Jornalista Jarbas Cordeiro de Campos

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Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
Jornalista formado pela FAFI-BH,especializado em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde pela ESPMG. "O Tribunal Supremo dos EUA decidiu que "só uma imprensa livre e sem amarras pode expôr eficazmente as mentiras de um governo." Nós concordamos."

23 setembro 2011

E O GOVERNADOR E FUNCIONÁRIO PUBLICO ? !

Greve de professores mineiros completa 100 dias

15 de setembro de 2011 11h 05
Cedê Silva - Especial para o Estadão.edu
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,greve-de-professores-mineiros-completa-100-dias,772969,0.htm


A greve dos professores da rede estadual de Minas completa 100 dias nesta quinta-feira. O sindicato da categoria reivindica o cumprimento de uma lei federal de 2008, que instituiu o piso salarial. A paralisação afeta principalmente alunos que prestarão mês que vem o vestibular num Estado com alguns dos colégios particulares mais competitivos do Brasil no Enem.

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) declarou greve em 8 de junho, um mês depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) entender que o piso nacional deve ser interpretado como vencimento básico, isto é, sem gratificações e outros adicionais. O governo de Minas, segundo o sindicato, soma as gratificações para chegar ao piso, e portanto não cumpre a lei. "Minas Gerais deve ser em outro país", diz a líder do sindicato, Beatriz Cerqueira. "O que o STF decide não é cumprido, as leis não são respeitadas." Segundo ela, mais da metade dos professores da rede estadual recebe hoje menos de R$ 712, que deveria ser o piso para uma jornada de 24 horas por semana. No Estado, o piso para um professor sem ensino superior, com essa carga horária, é de R$ 369.

Como resposta à greve, o governo estadual contratou professores substitutos em agosto, somente para as turmas do 3º ano do ensino médio, medida contestada pelo sindicato no Tribunal de Justiça de Minas. O TJ manteve a contratação. O governo também criou o Plantão Enem, programas televisivos de reforço escolar veiculados na Rede Minas, com duração de 2 minutos. Nesta semana, enviou projeto de lei à Assembleia Legislativa com nova proposta de remuneração, também rejeitada pelo sindicato. "O novo projeto prevê a mesma remuneração para o iniciante e para o servidor ao final da carreira", reclama Beatriz.

Depois de dois meses e meio sem ir ao Instituto de Educação, Rafael Ribeiro, de 17 anos, voltou a ter aulas, agora com os professores substitutos contratados emergencialmente. "É a mesma coisa que não ter aula", afirma o estudante. "Exceto por física e biologia, os substitutos não têm didática e não se impõem na sala de aula." Além disso, segundo ele não há professores para sociologia nem química. "No horário dessas aulas, a gente fica na rua, joga baralho, desenha no quadro", conta. Rafael quer uma bolsa para estudar Ciências Aeronáuticas na Fumec, uma das maiores universidades particulares de Belo Horizonte, ou talvez cursar Relações Internacionais na PUC-Minas.

Yasmin Goulart, de 17 anos, está no 3º ano da Escola Estadual Donato Werneck, zona norte de BH. O professor de inglês substituto disse aos alunos não ser professor de inglês e não ter experiência, diz ela. Mas em compensação o novo professor de matemática é melhor. "As aulas de todas as matérias viraram revisão pro Enem", conta. "Ficou tipo um cursinho." Para Yasmin, os professores estão este ano mais persistentes do que na greve de 2010, que durou 49 dias. "A greve é justa para os professores, mas injusta para os alunos", diz. Yasmin quer ser professora e cursar Pedagogia na UFMG, mas sua primeira opção é a graduação em Dança da Federal de Viçosa (UFV).

Cézar Augusto Ferreira, de 18 anos, cursa na Escola Estadual Tancredo Neves o 2º ano, e portanto está sem aulas há 100 dias. Aproveitou o tempo livre e começou há poucas semanas um curso de inglês, com aulas às terças de manhã. Não conhecia o Plantão Enem, mas assiste ao Telecurso 2000 de vez em quando, quando acorda cedo. "Faço nada em casa, mas às vezes ajudo minha mãe", conta. Cézar ainda não sabe o que vai tentar no vestibular, mas acha que a decisão seria mais fácil se estivesse na escola.

A média no Enem 2010 do Instituto de Educação foi de 571. Na Donato, 497. A do Tancredo Neves foi 500. A melhor escola pública de Belo Horizonte foi o Colégio Militar, com nota 715. Os melhores colégios particulares, o Bernoulli e o Santo Antônio, tiveram médias de 741 e 740, respectivamente, alcançando a 4ª e a 5ª posição nas notas mais altas do Brasil. Mas esses colégios não estão em greve. E é contra alunos deles que Rafael, Yasmin e Cézar planejam disputar vagas nas faculdades.

Abraços
Geraldo Lopes

OBS: Se não for abusar da sua boa vontade, favor repassar a todos seus amigos.

