César o que é de César e a Deus o que é Deus” trazem, explicitamente, a ideia de que assuntos religiosos não devem se misturar com assuntos “mundanos”, próprios da esfera pública. Ou seja, o próprio Messias, segundo o filósofo, defendia a separação entre Estado e Igreja.
Já o Estado do Bem-Estar Social, também conhecido como Estado-Providência, é uma forma de organização política em que o Estado tem o dever de garantir serviços públicos e assistência social para a população. De acordo com Hobbes, para que cada indivíduo renuncie ao seu direito natural de utilizar todos os meios possíveis para a sua sobrevivência é preciso que o governo provenha, como contrapartida, uma mínima possibilidade de subsistência digna para os seus cidadãos. Entretanto, os princípios da laicidade e do bem-estar social, mesmo consagrados na Constituição de 1988, não têm sido colocados em prática no Brasil. A presença de crucifixos em repartições públicas, os feriados religiosos, a adoção da disciplina Ensino Religioso nas escolas e, principalmente, a grande influência dos parlamentares evangélicos e católicos nas principais decisões governamentais são alguns exemplos de desrespeito ao caráter laico do Estado.
Por outro lado, a grande defasagem dos serviços públicos e a grande mercantilização de áreas como saúde e educação (condutas típicas das políticas neoliberais), colocam em xeque o Estado-Providência. Assim, quase quatrocentos anos após a publicação do Leviatã, parece que alguns princípios fundamentais para o andamento de uma organização política, como a laicidade e os investimentos sociais, apesar de corroborados constitucionalmente, estão longe de se concretizarem no Estado brasileiro.
Referência
HOBBES, Thomas. Leviatã, ou matéria forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. Série Ouro. Martin Claret: São Paulo, 2009.
A ‘CONTRARREVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA’!
(O Estado de S. Paulo, 01) No fim dos anos 90 era comum ler
articulistas entusiasmados com o formidável potencial da rede digital de
turbinar a democratização da informação e a participação democrática.
Duas décadas depois, há amplas evidências de agentes políticos
manipulando eleições por meio de instrumentos algorítmicos de
publicidade das redes sociais, como mensagens subliminares,
microestímulos psicológicos ou ferramentas de recompensas e punições em
tempo real. Computando traços de personalidade, disposições
comportamentais, interesses, preocupações e vulnerabilidades, mecanismos
de Inteligência Artificial podem, por exemplo, identificar prováveis
eleitores de adversários políticos e bombardeá-los com conteúdo tóxico
projetado para dissuadi-los de ir às urnas.
Os mecanismos para provocar essas e outras mudanças
comportamentais em escala massiva foram forjados pelo novo sistema
econômico que Shoshana Zuboff, uma das principais pesquisadoras da Era
da Informação, denominou “Capitalismo de Vigilância”. Ele mantém
elementos do capitalismo tradicional – como propriedade privada, trocas
comerciais e lucros –, mas que só são concretizados através de relações
de vigilância. Experiências humanas outrora consideradas privadas são
computadas, armazenadas como propriedade privada e codificadas em dados
comportamentais originariamente manipulados a serviço de interesses
comerciais, mas cada vez mais como arsenais de guerras políticas ou
culturais.
“Nossos espaços de informação e comunicação como um projeto de
mercado são um experimento social fracassado, e esse experimento deixou
um rastro de destroços sociais”, disse Zuboff, em seminário do Instituto
FHC. “Entre esses destroços vemos a completa destruição da privacidade,
a anulação de direitos fundamentais, a intensificação da desigualdade
social, o envenenamento do discurso social, sociedades divididas, normas
sociais demolidas e instituições democráticas enfraquecidas.”
Há um século as democracias forjaram leis para quebrar
concentrações de poder econômico que vulneravam trabalhadores e
consumidores. Mas essas leis não são capazes de proteger as sociedades
contemporâneas da economia de vigilância digital. O poder das Big Techs
não é primariamente econômico, mas social. Seus danos não estão
restritos à cadeia econômica de trabalhadores e consumidores, mas a uma
nova categoria humana, os “usuários”, ou seja, todos nós, a todo tempo,
em todo lugar.
Em uma civilização da informação, diz Zuboff, os princípios da
ordem social derivam de três questões cruciais, sobre o conhecimento, a
autoridade sobre o conhecimento e o poder que sustenta essa autoridade:
1) quem conhece?; 2) quem escolhe quem conhece?; e 3) quem escolhe quem
escolhe quem conhece? “As gigantes tecnológicas detêm a resposta a cada
uma dessas perguntas, embora não as tenhamos eleito para governar.”
