BRASIL E COLÔMBIA PRECISAM SOBREVIVER AO POPULISMO!
(Moisés Naím - O Estado de S. Paulo, 27) A Colômbia acaba de
eleger seu próximo presidente, Gustavo Petro, que, apesar de sua longa
carreira política, se apresenta como um forasteiro que vai desalojar do
poder as elites que sempre governaram o país. O mesmo foi prometido por
Andrés Manuel López Obrador, no México, Gabriel Boric, no Chile, Pedro
Castillo, no Peru, Alberto Fernández, na Argentina, e por vários outros
presidentes latinoamericanos.
No dia 2 de outubro, haverá eleições no Brasil e é quase certo
que o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula da Silva
disputarão o cargo. Além de enfrentar agressivamente seus oponentes,
todos esses líderes prometem amplas mudanças institucionais e reformas
econômicas. Todos também se comprometeram a reduzir fortemente a pobreza
e a desigualdade. Eles serão bem sucedidos?
Não. Por várias décadas, nenhum da longa lista de predecessores
que tentaram fazer mudanças permanentes e indispensáveis teve sucesso. A
exceção a essa tendência foi Hugo Chávez e seu sucessor, Nicolás
Maduro, que transformaram drasticamente a Venezuela. Eles a destruíram.
POPULISMO.
O novo presidente colombiano é o mais recente membro desse
clube de líderes políticos que chegam ao poder com promessas populistas
que não poderão cumprir ou impor de qualquer maneira, independentemente
dos custos e de outros efeitos nefastos. Além disso, terão de governar
sociedades com níveis de polarização política e social que muitas vezes
impossibilitam acordos e compromissos entre grupos ou segmentos da
sociedade que rivalizam e não se toleram.
Como em muitas outras partes do mundo, importantes tomadas de
decisão governamentais na América Latina são bloqueadas pela
polarização, que se alimenta de identidades de grupo: religião, raça,
gênero, região, idade, interesses econômicos, ideologias e muito mais.
Essa polarização, que sempre existiu, agora foi potencializada
pela pós-verdade: o aumento da desinformação, das fake news, da
manipulação e da disseminação de mensagens que provocam desconfiança.
NOVA REALIDADE.
Estes são os três “Ps” que definem as realidades políticas
nestes tempos atuais: populismo (dividir e governar, prometer e vencer),
polarização (o uso e abuso da discórdia) e pós-verdade (em quem
acreditar?).
Governar com sucesso neste contexto torna-se ainda mais difícil
quando se leva em conta a situação econômica da América Latina. A saúde
das economias da região depende criticamente dos preços internacionais
das matérias-primas, que constituem seus principais itens de exportação.
Quando a demanda e os preços desses produtos no mercado mundial
aumentam, os governos latino-americanos obtêm recursos que alimentam os
gastos públicos e, assim, aliviam os atritos políticos e sociais. Se os
preços internacionais caem, o conflito político e social se
intensifica. É um padrão recorrente.
CONTRAÇÃO.
Tudo parece indicar que a economia global experimentará uma
forte contração e a América Latina não conseguirá evitar o impacto dos
choques externos. A inflação, fenômeno até então desconhecido para a
grande maioria dos jovens da região, reaparecerá após décadas em que a
alta dos preços não fazia parte do cotidiano. A inflação será uma fonte
perniciosa de fome, empobrecimento, desigualdade, estagnação econômica e
conflito social.
Os efeitos políticos da inflação são agora agravados por uma
terrível condição preexistente: a desilusão com a democracia. Milhões de
latino-americanos fortemente afetados pela pandemia, pelo desemprego,
pela má qualidade dos serviços públicos, pela insegurança alimentar,
pela corrupção e pelo crime perderam a esperança de que as eleições e a
democracia lhes deem as oportunidades que os políticos há muito lhes
oferecem.
Este é o contexto em que o presidente Petro deve governar a
Colômbia. Ele tem três alternativas. A primeira é dar viabilidade
política a sua ambiciosa agenda de mudanças por meio de transações
oportunistas com alguns líderes, partidos da oposição e grupos sociais
que se opõem a ele, o que inevitavelmente exigirá que o presidente faça
concessões. Aumentar essa margem de apoio será essencial e exigirá
decisões bem menos virtuosas.
ACORDO NACIONAL.