INFLAÇÃO CAMBIAL NINGUEM SEGURA

Por Paula Takahashi para o EM.

A variação do dólar continua assustando e nessa quinta-feira não foi diferente. Durante o pregão, a moeda norte-americana se valorizou quase 5% ao sair do patamar de R$ 1,86 e bater na casa de R$ 1,95 – nível alcançado pela última vez em julho de 2009. Ao contrário do que havia dado a entender no dia anterior, o Banco Central (BC) realizou nessa quinta-feira um leilão de venda de moeda estrangeira na tentativa de frear a forte alta. Foram 112 mil contratos de swap cambial oferecidos e, apesar de apenas 55 mil terem sido absorvidos, a medida já foi suficiente para conter a escalada do dólar, que fechou o dia cotado a R$ 1,90, alta de 2,26%.

No mercado paralelo em Belo Horizonte, a moeda chegou a ser vendida a R$ 2. É nessa operação que o dólar é comprado por consumidores para viagens internacionais, por exemplo. Diante das incertezas e oscilações do mercado, especialistas divergem sobre o destino da moeda americana. Mas uma coisa parece clara, os efeitos desta disparada serão sentidos no bolso dos consumidores e fatalmente terão impactos nos já pressionados índices inflacionários. Entre os itens com peso na inflação que até então haviam dado alento ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estão os eletroeletrônicos, já que grande parte dos componentes vêm de fora do país.

Nos últimos 12 meses até agosto, a variação destes produtos está negativa em 4%, enquanto a média geral do IPCA, também no acumulados dos últimos 12 meses, alcança alta de 7,23%. Mas o cenário começou a mudar em agosto quando estes aparelhos apresentaram variação positiva de 1,25%, tendência que pode ser mantida daqui para frente. “São produtos claramente afetados pela elevação do dólar que vinham ajudando e muito a controlar a inflação. Agora eles podem parar de puxar o índice para baixo”, avalia o analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Minas Gerais, Antonio Braz.

Principais responsáveis pelo atual patamar da inflação brasileira, os alimentos também não devem dar a trégua esperada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. É verdade que diante do desaquecimento da economia mundial a demanda pelas commodities cai, assim como os preços. Mas a valorização do real frente ao dólar tende a suplantar esta queda, que poderia ser sentida pelo mercado, não fosse sua cotação na moeda americana. Além do tradicional arroz, feijão, açúcar e café, produtos importados – que ajudam a balizar os preços dos nacionais – também começam a chegar mais caros.

Ntal amrgo

Segundo o gerente da Royal Emporium, José Maurício de Morais, mantido o cenário atual, dentro de 10 a 15 dias os preços mais elevados devem começar a chegar ao comércio. “Para o final do ano, frutas secas como damasco e nozes também terão alteração de valores”, prevê.

Para o economista Geraldo Sant’Ana de Camargo Barroos, alguns setores sentirão imediatamente, como os importados, e em seguida os alimentos e minérios e derivados. “No último caso, vai ficar mais custoso para a Petrobrás segurar os preços internos. A partir daí, a alta de preços tende a atingir os demais segmentos, seja via aumento de custos de produção ou de custo de vida, com o que o setor de serviços é alcançado”, avalia. Por meio de nota, a Petrobras garantiu que “não vai acompanhar a flutuação dos preços do petróleo e da cotação da moeda no curto prazo".

Para Sidnei Moura Nehme, economista e diretor executivo da NGO Corretora de Câmbio, o dólar vai voltar para o patamar de R$ 1,70 e o BC“certamente, fará novos leilões de swap cambial”. Mas para Miguel Daoud, da Global Corretora, a alta do dólar veio para ficar. “Pode voltar um pouco, mas deve ficar entre R$ 1,85 e R$ 1,90”. Se este cenário se confirmar, o que já estava cada vez mais improvável, segundo avaliação do mercado, se tornará impossível: a inflação fechar o ano dentro do teto da meta estipulada pelo governo federal de 6,5%.

23 julho 2011

JOVENS TALENTOSOS MORREM AOS 27 ANOS



LONDRES - Aos 27 anos, a mesma idade que Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin e Kurt Cobain deixaram o mundo dos vivos, Amy Winehouse juntou-se ao clube dos talentos prematuramente desperdiçados. O corpo da cantora britânica foi encontrado no final da tarde deste sábado pelo serviço de ambulâncias de Londres, em sua residência, no bairro de Camden Town.

De acordo com informações iniciais da polícia de Londres, a causa da morte de Winehouse ainda não foi explicada, mas são fortes as suspeitas de uma overdose em função dos problemas da cantora com o álcool e as drogas. Nos últimos anos, ela praticamente havia sumido de cena, com raríssimas aparições públicas, em que invariavelmente mostrava apenas ser uma sombra da diva soul que encantou o mundo da música, sobretudo após o lançamento, em 2006, de seu segundo e último álbum, ''Black to Black''.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/07/23/morre-em-londres-aos-27-anos-cantora-amy-winehouse-924966461.asp.