As democracias enfrentam uma questão fundamental: como
estruturar, organizar e governar a informação e a infraestrutura de
comunicação de modo que elas sejam não só compatíveis com a democracia,
mas a fortaleçam? Para respondê-la, ao menos quatro desafios precisarão
ser encarados de frente: a atualização das leis antimonopólio; o modelo
de negócios das gigantes digitais fundado no armazenamento e manipulação
de dados pessoais; o seu poder de controle da informação e censura; e o
seu alcance sobre jovens e crianças.
Não há soluções pré-fabricadas para esses desafios, e é bom que
assim seja, porque elas precisarão ser forjadas no crisol do debate
democrático e em suas instâncias de representação política. O desafio é
ainda maior quando se considera que a revolução digital é transnacional,
e, tal como com as mudanças climáticas, só um esforço global coordenado
poderá conduzi-la aos fins esperados.
O TEATRO DAS TESOURAS | MARATONA BP > ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NO BRASIL.
VALE A PENA ASSISTIR, PARTICIPAR E COLABORAR COM A BRASIL PARALELO.
03 janeiro 2022
PESQUISAS ELEITORAIS! A OPINIÃO DO ELEITOR MUDA CONSTANTEMENTE ATÉ O DIA DA ELEIÇÃO.
Por Cesar Maia para a Folha de SP, em 01/05/2010.
Sempre que as pesquisas
eleitorais são publicadas, surgem os questionamentos. Em geral as
críticas se baseiam nos resultados diferentes entre institutos, além da
margem de erro. Uma pesquisa de opinião pública, sobre qualquer questão,
depende de a informação ter chegado às pessoas. Fazer uma pesquisa de
opinião no Brasil sobre os conflitos subnacionais na Bélgica neste
momento não dará nenhum resultado, mesmo que parte das pessoas marque
uma resposta. Da mesma forma, quando a informação a ser pesquisada é
restrita, a pesquisa não testa opinião pública. Por exemplo: você acha
que o Copom vai aumentar, diminuir ou deixar os juros iguais?
O processo básico para que uma pesquisa eleitoral traduza o que
pensa a opinião pública é que o "jogo de coordenação" (expressão
técnica) tenha se desenvolvido. Num processo eleitoral, a opinião das
pessoas vai se formando em contato com a opinião de outras pessoas.
Elas recebem informações dos candidatos e dos meios de
comunicação e conversam entre si. É esse processo de tomada de decisão, a
partir das conversas entre as pessoas, o que se chama de "jogo de
coordenação". Longe do processo eleitoral, quando os partidos ainda não
iniciaram suas campanhas, sem sua própria TV/rádio, e a imprensa ainda
não priorizou a cobertura, as informações que chegam aos eleitores ainda
são diluídas. Vale a memória dos nomes.
No caso da eleição presidencial deste ano, um dos candidatos
tem o nome mais conhecido por sua participação em outras eleições e em
governos. O presidente da República, por um ano e meio, foi reduzindo
essa vantagem, divulgando o nome de sua candidata e buscando colá-la às
realizações do governo.
Mas quando o processo se abre e a mídia amplia os espaços
pré-eleitorais é que se inicia o "jogo de coordenação". Os candidatos
procuram colocar seus nomes e propostas no meio desse "jogo", assim como
desqualificar os seus adversários. As pessoas passam a tratar do tema
progressivamente. O "jogo" esquenta quando entra a TV dos candidatos.
As pesquisas, portanto, medem, de início, opiniões frias, e vão
retratando de forma crescente a tendência efetiva da opinião eleitoral,
a meio do "jogo de coordenação".
Os fatos eleitorais vão afetando esta opinião pública, mantendo
ou alternando tendências. Dessa forma, as pesquisas divulgadas nestes
meses falam da opinião pública, antes do "jogo de coordenação".
Os candidatos, em suas campanhas, vão influenciando esse "jogo"
de maneira a que as conversas estimuladas pela propaganda, direta e
indireta, produzam, no final, decisões a seu favor.
E as pesquisas, que no início apenas faziam diagnóstico, no final passam a fazer prognóstico.
20 dezembro 2021
RESPONSABILIDADE FISCAL E CUSTO DA DÍVIDA!
Por Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC e sócio da A.C.
Pastore e Associados
Em O Estado de S. Paulo, de 05/12. A aprovação da PEC do
Teto, em 2016, deu início a uma redução simultânea da taxa neutra real
de juros e da taxa de juros implícita da dívida bruta, que é o quociente
entre os juros pagos em um ano e o estoque da dívida. A taxa implícita
caiu de 16%, em 2016, para 7% em 2021.