A segunda alternativa é Petro propor à Colômbia um amplo e
inclusivo acordo nacional. Uma aliança que permita a tomada de decisões
importantes e seja sincera e possa lhe dar o apoio de que ele necessita.
Novamente, isso envolve fazer concessões que podem ser difíceis de
engolir para o presidente e para aqueles que o apoiaram.
A terceira opção que lhe resta é se comportar como os
“presidentes 3Ps” fizeram em outras partes do mundo: enfraquecendo
sorrateiramente as instituições, as normas e os freios e contrapesos que
definem a democracia. Espero que a democracia colombiana sobreviva aos
3Ps.
Jornalista Jarbas Cordeiro de Campos

- Jornalista Jarbas Cordeiro de Campos - Pós Graduado em GSSS - Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde.
- Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
- Jornalista formado pela FAFI-BH,especializado em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde pela ESPMG. "O Tribunal Supremo dos EUA decidiu que "só uma imprensa livre e sem amarras pode expôr eficazmente as mentiras de um governo." Nós concordamos."
30 junho 2022
LÁ FORA COMO AQUI, A ESQUERDA PROMETE O QUE NÃO PODE CUMPRIR?!
27 junho 2022
25 junho 2022
20 junho 2022
EMPREGO E FOME NO BRASIL !
Por Luís Eduardo Assis, economista, ex-diretor de Política
Monetária do Banco Central e professor de Economia da PUC-SP e FGV-SP - O
Estado de S. Paulo, 20
A taxa de desemprego cravou 10,5% no trimestre
terminado em abril último. Isso significa uma queda de 4,3 pontos
porcentuais em relação ao mesmo período do ano passado, a redução mais
forte da série histórica. Não só nos recuperamos do choque provocado
pela pandemia, como voltamos para o patamar do começo de 2016.
Em 2019, quando a taxa girava em torno de 12%, o presidente
Bolsonaro deu-se ares de especialista, criticou a metodologia adotada e
disse que o índice do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) parecia ser feito para “enganar a população”. Não se sabe de
manifestação do presidente agora que a taxa caiu.
A notícia é boa, mas não se ouvem as fanfarras. O comedimento
tem razão. A queda do desemprego convive com uma forte deterioração das
condições de vida da população mais pobre. Pesquisa coordenada pela Rede
Penssan (II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar) registra
que, em 2022, 33 milhões de pessoas sofrem de insuficiência alimentar
grave – ou seja, passam fome.
Em relação à pesquisa anterior, de 2020, o número de
brasileiros nessa situação aumentou nada menos que 73%. Nas famílias com
renda per capita inferior a 25% do salário mínimo, a fome foi
registrada em 43% dos casos (era 22,8% em 2020). O índice cai para 3%
nas famílias com renda per capita acima de um salário.
É estarrecedor, não só pelo nível abjeto em que nos
encontramos, como pela velocidade da deterioração. Há quem use a taxa de
desemprego para desacreditar a pesquisa sobre insegurança alimentar. Se
o desemprego cai, por que a fome aumenta?
A fome aumenta porque esse governo se empenhou em desmontar
programas e políticas sociais focados na segurança alimentar, justamente
quando os preços dos produtos agrícolas explodiram. E também porque a
queda do desemprego foi acompanhada pelo declínio da renda, fruto do
aumento do trabalho precário.
A média dos rendimentos reais nos últimos 12 meses até abril de
2022 ficou em R$ 2.708,50, o valor mais baixo desde outubro de 2013. A
massa de rendimentos reais voltou aos níveis de 2017. Ou seja, a queda
do rendimento médio foi tão grande que o aumento do emprego não evitou a
redução da massa de ganhos.
A fome tem rosto, tem nome e tem endereço. Tem também origem.
Essa catástrofe que nos envergonha deriva da pérfida combinação entre
erros da política econômica e desprezo pelos mais pobres. As
consequências políticas são visíveis nas pesquisas de opinião.
18 junho 2022
CARTÉIS DE DROGA E ARMAS DOMINAM REGIÃO ONDE DUPLA SUMIU!
(O Estado de SP, 14) As comunidades na região onde
desapareceram Bruno Pereira e Dom Phillips sofrem forte influência dos
cartéis de Miami, Medellín e Sinaloa, informa o enviado Vinícius Valfré.