20 julho 2011

EMPALAÇÃO OU RECALL ELEITORAL

Estamos em um beco sem saida. Não há uma lei que puna com pena de “Empalamento” todo agente público que desviar ou permitir o desvio de dinheiro público. É isso mesmo que estou dizendo, quem rouba ou permite que roubem os cofres públicos patrocinam a morte de centenas de milhares de brasileiros que não terão serviços de saúde, segurança pública, educação, moradia, saneamento básico e infraestrutura rodoviária.

Por todos estes malefícios esses saqueadores do erário deveriam ser “empalados”. Outra solução, menos drastica, mas muito boa, já que temos eleições de dois em dois anos, é o “recall eleitoral” que também não temos.

Eu não votei no PT, mas tinha esperança que em nome da ética que defenderam durantes tantos anos, que no minimo era um tipo de lei destas duas modalidades que proporiam. Mas não, o PT se aliou aos quadrilheiros e está refem deles, ao ponto de exigirem que para cada cabeça aliada que cair, eles querem uma do PT. A autofagia é uma solução, mas de longo prazo e exige a presença do povo nas ruas. Precisamos levar o povo para as praças, o mais urgente possível. Caso contrário, estamos num beco sem saída.

18 julho 2011

MAFIOSOS CHEFIAVAM DNIT E VALEC



Pais do diretor afastado do Dnit chefiavam organização investigada pela PF. O diretor afastado do Dnit, Luiz Antonio Pagot e o senador Blairo Maggi trazem no DNA os traços de uma amizade suspeita de ilegalidades que incluem roubo de terras, uso de jagunços e até tráfico de drogas.

Por Alana Rizzo, para o Estado de Minas.

Brasília – No início da década de 1970, o Serviço de Informação da Polícia Federal demonstrava preocupação com o avanço de um grupo criminoso no Oeste do Paraná. Mais precisamente, em São Miguel do Iguaçu, a poucos quilômetros de Foz do Iguaçu. A organização roubava terras de pequenos agricultores, comprava vereadores e tinha envolvimento com o tráfico de drogas.

Documentos obtidos com exclusividade pelo Estado de Minas revelam que a relação entre o senador Blairo Maggi (PR-MT) e o diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) é de longa data. É hereditária. O grupo temido pela PF era capitaneado por André Maggi, pai do parlamentar, e pelo ex-prefeito da cidade Ferdinando Felice Pagot, pai do funcionário do Dnit que protagonizou a crise instalada nas ultimas semanas no Ministério dos Transportes.

“O grupo Maggi é formado por capitalistas que continuam fazendo reuniões secretas onde são vinculados (sic) que os mesmos já dispõem de 800 mil cruzeiros para comprar oito vereadores através do voto, pois um já é deles, João Batista de Lima, que é despachante do Detran e foi eleito anteriormente usando documentos do Detran e outras promessas”, revelam os despachos dos agentes do serviço de informação, que acompanharam de perto a rotina dos políticos e dos empresários da cidade entre 1969 e 1979. Leia mais aqui.

08 julho 2011

MODUS OPERANDI DO PT E SUA BASE ALIADA



BELO HORIZONTE - Depois de um encontro com lideranças do partido, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) elevou ainda mais o tom no discurso contra o governo federal em meio aos desdobramentos da crise nos Transportes , e avaliou o primeiro semestre do governo de Dilma Rousseff como "o mais negativo da nossa história política recente". O tucano responsabilizou o PT pelos escândalos ocorridos no governo, mesmo que envolvendo dirigentes de outros partidos, e responsabilizou o que chamou de modus operandi do Ministério dos Transportes pela falta de investimentos fundamentais na infraestrutura do país.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/07/07/aecio-diz-que-primeiro-semestre-do-governo-de-dilma-foi-mais-negativo-da-nossa-historia-politica-recente-924861413.asp

06 julho 2011

UM ESTRANHO NO NINHO DO DNIT

Funcionário "inexistente" ocupa cargo poderoso no Dnit.

Um encontro político na Câmara Municipal de Barretos (SP), em março do ano passado, parecia ser mais uma trivial solenidade, com a presença de autoridades locais e federais. Vereadores, deputados e um assessor da diretoria-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) comemoravam a assinatura da autorização para a licitação das obras do contorno ferroviário de Barretos, uma reivindicação antiga do município. Quem esteve em Barretos para assinar pelo Dnit foi o assessor de Controle Processual do órgão, Frederico Augusto de Oliveira Dias. O deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP) ciceroneou o assessor, que atua em Brasília num gabinete próprio, ao lado do gabinete do diretor-geral do Dnit.