Uma das consequências mais nefastas da destruição da âncora
fiscal foi o aumento da taxa de juros e a queda do crescimento
econômico. O rompimento da regra do teto de gastos gerou prêmios de
risco que depreciaram o real, iniciando um surto inflacionário e
elevando as taxas no ramo longo da curva de juros. A inflação mais alta
obrigou o Banco Central a reagir com aumentos sucessivos da taxa básica
de juros, que se propagou para o ramo curto da curva de juros, mas
devido ao prêmio de risco decorrente da indisciplina fiscal aumentou
ainda mais as taxas no seu ramo longo.
Atualmente, as taxas de juros em todas as operações, de um a
dez anos, estão próximas de 12% ao ano. No Brasil, a dívida pública
bruta (do Tesouro mais as compromissadas) tem um prazo médio de
vencimento em torno de 3 anos, o que significa que em 2022 o governo
terá de rolar um pouco acima de 30% da dívida. Ou seja, em 2022 títulos
que atualmente pagam em média 7% ao ano terão de ser substituídos por
títulos que pagam 12% ao ano.
Uma conta “nas costas de um envelope” mostra que, com um
resultado primário nulo, a rolagem da dívida que vence em 2022 elevará a
taxa de juros da dívida em 1,5 ponto porcentual. Se nada mais for feito
para baixar os riscos, em dois anos essa taxa terá se elevada em mais
de 3 pontos porcentuais, retornando próximo ao nível de antes da
aprovação do teto de gastos.
Erro mais grave seria aumentar ainda mais os gastos para
estimular a economia. Maiores gastos elevam o déficit primário, com o
aumento dos prêmios de risco, depreciando o real e elevando a inflação. O
Banco Central teria de aumentar ainda mais a taxa Selic, o que, devido
ao prêmio de risco, seria acompanhado do aumento de todas as taxas, nos
ramos curto e longo da curva de juros.
Taxas de juros mais altas reduzem a taxa de crescimento e
pioram a dinâmica da dívida, elevando ainda mais os prêmios de risco.
Gera-se um círculo vicioso que somente pode ser rompido com o retorno à
disciplina fiscal. Mas como é possível ter disciplina fiscal quando,
para aprovar transferências aos necessitados, os deputados cobram do
governo o aumento das emendas do relator e de outros gastos primários?
07 dezembro 2021
BRASIL EM RECESSÃO TÉCNICA: VEJA COMPARATIVO COM DESEMPENHO DE OUTROS PAÍSES!
(G1, 02) O Brasil aparece mais uma vez perto da 'rabeira' no
ranking de desempenho econômico entre os países. Segundo o IBGE, o
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 0,1% terceiro trimestre,
após cair 0,4% nos três meses anteriores, segundo dados revisados.
Com o crescimento da economia negativo nos últimos dois
trimestres, o país ficou na retaguarda entre países com desempenho já
divulgado.
De acordo com a Austin Rating, o PIB do Brasil no terceiro
trimestre ficou abaixo do índice registrado na China, Colômbia, Chile,
Espanha e Estados Unidos. Já o Japão registrou taxas inferiores no
período.
Relatório divulgado pelo Banco Mundial aponta que a América
Latina deve crescer 6,3% em 2021, uma recuperação "confiável", mas ainda
"insuficiente" para que a maior parte da região retorne aos níveis
pré-pandemia — como é o caso do Brasil. Mas há diferenças entre os
países:
"No topo, a Guiana registrou novamente altas taxas de
crescimento do PIB [trimestrais], impulsionadas pela exploração de
grandes descobertas de petróleo. Entre os demais países com melhor
desempenho, Belize, Chile, República Dominicana, Panamá e Peru devem
atingir taxas de crescimento superiores a 9% [em 2021]. A Argentina e a
Colômbia devem avançar 7,5% e 7,7%, respectivamente, enquanto Brasil e o
México devem apresentar taxas acima de 5%", informou a instituição
financeira.
Na avaliação do economista Silvio Campos Neto, da consultoria
Tendências, o país conseguiu recuperar o patamar pré-pandemia no início
do ano, mas perdeu fôlego a partir do segundo semestre com a
instabilidade política do governo Bolsonaro, além do fim dos programas
de auxílio, crise fiscal, aumento desenfreado da inflação e alto índice
de desemprego.
"O PIB do Brasil caiu menos que os demais países durante a
pandemia. Mas isso não alivia a situação porque, quando se olha no
horizonte de curto prazo, não há nenhum alento, já que a inflação
cresceu muito e a atividade econômica caiu", afirmou ele.
Cláudio Considera, pesquisador do FGV IBRE, destaca também que a
visão dos investidores estrangeiros sobre o Brasil piorou nos últimos
meses, fazendo com que eles retirem recursos do país.