Cartéis de drogas de Miami, Medellín e Sinaloa mantêm um Estado
paralelo no Alto Solimões, na Amazônia. É um Brasil onde até o poder
público precisa seguir regras impostas pelo crime. O Estadão teve acesso
a informações sigilosas que fazem parte de investigações sobre o
contexto do desaparecimento do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do
jornalista inglês Dom Phillips e que revelam a existência de uma cadeia
criminosa em plena atividade pelos rios, florestas e cidades da
tríplice fronteira com a Colômbia e o Peru.
As comunidades ribeirinhas nas margens do Rio Itaquaí, que
deságua no Javari, afluente do Solimões, sofrem forte influência do
tráfico, como as de São Rafael, de São Gabriel e de Ladário. Foi da
comunidade de São Rafael que Pereira e Phillips partiram no último dia 5
em direção a Atalaia até não serem mais vistos.
Trata-se de megaesquema de transporte de armas e drogas,
pistolagem e lavagem de dinheiro que tem impacto na economia de nove
municípios com o mercado de entorpecentes e de pesca e caça ilegais em
uma região de 213 mil km² de floresta, maior que o território do Estado
do Paraná.
Do outro lado do rio Javari, em território peruano, as
plantações de coca podem ser encontradas em meia hora de viagem. Nas
cidades dessa área de fronteira, a emissão de notas fiscais é raridade.
Sem controle do Fisco, o dinheiro dos cartéis se mistura ao de negócios
constituídos para dar aparência de legalidade aos esquemas que aliciam
comerciantes, atravessadores, pescadores, caçadores e políticos locais.
A reportagem reconstituiu a rede do crime a partir de
documentos e conversas com agentes ligados às investigações, autoridades
da segurança pública do Amazonas, advogados que atuam na fronteira,
ribeirinhos, indígenas e pessoas com acessos a traficantes de drogas.
Dos três cartéis internacionais, o de Medellín predomina no Alto
Solimões, região que compreende os municípios de Tabatinga, Benjamin
Constant e Atalaia do Norte.
ORDEM. A polícia trabalha com a suspeita de que um atravessador
com dupla nacionalidade tenha dado uma ordem para que o pescador
Amarildo Costa, o Pelado, preso temporariamente, matasse Pereira por
causa de prejuízos ao negócio ilegal da pesca que o indigenista vinha
causando com fiscalizações. Como mostrou o Estadão, Pereira treinou uma
equipe de vigilância indígena capaz de documentar a ação de infratores
em territórios preservados, e a medida prejudicava o fluxo criminoso.
O atravessador, conhecido como Colômbia, tem propriedades em
Benjamin Constant, segundo as investigações. No entanto, atua nas
sombras. Apesar de estar no radar de policiais há anos, investigadores
de campo relataram à reportagem que só viram a primeira fotografia dele
há três dias.
Um policial federal ouvido sob anonimato disse que traficantes
que dominam as calhas dos rios Ituí, Itaquaí e Javari são só a base de
uma rede maior. Eles atuam como “capatazes” para intermediários que, em
cidades como Tabatinga, assumem negócios legais, como restaurantes,
cafés e hotéis, para lavar dinheiro. Esses intermediários prestam contas
a líderes dos cartéis internacionais.
Ribeirinhos e pescadores como Pelado e outros sob investigação
têm papel fundamental para os traficantes. Eles agem como líderes nas
comunidades e conseguem dar vazão a produtos extraídos da floresta. Com
isso, traficantes conseguem reforçar a aparência de legalidade de seus
negócios e passam a ter a condescendência de ribeirinhos para operar
rotas de drogas para outros Estados e para a Europa.
Apesar de toda a movimentação militar em Atalaia, amigos de
Pelado continuam entrando e saindo de terras indígenas com embarcações
que levam freezers para pescados. Um deles, conhecido como Caboclo, foi
flagrado pela reportagem próximo a um dos “furos” (atalhos) do Itaquaí.
Ele é monitorado pela polícia e já prestou depoimentos. Até agora, é
tratado como testemunha.
Na fronteira, o mercado de pesca ilegal, sobretudo a do
ameaçado pirarucu, de tracajás e tartarugas, não foi suspenso mesmo com
os olhos do mundo voltados para a Amazônia. Numa apreensão no dia 23 de
março, Pereira causou um prejuízo avaliado em mais de R$ 120 mil a
exploradores, segundo relatos de fontes que atuam nas investigações.