O detalhe é que Frederico não é funcionário efetivo ou comissionado do Dnit nem de nenhum outro órgão da União. Não há qualquer ato oficial que o nomeie para o exercício da função, o que impede, por exemplo, a assinatura de autorizações para licitações. O assessor é, na verdade, um servidor terceirizado, colocado no órgão por influência do deputado Valdemar Costa Neto. Cabe a Frederico selecionar contratos e convênios e encaminhar processos ao diretor-geral do Dnit, a quem é diretamente ligado.

É Frederico que recebe prefeitos, vereadores e deputados que vêm a Brasília em busca de recursos para obras viárias em suas regiões, por determinação e encaminhamento de Valdemar Costa Neto. Os dois também procuram os prefeitos nas próprias cidades, como ocorreu em Barretos. Frederico e Valdemar são de Mogi das Cruzes (SP), cidade onde o assessor do Dnit se candidatou a vice-prefeito em 2004. Pouco tempo depois, Frederico mudou-se para Brasília e passou a ter influência no Dnit. “Foi o Boy que o levou para Brasília. As famílias são amigas”, diz uma pessoa próxima a Valdemar Costa Neto, conhecido como Boy em Mogi das Cruzes.

Fonte: Leia mais no Jornal Estado de Minas.

Ministério da Saúde controla mal seus gastos, diz TCU

Relator da auditoria que identificou o pagamento de R$ 14,4 milhões para tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de pacientes mortos, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), José Jorge, avalia que o sistema de controle do Ministério da Saúde na área de gastos é dos mais frágeis da Esplanada.

“É muito fácil encontrar irregularidades no sistema de pagamento da pasta. Basta procurar”, afirmou. Como exemplo, citou outra investigação do TCU, divulgada em 2010, que constatou a venda de remédios no programa Aqui Tem Farmácia Popular, do governo federal, para pelo menos 17 mil mortos. “Está na hora de oferecer um sistema mais seguro”, defende.


Fonte: leia mais no Jornal Estado de Minas

04 julho 2011

Oposição quer convocar Abilio Diniz para explicar envolvimento do BNDES na fusão com o Carrefour

Pró-memória, no Blog do Ancelmo.

Abílio Diniz defende a ajuda do BNDES na compra do Carrefour com o argumento de que "o setor de distribuição de alimentos é estratégico para segurar a inflação, conter os preços".

Mas, no Cruzado, em 1989, o empresário teve de depor na Polícia Federal, acusado de sabotar o plano.
BRASÍLIA e RIO - O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), afirmou que o partido vai solicitar uma audiência pública, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), com a presença do presidente do Pão de Açúcar, Abilio Diniz, para tratar do possível empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao grupo para a união com o Carrefour.

A reunião entre o presidente do Casino, Jean-Charles Naouri, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, está prevista para hoje às 19h na sede do banco no Rio. O executivo francês pretende explicar seu ponto de vista em relação à fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour e reforçará junto às autoridades brasileiras que acredita e confia no cumprimento da lei.

Leia mais em O Globo.

POVO MORRE NA FILA DO SUS

SUS: metade dos aparelhos para 80% da população

Por Fábio Fabrini, O Globo

Um bolo pequeno e dramaticamente repartido. É esse o retrato da tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS).

Para atender 152 milhões de pessoas, o equivalente a 80% da população, as unidades de saúde pública contam com apenas 56% dos aparelhos para diagnóstico e tratamento de doenças disponíveis no país.

O restante está exclusivamente a serviço de clientes privados ou de planos de saúde, público que corresponde a um terço da clientela do governo. O cálculo foi feito pelo GLOBO, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O país tem 704,8 mil equipamentos, classificados em seis grandes grupos pelo IBGE (de diagnóstico por imagem; de manutenção da vida; de terapia por radiação; de funcionamento por métodos gráficos e óticos; e "outros").

Desse total, 396,9 mil estão alocados em serviços próprios ou credenciados pelo poder público. É como se cada máquina tivesse de ser dividida por 382 pacientes, mais que o dobro do verificado na saúde privada (151). Do prosaico aparelho de pressão à ressonância magnética, a desproporção é imensa.
Leia mais no Blog do Noblat.

02 julho 2011

ITAMAR UM POLÍTICO COM A CARA DE MINAS







RIO, SÃO PAULO, BELO HORIZONTE e BRASÍLIA - O senador e ex-presidente Itamar Franco (PPS-MG) morreu às 10h15m deste sábado, aos 81 anos, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ele estava internado desde o dia 21 de maio, com leucemia. Na última semana, seu estado de saúde piorou - com o diagnóstico de pneumonia grave - e ele foi transferido para a UTI. Desde ontem, respirava por aparelhos e, na madrugada de hoje, sofreu um AVC e entrou em coma. As duas filhas do ex-presidente, Georgiana e Fabiana, estavam no hospital no momento da morte.

O corpo de Itamar será transferido na manhã de domingo para Juiz de Fora, para ser velado na Câmara Municipal. Seguirá depois para Belo Horizonte, onde haverá mais um velório, no Palácio da Liberdade, na segunda-feira. Por desejo do senador, o corpo será cremado em Contagem.