"As incertezas que estamos tendo no governo Bolsonaro nos levou
a ter esse resultado. Ninguém coloca dinheiro onde imagina que pode não
dar certo", disse.
De acordo com o Banco Central, os investimentos estrangeiros
diretos na economia brasileira somaram US$ 45,788 bilhões nos dez
primeiros meses deste ano, com alta de 33,3% na comparação com o mesmo
período do ano passado (US$ 34,352 bilhões). Somente em outubro, porém,
os investimentos somaram US$ 2,493 bilhões, o menor patamar desde junho
deste ano (US$ 693 milhões).
Entre os latino-americanos, Considera afirma que o desempenho
econômico do Chile e do Uruguai está acima da média da região, mas
pondera que os dois países são pequenos em termos geográficos e têm
menor complexidade que o Brasil, por exemplo.
Segundo o Banco Mundial, houve aumento da inflação nos países
da América Latina que investiram em programas de transferência de renda
durante a pandemia — principalmente o Brasil, com o Auxílio Emergencial,
destacado no relatório.
"Em 2021, a incerteza diminuiu, embora permaneça elevada. A
incerteza sobre a inflação deverá permanecer acima dos níveis normais
até que a pandemia seja controlada e a defasagem entre oferta e demanda
seja resolvida", destacou a instituição.
A Argentina não ficou de fora: tem uma inflação (50,4%) que é
quase cinco vezes a do Brasil (10,7%), e mais de oito vezes a do México
(6,2%), de acordo com os indicadores oficiais para outubro.
"No Brasil, a questão cambial e o custo da energia elétrica e
do combustível agravaram o cenário. Na Argentina, a inflação sempre foi
um problema histórico. A própria condução da economia tem sido um erro
há anos", afirmou o economista.
A redução dos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos
indica que o país está acelerando o processo de retomada econômica e
deve crescer 6% em 2021 e 5,2% em 2022, segundo estimativas do Fundo
Monetário Internacional (FMI).
As previsões otimistas dos EUA, no entanto, geram apreensão aos
emergentes, que temem que a redução dos estímulos da potência leve à
saída de capital de seus países e à desvalorização cambial, afirmou
Campos Neto, da Tendência.
A China, por sua vez, deve crescer 8% em 2021 e 5,6% em 2022,
taxas que, embora altas, indicam que o país asiático perde fôlego. No
terceiro trimestre deste ano, em relação ao período anterior, a potência
registrou um crescimento de 0,2%. Nos três meses imediatamente
anteriores, o avanço foi de 1,3%.
"A China negligenciou alguns aspectos, como ambientais, bolhas e
alavancagem excessiva. Agora ela começa a lidar com esses desafios e
enfrenta um crescimento menor, segurando a produção de aço para
controlar as emissões de carbono, por exemplo", explicou o economista.
06 dezembro 2021
SE TIVER SEGUNDO TURNO SERÁ ADEUS PARA BOLSONARO, LULA, CIRO GOMES, JOÃO DORIA E ETC. MORO VENCE TODOS ELES.
Durante um bom tempo duvidou-se da possibilidade de surgir um nome com musculatura suficiente para ser candidato da terceira via, interpondo-se à polarização Lula-Bolsonaro. Isso até Sergio Moro aparecer na quadra da escola e, com palavras e movimentos muito bem calculados – não esqueceu sequer do apoio de um fonoaudiólogo para corrigir a fala atropelada – rapidamente cair no samba e ganhar aplausos das arquibancadas
.
Se uma ala da esquerda moderada não aceita Lula mas igualmente não admite Bolsonaro, o ideal era que seus líderes construíssem uma alternativa. Mas ninguém se mexeu, pelo contrário, preponderou o protagonismo egoísta dos candidatos conhecidos, que se lançam na condição autônoma de cabeças-de-chapa, como se de fato tivessem qualquer chance na disputa, o que não é verdade para nenhum deles.
Até porque, além de Lula, nenhum outro candidato tem voo próprio. As pesquisas revelam uma distância abissal entre qualquer um deles e os dois protagonistas da polarização. Ou alguém acredita nas chances de um Ciro Gomes – queimado por todos os lados? De um João Doria – que chega ao campo de batalha com as armas tucanas em frangalhos? De um Rodrigo Pacheco – que o pipoqueiro ali da esquina não sabe de quem se trata? De um Alessandro Vieira – igualmente neófito demais para uma pretensão tão alta? Ou de uma Simone Tebet – que desempenhou um papel exponencial na CPI da Covid, mas ainda sem estofo para calçar as chuteiras e encarar os adversários em pé de igualdade, ainda mais com o preconceito arraigado contra a presença de mulheres em postos de comando no Brasil?