As informações levantadas pelos indígenas e demais integrantes
da equipe de Pereira possibilitaram a apreensão no porto de Atalaia de
mais de uma tonelada de pirarucu e de carne de anta. O barco de valor
estimado em R$ 70 mil também foi confiscado. Uma tartaruga adulta é
vendida por cerca de R$ 1 mil no mercado paralelo.
DINÂMICA. Responsável pela criação da Divisão de Repressão aos
Crimes contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da PF, nos anos
2000, o delegado Jorge Pontes afirmou que o interesse de
narcotraficantes em explorar criminosos ambientais se dá pela diferença
nas punições aos dois crimes. A extração ilegal de recursos naturais tem
pena considerada branda, na comparação com a de tráfico internacional
de drogas. “Os traficantes perceberam que essas atividades são
extremamente lucrativas e a reprimenda para esses crimes ambientais é
muito baixa”, disse Pontes. “E os crimes ambientais têm suporte de
políticos, porque essas atividades financiam campanhas.”
O delegado liderou diversas apreensões na Amazônia. “Percebia
que os barcos levavam de tudo, de tartarugas e armas a grupos de
garimpeiros. É uma área sem lei. Tem havido um recrudescimento por falta
de fiscalização”, afirmou.
Em Atalaia do Norte, dois procuradores da prefeitura, escalados
pelo chefe do Executivo local, chegaram a assumir a defesa do pescador
que teve a prisão temporária decretada. Eles foram escolhidos pelo
prefeito Denis Paiva (PSC), que justificou a “coincidência” dizendo que
faltam advogados no município.
Paiva foi vereador em 2008 e está no primeiro mandato como
prefeito. Declarou R$ 91 mil na campanha de 2020. Do total, o valor de
R$ 1 mil foi em doação privada. O restante veio do partido. “É um
município onde todo mundo se reporta ao prefeito. Eu não conheço as
pessoas como criminoso, conheço como pescador”, disse Paiva.
16 junho 2022
Moro: “Nenhum tribunal inocentou Lula, nem ousa dizer que não houve corrupção nos governos do PT
EDUCAÇÃO INTEGRAL REDUZ EM 50% OS HOMICÍDIOS, DIZ ESTUDO!
(O Estado de S. Paulo, 13) Investir em escolas em tempo
integral reduz as taxas de homicídio de jovens homens em até 50%,
segundo estudo recente de pesquisadores do Insper e da Universidade de
São Paulo (USP), com apoio do Instituto Natura. A pesquisa analisou 16
anos de uma política referência, no Estado de Pernambuco, que aumentou o
tempo de aula para 10 horas e apostou em um currículo centrado no
projeto de vida e no protagonismo do estudante. No Brasil,
diferentemente de países desenvolvidos, as crianças em geral ficam só
quatro horas na escola.
Outros estudos já haviam mostrado a melhora na aprendizagem dos
alunos em escolas de tempo integral, maiores salários para os formados,
mais empregabilidade das meninas e redução das desigualdades. Para os
especialistas, a queda na taxa de homicídios se dá não só porque o tempo
maior na escola afasta o jovem de situações arriscadas – como o
envolvimento no tráfico de drogas e outros crimes.
A qualidade da educação, com professores dedicados também em
tempo integral e currículo diferenciado, influencia muito. “Não são
apenas mais horas, é uma escola centrada no jovem, que faz ele entender a
vida de uma maneira diferente”, diz o diretor-presidente do Instituto
Natura, David Saad.
O pernambucano Vitor Arruda, de 29 anos, vinha de uma família
de agricultores analfabetos quando se deparou com a possibilidade de
cursar uma das primeiras escolas em tempo integral do Estado, em
Gravatá, a 70km de Recife. Tinha 15 anos e achava que deveria vender
frutas para ajudar a mãe, mas acabou escolhendo os estudos. “Eu não
tinha a menor ideia do que era uma graduação, se precisava de
vestibular, não tinha esse repertório.” Acabou passando em primeiro
lugar em uma universidade federal e cursou quatro graduações.
Na escola, ele diz que foi instigado a refletir “sobre seus
sonhos e sua existência”. Além das disciplinas obrigatórias, envolveu-se
nos chamados clubes de protagonismo, peças de teatro e na gestão. Os
alunos ajudavam a resolver problemas como carteiras quebradas e
alagamento de salas. “Muitos colegas que tive na infância se envolveram
com criminalidade, foram mortos. Não é romantizar, sei das dificuldades
do sistema de ensino, mas a mudança foi imensa para mim.”