A presidente Dilma decretou luto oficial de sete dias. A presidente ofereceu o Palácio do Planalto para o velório, mas a família preferiu realizar a cerimônia fúnebre em Minas Gerais. O governador mineiro, Antonio Anastasia, também decretou luto oficial de sete dias.

No lugar de Itamar no Senado, deve assumir o suplente José Perrella de Oliveira Costa (PDT-MG), conhecido como Zezé Perrella. Ele foi deputado federal pelo PFL (1999-2003) e estadual pelo PDT (2006-2011). Em 2002, ele concorreu a uma vaga no Senado por Minas Gerais, mas não se elegeu.

Itamar assumiu a Presidência da República em 1992, após o impeachment de Fernando Collor, de quem era vice-presidente. O governo dele teve episódios marcantes: o Plano Real, a volta do Fusca e o plebiscito que reafirmou a escolha do presidencialismo no Brasil.


Ao pôr em prática o Plano Real, o governo derrotou a hiperinflação, que chegava a 1.100% em 1992. O pacote foi gestado por quase um ano por um grupo de economistas e executado pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso, indicado por Itamar para o Ministério da Fazenda. O plano garantiu a normalização da atividade econômica e permitiu, nos anos seguintes, melhor distribuição de renda e a retomada do desenvolvimento econômico do Brasil. Essa conquista foi, até o fim da vida de Itamar, seu maior orgulho.

Para relançar o Fusca, Itamar aprovou, em 1993, a lei do carro popular. Quando o modelo voltou a ser produzido no Brasil, o país recebeu pedidos de exportação de diversos países, mas não conseguiu dar conta das encomendas. A produção do carro foi encerrada três anos depois.

Em 1999, quando era governador de Minas Gerais recém-empossado, Itamar declarou a moratória da dívida do estado com o governo federal durante 90 dias. A notícia abalou a credibilidade da economia brasileira no exterior. E puxou para baixo o índice Bovespa, que levou consigo as bolsas do México e da Argentina.

Itamar Augusto Cautiero Franco talvez seja o único mineiro que tenha nascido em alto-mar. Foi em junho de 1930, quando sua mãe viajava em um navio do Rio de Janeiro para Salvador e, por isso, foi obrigada a registrar o filho na capital baiana. No ano seguinte, o "erro" seria corrigido com o registro da certidão de batismo, que traz Juiz de Fora como cidade natal.

Na cidade mais importante da Zona da Mata mineira, Itamar viveu a infância e a juventude ao lado da maior parte da família. Era órfão de pai, que morreu antes de ele nacer. Descendente de italianos, a mãe, Itália Cautieiro, sustentava a família vendendo marmitas. Ela morreu em 1992, 20 dias antes da posse oficial do filho caçula como presidente da República do Brasil.

Itamar gostava de jogar basquete mas, no fim da adolescência, escolheu seguir a profissão do pai e formou-se em Engenharia Civil e Eletrotécnica na Universidade Federal de Juiz de Fora. No entanto, a militância estudantil no Diretório Acadêmico falou mais alto e acabou o levando para a política. Aos 28 anos, candidatou-se a vereador pelo PTB e perdeu as eleições. O mesmo ocorreu quatro anos depois, quando tentou ser vice-prefeito.


Por ser amigo do governador mineiro Magalhães Pinto, sobreviveu ao golpe de 1964 e não foi cassado, ao contrário da maioria dos colegas do PTB. A primeira vitória chegaria em pouco tempo. Filiado ao MDB, foi escolhido prefeito de Juiz de Fora em 1966 e reeleito em 1972. Como administrador da cidade, dividiu a experiência de poder com personalidades que, anos depois, escolheria para ocupar cargos importantes no Planalto: o professor Murilo Hingel (futuro ministro da Educação), Mauro Durante (futuro secretário-geral), Djalma Moraes (Comunicações), Alexis Stepanenko (Planejamento) e Henrique Hargreaves (Casa Civil). No governo federal, formariam juntos o núcleo da que ficou conhecida como República de Juiz de Fora, ou República do Pão de Queijo.

No governo, Itamar não se isolava na hora de decidir. Cercava-se de colaboradores e mantinha o hábito de consultar pessoas simples, do garçom à faxineira. Já era assim em 1974, quando exercia o segundo mandato como prefeito e decidiu renunciar para concorrer ao Senado pelo mesmo MDB. A decisão final só veio depois de ouvir a opinião do seu motorista.

- A vontade dele sempre prevalecia no final, apesar de ser um bom ouvinte e não ter vergonha de voltar atrás - lembra Henrique Hargreaves.

As chances de vitória na disputa pelo Senado eram remotas. O candidato natural do MDB era Tancredo Neves, mas o mineiro temia perder para o candidato da Arena e, por isso, lançou Itamar ao sacrifício. Na apuração, a surpresa: Itamar foi eleito por Minas e repetiu a dose em 1982, com o partido renomeado como PMDB.

