Jornalista Jarbas Cordeiro de Campos

- Jornalista Jarbas Cordeiro de Campos - Pós Graduado em GSSS - Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde.
- Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
- Jornalista formado pela FAFI-BH,especializado em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde pela ESPMG. "O Tribunal Supremo dos EUA decidiu que "só uma imprensa livre e sem amarras pode expôr eficazmente as mentiras de um governo." Nós concordamos."
31 julho 2023
29 julho 2023
NÃO ESTAMOS SOZINHOS NO UNIVERSO!
23 julho 2023
CONFIRA TRECHOS DO ÚLTIMO RÁDIO VIVO APRESENTADO POR JOSÉ LINO > A VOZ DE MINAS NA RÁDIO ITATIAIA
NÃO POSSO DEIXAR DE REGISTRAR PARA A HISTORIA A VIDA E OBRA DE JOSÉ LINO DE SOUZA BARROS, AMIGO, COLEGA, COMPANHEIRO.
05 julho 2023
LULA USANDO DILMA VAI TRAIR O BRASIL E EM ESPECIAL MINAS GERAIS
AMPLIAR O BRICS É RUIM PARA O BRASIL!
(Oliver Stuenkel, analista político e professor de relações
internacionais da FGV em São Paulo - O Estado de S. Paulo, 03) No
próximo dia 22 de agosto, os líderes do Brasil, da Rússia, da Índia, da
China e da África do Sul se reunirão em Joanesburgo para a 15ª cúpula do
Brics. Por vários motivos, será o encontro mais importante da história
do bloco, que se transformou em um grupo geopolítico em 2009, ano de sua
primeira cúpula.
Em primeiro lugar, o anfitrião precisa lidar com uma situação
diplomática delicada: como signatária do Tribunal Penal Internacional
(TPI), a África do Sul tem a obrigação de prender o presidente russo se
ele comparecer à reunião, pois o TPI emitiu, em março, mandado de prisão
contra Vladimir Putin pela deportação ilegal de crianças ucranianas
para a Rússia.
Nos últimos meses, o governo sul-africano até considerou
transferir a cúpula para a China – que não é signatária do TPI. Afinal,
como o ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki apontou recentemente: “Não
podemos dizer ao presidente Putin, ‘por favor, venha para a África do
Sul’ e depois prendê-lo. Ao mesmo tempo, não podemos dizer ‘venha para a
África do Sul’ e não o prender – porque estamos violando nossa própria
lei”.
Porém, ao que tudo indica, é justamente isso que o governo
sul-africano fará, atitude que não apenas representaria um triunfo
diplomático para Putin, mas também fortaleceria o grupo Brics: afinal, o
país se mostraria disposto a violar sua própria legislação para
preservar a tradição diplomática das cúpulas do Brics, às quais até hoje
nenhum presidente deixou de comparecer.
Em segundo lugar, em Joanesburgo o grupo estará diante da
decisão mais importante de sua história: criar ou não um processo formal
para admitir novos integrantes. Em 2010, a China conseguiu convencer o
Brasil, a Rússia e a Índia a agregar a África do Sul, argumentando que
incluir um país africano dava ao Brics mais legitimidade para falar em
nome do mundo em desenvolvimento.
Parte da motivação, porém, provavelmente foi o desejo chinês de
tornar supérfluo o IBAS – grupo criado em 2003 composto por Índia,
Brasil e África do Sul – pois a consolidação de um agrupamento de três
grandes democracias no Sul Global não era do interesse de Pequim. De
fato, em 2013, o IBAS, uma das principais inovações da política externa
do primeiro mandato Lula, perdeu relevância.
Desde 2017, a China promove sua visão de um Brics ampliado, e
perto de 20 países – entre eles o Egito, o Irã, a Argentina e a Arábia
Saudita – sinalizaram o interesse em aderir. Como a China, cujo PIB é
maior do que de todos os outros integrantes somados, sempre será vista
como líder do grupo, a expansão faz sentido para Pequim, e um Brics com
dez ou vinte integrantes pode ajudar a formalizar a enorme influência
econômica e política que a China já exerce globalmente. Para a Rússia, a
expansão também faz sentido para se proteger do crescente isolamento
diplomático.
Para a Índia e o Brasil, porém, ampliar o grupo teria um custo
estratégico significativo: um Brics diluído dificilmente traria o mesmo
prestígio, status e exclusividade que oferece hoje. É em parte graças ao
Brics que o Brasil ainda é visto como uma potência em ascensão, apesar
de estar em estagnação há uma década. Enquanto Nova Deli e Brasília têm a
capacidade de vetar decisões em um agrupamento de cinco países, é bem
mais difícil exercer a mesma influência em uma aliança de dez ou vinte,
onde o maior objetivo dos novos integrantes é fortalecer laços
econômicos com a China.
Além disso, é importante lembrar que vários dos países que
buscam aderir ao grupo adotam uma estratégia explicitamente
anti-ocidental, contrária à estratégia brasileira e indiana de articular
uma postura de não-alinhamento no contexto das crescentes tensões entre
os EUA e a China. Um Brics que inclua a Venezuela, o Irã e a Síria
dificultaria garantir que as declarações finais das cúpulas tenham um
tom moderado.
A participação brasileira do grupo Brics, do jeito que está,
produz vantagens concretas para o Brasil, trazendo prestígio diplomático
e facilitando o diálogo com quatro atores-chave no sistema
internacional com os quais o País não tinha relação estreita há apenas
duas décadas. Aceitar um Brics ampliado equivaleria a abrir mão desses
benefícios.