Pernambuco tem hoje 70% das vagas de ensino médio em tempo
integral, o índice mais alto do País e considerado como máximo, já que
se prevê deixar unidades com um turno só, como opção. O Estado começou a
investir em 2004 e hoje todos os municípios têm uma escola integral.
Para o secretário de Educação de Pernambuco, Marcelo Barros, um dos
desafios é formar o professor para saber ensinar de uma maneira nova.
“Os jovens, principalmente os mais vulneráveis, precisam de
aprendizagens significativas para demandas do mundo contemporâneo.”
Nesse período, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
(Ideb) do Estado, o indicador nacional de qualidade, cresceu. Em 2019,
as unidades que mudaram para período integral aumentaram em 21% sua
nota. Estados como Ceará e Paraíba passaram a fazer o mesmo e tiveram
resultados semelhantes.
O pesquisador do Insper e um dos responsáveis pelo estudo
Leonardo Rosa, que tem doutorado pela Universidade de Stanford sobre o
assunto, explica que a análise usou dados de 2002 a 2018 em duas
abordagens. Uma delas incluiu os municípios de Pernambuco que tinham
escola em tempo integral versus os que não tinham. O segundo grupo era
de cidades da fronteira com esse modelo comparadas às suas vizinhas de
outro Estado, que não têm. No primeiro, a diminuição das taxas de
homicídios de homens de 15 a 19 anos foi de 37,6%. No segundo, de 50,8%.
As meninas não foram analisadas. Rosa isolou efeitos de outros
programas sociais para mostrar somente a influência da escola.
“A cena da violência é muito masculina. O traficante oferece
para o menino uma trajetória de sonho sedutora, ele se vê respeitado por
mulheres, batendo de frente com o sistema”, diz o pesquisador do Núcleo
de Estudos da Violência da USP Bruno Paes Manso. “Nosso desafio é
ganhar a retórica. Seduzir pela escola, pela cultura, pelo esporte.”
Atualmente, 24% das escolas de ensino médio do País são em
tempo integral. A política começou a ser incentivada em 2016, quando o
Ministério da Educação abriu editais para os Estados se inscreverem. O
governo federal dava ajuda financeira. Mas nos últimos dois anos o
governo de Jair Bolsonaro não fez mais editais.
Os currículos são pensados para se conectar com a realidade do
estudante e desenvolver competências acadêmicas e socioemocionais. Há
projetos de orientação de estudos, tutorias, clubes de protagonismo,
práticas de laboratório. Maria Clara Araújo, de 17 anos, que fica 10
horas em uma escola estadual do Recife, diz que amigos a questionam
sobre o tempo de aula. “Não é só ficar sentada na sala, é dinâmico, com
laboratórios, disciplinas eletivas, núcleo de gênero. Não troco minha
rotina por nada.”
Segundo Saad, apesar de mais gastos, com estrutura, merenda e
funcionários com carga horária maior, a eficiência compensa. “Se Estados
como Pernambuco, Ceará e Sergipe, que não são os mais ricos, conseguem
fazer é porque é viável. O que falta é vontade política.”
14 junho 2022
Sergio Moro: "O MEU OBJETIVO É ME RECONECTAR COM O POVO PARANAENSE" .
Não vamos permitir que bandidos sejam eleitos! A luta contra os corruptos e corruptores vai continuar até o Brasil mudar para melhor para nossos filhos e netos. Vem com a gente! Vamos eleger Moro e Deltan + 200 congressistas honestos e éticos!
Urgência de uma Reorganização Social para segurar a reconstrução de bases de Desenvolvimento Familiar
RENDA É A MENOR EM 10 ANOS!
(Marcelo Reis Garcia) Entre os 5% mais pobres a queda foi de 48% desde 2012. Entre o 1% mais rico, de 6,9%.
A desigualdade no Brasil explodiu e nenhum governo (federal,
estadual ou municipal) está sabendo enfrentar essa questão.
O 1% mais rico do Brasil ganha o equivalente a 38,4% do rendimento de 50% dos mais pobres.
Todas as famílias perderam desde 2012, mas entre os 5% mais
pobres o rendimento despencou 48%, passando de RS 75 per capita em 2012
para RS 39 per capita.
Já o 1% mais rico saiu de RS 17 mil per capita para RS 15,9 mil per capita.
Em 2022 o Cenário é bem difícil.