Em 1986, perdeu o controle da legenda em Minas e tentou o governo do estado pelo PL, mas foi derrotado por Newton Cardoso, justamente o candidato do PMDB. Voltou para o Senado e encerrou o mandato com a participação na Assembleia Constituinte de 1987 no currículo.

Desde a época em que era prefeito, Itamar gostava de dizer que se considerava um político de esquerda, embora pouquíssimas vezes tenha composto com os partidos mais tradicionais deste campo. Foi mais eficiente que os colegas na hora de reforçar a imagem de político marcado pela seriedade e pela austeridade. Surpreendeu muitos correligionários quando aceitou ser vice na chapa de Fernando Collor (PRB) à Presidência, em 1989.

O temperamento intempestivo do mineiro e de Collor não deu muito certo. Desde a campanha, os dois se desentendiam com frequência e o clima não melhorou após a vitória nas urnas. Itamar achava que era perseguição Collor escolher justamente a Usiminas na primeira etapa do processo de privatização, ao qual se opunha. Quando contrariado, tremia até o topete - mantido desde a juventude e sem adição de produtos de beleza, garantem os mais próximos.

Um ano e meio depois da eleição, escândalos de corrupção envolvendo pessoas ligadas ao presidente começaram a manchar o mandato e, meses antes do impeachment de Collor, Itamar percebia que a situação era insustentável. Naquela época, reunia auxiliares para diagnosticar os principais problemas do país e traçar o que poderia vir a ser o seu governo. Com o afastamento definitivo de Collor, assumiu o cargo apoiado por um amplo leque partidário, num esforço claro para manutenção da ordem democrática recém-conquistada.

- Pode orgulhar-se a nação capaz de dominar as suas mais graves crises políticas na ordem da lei. Sábio é o povo que, na conquista e preservação de sua própria liberdade, expressa veemência no clamor das ruas e na serenidade de seus atos - discursou Itamar na TV, como presidente.

Apesar da amplitude de apoio ao seu governo, o núcleo duro era mesmo formado pelos amigos do tempo de Juiz de Fora, somados a poucos parceiros da época do Senado, como Maurício Corrêa, que viria a ser ministro da Justiça. Não havia outro jeito: Itamar conhecia pouca gente no Rio ou em São Paulo e não tinha canais com o mundo acadêmico, empresarial ou sindical. Até mesmo no mundo político, sua base era considerada precária. Ainda assim, Itamar foi hábil o suficiente para garantir a estabilidade política do país depois do maior escândalo político da vida nacional.

O núcleo estava sempre por perto e o aconselhava, mas não foi capaz de evitar um episódio constrangedor. Com o argumento de que o último presidente a participar do carnaval teria sido Hermes da Fonseca, em 1913, Itamar decidiu assistir ao desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro 1994. Protagonizou uma cena inesquecível ao lado da modelo cearense Lilian Ramos, de 27 anos, no camarote. Sem calcinha, a jovem - com quem Itamar sambou, cochichou ao pé do ouvido e trocou telefones - fez a alegria dos fotógrafos que cobriam o evento. As fotos, que correram o mundo, serviram para encerrar abruptamente o romance do então presidente.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/06/29/morre-senador-ex-presidente-itamar-franco-aos-81-anos-924793359.asp#ixzz1Qyt4WKwB

29 junho 2011

EXTORQUIDOS PELA INCOMPETÊNCIA E GANÂNCIA DO GOVERNO



Nos brasileiros estamos com a corda no pescoço,com a maior taxa de juros do mundo, o cinto cada vez mais abertado e com as mãos do governo tirando impostos do seu bolso, enquanto o dragão inflacionário arrocha seu salário.

Senão, vejamos: BC eleva para 5,8% a estimativa para inflação oficial de 2011

O Banco Central subiu para 5,8% a estimativa para a inflação oficial deste ano. A previsão anterior era a de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo ficasse em 5,6%. Com isso, a projeção se distancia do centro da meta de inflação de 4,5%. Atualmente, a taxa básica de juros da economia brasileira está em 12,25% ao ano, o maior patamar desde 2009.

PT TEM PROBLEMAS ÈTICOS E ORGÂNICOS

Seis anos após o mensalão, Vladimir deixa o PT

Fundador do partido alega agora que volta de Delúbio Soares à sigla ‘faz com que todos se pareçam iguais’

Por Alessandra Duarte, em O Globo

Seis anos após o escândalo do mensalão, Vladimir Palmeira deixou o partido que ajudou a fundar há 30 anos. Em carta de desligamento entregue ao diretório municipal do PT no Rio publicada ontem em seu site, Vladimir, figura histórica da esquerda e lembrado como líder da Passeata dos Cem Mil no regime militar, diz que a razão para sua saída é a volta ao partido de Delúbio Soares, que era tesoureiro do PT no mensalão.