04 julho 2023
Yevgeny Prighozhin é o mercenário ou corsário de Putin.
Por Denis Lerrer Rosenfield, professor de filosofia na UFRGS, para O
Estado de S. Paulo, em 03 de junho de 2.023
Piratas eram aventureiros que viviam do saque e
do assalto de embarcações, normalmente carregadas de riquezas, como o
ouro explorado pelos espanhóis em suas colônias americanas.
Distinguiam-se, porém, dos corsários na medida em que estes agiam sob a
cobertura da Coroa de um país, prestandolhe serviços e fornecendo-lhe
uma parte dos seus butins. Um dos mais famosos foi Sir Francis Drake a
serviço da rainha Elisabeth I, tendo sido, precisamente por isso,
agraciado com o título de “sir”. Constituíam uma espécie de armada
dentro da Armada, respondendo diretamente à rainha. Tinham o
reconhecimento régio.
Mercenários são, em terra, descendentes dos corsários,
reportando-se diretamente ao presidente de um Estado, compartilhando com
ele dos benefícios dos sucessos militares. Yevgeny Prighozhin é, nesse
sentido, o corsário de Putin, respondendo até recentemente diretamente a
ele, tendo, inclusive, independência, e não subserviência às Forças
Armadas tradicionais. Um Exército dentro do Exército, com seus
tentáculos se estendendo até a África, além da presença marcante na
invasão russa à Ucrânia. Tudo indica, no entanto, que a criatura se
voltou contra o criador.
A questão que se coloca, contudo, é por que o criador optou por
compactuar com sua criatura rebelde, quando se sabe que Putin tem uma
predileção por aniquilar seus críticos mais acerbos. Boa parte dos
oligarcas que se insurgiu contra ele tropeçou em janelas de altos
andares de vários hospitais, testando a Lei da Gravidade e se
estatelando no chão. Outros foram objeto de envenenamento por intermédio
de guarda-chuvas ou outro instrumento prosaico qualquer. Todavia,
Prighozhin ganhou, pelo momento, um exílio tranquilo graças à
intermediação de um ditador menor, Alexander Lukashenko, de Belarus – se
é que pode haver tranquilidade em meio a autocratas violentos e
arbitrários.
A razão da insurgência, muito provavelmente, se deve à diretriz
do Ministério da Defesa, liderado por Serguei Shoigu, certamente com a
anuência de Putin, obrigando os mercenários a se inscreverem nesse
ministério, tornando-os de fato soldados regulares, com a obediência
devida às autoridades militares. Algo, portanto, inadmissível para
Prighozhin, que perderia a sua autonomia militar e econômica. Haveria,
também, uma nova distribuição dos butins, seja nos contratos estatais,
seja nos países africanos. Não convém esquecer que no modelo
mercenários/corsários todos são sócios.
Para ter uma ideia da importância do Grupo Wagner, ele está
presente em 13 países africanos, seja com atuação militar propriamente
dita, seja com consultoria estratégica e influência política, seja em
atividades econômicas como a exploração de minas de ouro. Estima-se
que sejam 5 mil homens muito bem treinados, aos quais se
subordinam as tropas locais. Eis os países: Sudão, República Centro
Africana, Líbia, Mali, Moçambique, Camarões, Madagascar, Burkina Faso,
Congo, Guiné Equatorial, África do Sul, Zimbábue e Quênia. Note-se que
os dirigentes desses país, alguns meros ditadores, fazem acordos de
cooperação com a Rússia, que envia para sua implementação o Grupo
Wagner. A cooperação se dá graças à ação conjunta, associada, de Putin e
Prighozhin. Os prejuízos de ambos podem ser, aqui, múltiplos.
Putin e Shoigu tentaram restabelecer a autoridade estatal,
depois de o primeiro ter usado e abusado da dualidade de poder por ele
criada entre mercenários e militares. Ocorre, porém, que o tiro saiu
pela culatra, pois expôs a fratura existente dentro do Estado russo,
como se fossem lideranças mafiosas se digladiando. Ameaçado em suas
posições, Prighozhin marchou para dentro do território russo, ocupando
Rostov-on-Don, sem tiro disparar, contando, muito provavelmente, com o
apoio de militares regulares. Seriam corsários tentando se apropriar da
Armada. E empreenderam um avanço rumo a Moscou, abatendo quatro
helicópteros e um avião em seu percurso. Putin considerou a sua ação um
ato de traição e, no entanto, não enviou a sua Força Aérea para
aniquilálos. Contentou-se com uma negociação, expondo a sua própria
fragilidade.
O Estado russo sai fraturado do episódio. Independentemente de
qual grupo emerja vencedor dentro da elite dominante, o caráter
monolítico de seu governo se esfacelou. Quem decide tornou-se uma
questão crucial, com os diferentes atores esforçando-se por guardar
posições. Escancarou-se, igualmente, a ideologia da Grande Rússia, que
tem em Alexander Dugin um dos seus expoentes, visto que o mercenário
declarou que não havia ameaça ocidental à Rússia, como seus ideólogos
quiseram fazer acreditar. Não apenas os eslavos ucranianos estão se
mostrando melhores guerreiros que os eslavos russos, como o governo
russo teve, inclusive, de recorrer ao líder checheno, Ramzan Kadyrov,
para conter os avanços das tropas de Prighozhin.
A Coroa se fraturou, assim como se estilhaçou sua justificativa
ideológica, graças a um corsário particularmente audacioso.