O Nordeste segue com menor rendimento médio familiar, RS 843,00 enquanto a média nacional é de RS 1.353,00
Importante destacar que é a renda da família e não renda per capita.
A Desigualdade aumentou em todas as regiões, sobretudo nas norte e nordeste.
Analistas indicam escalada da desigualdade.
Constatações da PNAD a partir de minha avaliação.
1- Pressão sobre os Serviços Públicos;
2- Urgência de uma Reorganização Social para segurar a reconstrução de bases de Desenvolvimento Familiar;
3- Incapacidade total dos governos atuarem sobre desigualdade;
4- Entre 2023 e 2025 será necessário fortalecer Transferência
de Renda. O esforço deveria ser por um cartão único e não pela dispersão
atual;
5- Garantir condições mínimas para as equipes sociais nos
municípios. Sem essas condições o trabalho não gera nenhum resultado.
12 junho 2022
COMANDO VERMELHO GOVERNA PARTE DO PAIS > RIO, SP E MANAUS.
VALE DO JAVARI, ONDE INDIGENISTA E REPÓRTER DESAPARECERAM, É ALVO DE COBIÇA DO COMANDO VERMELHO! (O Estado de SP, 08) A região do Vale do Javari, onde desapareceram após ameaças o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips, sofre reflexos de um misto de atividades clandestinas que vai além da extração de madeira e do garimpo. Desde os anos 2000, a região passou a ser alvo de disputa entre facções de narcotraficantes brasileiros, por ser estratégica para escoamento de armas e drogas - produzidas no Peru e na Colômbia e que abastecem o mercado brasileiro e o europeu, atravessando os rios e portos brasileiros. As facções mais presentes são o Comando Vermelho (CV), originário do Rio de Janeiro, e a Família do Norte, bando criado na periferia e nas cadeias de Manaus, mas que teve como trunfo o controle da chamada Rota do Solimões por alguns anos. Essa facção local ficou conhecida em 2017, quando comandou execuções brutais no sistema prisional do Amazonas, num sinal do que seria o rompimento do acordo nacional entre as duas maiores organizações criminosas do País, o Primeiro Comando da Capital (PCC), de origem paulista, que também tentava o controle do Solimões, e o CV. À época, a FDN era parceira do CV e executou integrantes do PCC. Atualmente, FDN e CV disputam territórios. A FDN foi alvo de uma operação da Polícia Federal, batizada “La Muralha”, que dissecou a organização. Investigações registradas pelo Ministério Público documentaram conexões da FDN com outro agente transnacional da região, os guerrilheiros colombianos das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), do qual restam frentes dissidentes, depois da deposição de armas com acordo de paz. Segundo o MPF, eles foram fundamentais para o acesso da FDN a armamentos. Além dessas três facções, também surgiu em Tabatinga (AM) o bando local “Os Crias”, formado a partir de 2019, por alianças entre criminosos que estavam antes ligados às maiores facções. Policiais já encontraram documentos com referências a “Os Crias” na Unidade Prisional de Tabatinga, em abril . A presença de “Os Crias” na tríplice fronteira foi catalogada pela publicação Cartografias das Violências na Região Amazônica, publicada em fevereiro pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O documento também indica que, do lado colombiano, a organização de narcotraficantes Caqueteños tem o maior controle no Amazonas. A área em que Pereira e Phillips sumiram fica próxima à tríplice fronteira, sendo as principais cidades Santa Rosa, no Peru, Letícia, na Colômbia, e Tabatinga, no Amazonas. Os mesmos rios e igarapés onde as buscas são feitas servem aos traficantes como forma de escape. Os rios Amazonas e Javari são parte da rota. Autoridades já colheram indícios de que as organizações trabalham na extrativismo, com madeira e garimpo. Militares dizem que as comunidades ribeirinhas e povos indígenas sofrem com a ausência do Estado e de oportunidades de renda, o que facilitou com que se alastrasse, nessa região permeável, uma mistura de atividades ilegais a girar a economia local. As investigações em curso ainda não descartam nenhuma hipótese do paradeiro de Pereira e Phillips. A Polícia Federal concentra as apurações e recebeu apoio de militares das Forças Armadas. Um oficial relatou que as principais hipóteses são três: que ambos estejam em local isolado, provavelmente com indígenas; que tenham sofrido algum acidente; ou que tenham sido emboscados e mortos por marginais. | |
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