Ao GLOBO, Vladimir afirmou que o retorno de Delúbio mostra que sua expulsão foi "só um remendo", e que o PT tem atualmente "problemas éticos e orgânicos".

— Um partido não pode funcionar se as pessoas que estão nele podem fazer o que querem — disse, destacando que a volta de Delúbio afeta a credibilidade de quem defendeu o PT.

— Fui um dos que mais se expuseram defendendo o partido, pois isso afeta sua credibilidade. Se você fica dizendo uma coisa que depois não acontece... Passamos dois anos indo à TV dizer que o partido punia. Agora, é quase como dizer que não deveríamos tê-lo expulsado. O que houve então foi suspensão, não expulsão; venderam um peixe à opinião pública que não era verdadeiro. Dá a entender que a expulsão foi só um remendo e reflete problemas não só éticos, mas orgânicos do partido.

Na carta de desligamento, Vladimir diz que não está saindo por "divergências políticas fundamentais", mas porque "a volta ao partido de Delúbio Soares, justamente expulso no ano de 2005, me impede de continuar nele. Pela questão moral, pela questão política, pela questão orgânica".

Na carta, destaca: "é evidente que houve corrupção. Não se pode acreditar que um empresário qualquer começasse a distribuir dinheiro grátis para o partido. Exigiria retribuição, em que esfera fosse. O procurador federal alega que são recursos oriundos de empresas públicas, sendo matéria agora do STF. Mas alguma retribuição seria, ou a ordem do sistema capitalista estaria virada pelo avesso".

Ainda na carta, o ex-deputado federal — que diz ter preferido esperar a crise com o ex-ministro Antonio Palocci passar para comunicar a saída — afirma que "o ex-tesoureiro não só agiu ilegalmente com relação à sociedade, mas violou todas as normas de convivência partidária, ao agir à revelia da Executiva Nacional e do Diretório Nacional. A volta de Delúbio faz com que todos se pareçam iguais e que, absolvendo-o, o DN esteja, de fato, se absolvendo. Ou, mais propriamente, se condenando".

Afirmando que não há chance de voltar ao PT, Vladimir — que antes de comunicar a saída conversou com petistas, mas preferiu não revelar com quem — diz que não pensa em ir para outra sigla, "só em dar aula e escrever na internet":

— Sempre fui um ser partidário. Agora não penso em nada. Uma vez na vida não faz mal.

Leia mais em O Globo

28 junho 2011

Burocracia trava luta antidrogas

Por Alice Maciel para o Estado de Minas.


Minas Gerais tem atualmente cerca de 800 bens, entre veículos e aeronaves, apreendidos de traficantes, que poderiam, numa lógica de antecipação de tutela para o estado, serem levados imediatamente a leilão gerando recurso de mais de R$ 7 milhões para prevenção e tratamento de usuário de drogas. Esse dinheiro, entretanto, está congelado devido à burocracia da legislação federal, conforme ressaltou o subsecretário de políticas antidrogas de Minas, Clóvis Benevides.

A descapitalização do tráfico foi uma das reivindicações levadas pelo subsecretário em encontro com a presidente Dilma Rousseff (PT) e está entre as propostas da Comissão de Políticas Públicas de Combate às Drogas da Câmara dos Deputados. “A presidente assumiu o compromisso de organizar um plano nacional contra as drogas que contemple a partilha de responsabilidade com os estados e os municípios na mudança das políticas. Seja ela no ponto de vista da legislação, da estruturação das redes de saúde e do ponto de vista da regulação dos serviços”, acrescentou.

Para complementar o Plano Nacional de Combate às Drogas, que deverá ser lançado até o fim do ano, a Comissão da Câmara dos Deputados vem realizando debates nos estados para conhecer as ações locais e usar as experiências. Ontem, o debate aconteceu na Assembleia Legislativa de Minas. O seminário discutiu cinco eixos: prevenção, tratamento e acolhimento, reinserção social, repressão ao tráfico e sugestões para legislação. “ Vamos entregar um relatório para a presidente em setembro com o diagnóstico dos seminários”, disse um dos coordenadores dos encontros, deputado federal, Leonardo Quintão (PMDB).

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT), que preside a Comissão Especial de Combate ao Crack e Outras Drogas na Câmara dos Deputados, ressaltou que os usuários de drogas devem ser olhados como problema de saúde pública e não da Justiça. Segundo ele, a legislação também deve mudar no que diz respeito à internação dos usuários. “Ela deve ser involuntária. Vamos propor a criação de uma comissão de convencimento de internação”, disse.


22 junho 2011

CLINICAS ATRAVÉS DO SUS PARA DROGADOS

A luta contra as drogas exige cortar tanto a oferta como a demanda desses produtos. No Brasil, porém, a exemplo de outros países, as ações estão mais concentradas do lado da oferta, que deve, sim, ser combatida. Mas faltam ações decididas do lado da demanda, criando-se uma consciência maior, principalmente entre os jovens, sobre a natureza terrível da dependência química. Falando com clareza: é preciso estigmatizar não o consumidor do crack, mas o consumo do crack.

Para isso tudo, é preciso ter lucidez, convicção e vontade política a respeito do assunto – atributos que parecem escassos nos órgãos federais competentes. Trata-se da mesma escassez que compromete as ações de tratamento e recuperação dos dependentes químicos, outro capítulo essencial da batalha contra as drogas — que, no Brasil, é ainda incipiente. Além de complexas, tais ações têm sido também dificultadas, por incrível que pareça, por estranho preconceito ideológico. Lembro-me da inauguração de uma clínica de tratamento e recuperação, criada pelo governo de São Paulo, localizada num município cuja prefeitura é do PT: o próprio prefeito criticou a iniciativa. Diga-se de passagem, o ministério da Saúde não repassou recursos do SUS para essa e outras clínicas, nem tampouco para as comunidades terapêuticas de todo o Brasil.
Leia mais no Blog do José Serra.

19 junho 2011

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM E SEMPRE ALOPRADOS



VEJA: Mercadante e Quércia encabeçaram Aloprados

Petista Expedito Veloso quebra pacto de silêncio e revela quem foram os mentores e os arrecadadores do dinheiro que financiaria uma das maiores fraudes eleitorais da história brasileira

VEJA

Em 2006, às vésperas do primeiro turno das eleições, a Polícia Federal prendeu em um hotel de São Paulo petistas carregando uma mala com 1,7 milhão de reais. O dinheiro seria usado para a compra de documentos falsos que ligariam o tucano José Serra, candidato ao governo paulista, a um esquema de fraudes no Ministério da Saúde.

O episódio ficou conhecido com escândalo do Dossiê dos Aloprados.

Nas investigações sobre o caso, a PF colheu 51 depoimentos, realizou 28 diligências, ordenou cinco prisões temporárias, quebrou o sigilo bancário e telefônico dos envolvidos, mas não chegou a lugar algum.

Reportagem de VEJA desta semana desvenda o mistério cinco anos depois. A revista teve acesso às gravações de conversas de um dos acusados do crime, o bancário Expedito Veloso, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal.

Procurado pela reportagem, Expedito confirmou o teor das conversas, ao mesmo tempo em que se mostrou surpreso com o fato de terem sido gravadas. "Era um desabafo dirigido a colegas do partido", disse.

VEJA demonstra que o mentor e principal beneficiário da farsa foi o ex-senador e atual ministro da Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante. Não é a primeira vez que o nome do ministro surge na investigação.

A PF chegou a indiciá-lo por considerar que era o único beneficiado pelo esquema. Mas a acusação acabou anulada por falta de provas. "Agora surgem elementos mais do que concretos para esclarecer de uma vez por todas a verdade sobre o caso", diz a reportagem.

Em seu "desabafo", Expedito conta que o ministro e o PT apostavam que a estratégia de envolver Serra num escândalo lhes garantiria os votos necessários para que Mercadante conquistasse o governado de São Paulo. Ele explica ainda que a compra do dossiê foi financiada por dinheiro do caixa dois da campanha petista e ainda, de maneira inusitada, pelo então candidato do PMDB ao governo paulista, Orestes Quércia.

“Os dois (Mercadante e Quércia) fizeram essa parceria, inclusive financeira”, revela o bancário. “Parte vinha do PT de São Paulo. A mais significativa que eu sei era do Quércia.” Tratava-se de um pacto. “Em caso de vitória do PT, ele (Quércia) ficaria com um naco do governo.” Procurado por VEJA, o ministro Mercadante não quis comentar o episódio.

VEJA mostra ainda que a investida dos aloprados contra Serra não foi a primeira. Esquema semelhante já havia sido testado anteriormente - dessa vez com sucesso - em Mato Grosso. E nem os próprios petistas a bruxaria poupou: quando candidata ao governo matogrossense, a atual senadora Serys Slhessarenko, do PT, foi abatida por um dossiê fabricado e divulgado pelos aloprados.

18 junho 2011

SIGILO AUMENTA RISCO DE DESVIO E FRAUDES

Da Constituição Federal : ... "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) " o grifo é nosso.







São Paulo – A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que houve "má interpretação" de um artigo em medida provisória aprovada na Câmara que prevê manter em sigilo orçamentos feitos para as obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Segundo a presidente, a medida é uma prática para conseguir o menor preço para as obras. "Eu lamento a má interpretação que deram sobre esse ponto. Eu sugiro que as pessoas, os jornalistas que fizeram a matéria, investiguem direitinho junto ao TCU, que leiam a legislação e vejam do que se trata. Em momento algum se esconde o valor do órgão de controle, tanto interno quanto externo", disse a presidente, que participou do lançamento do Plano Agrícola e Pecuário, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. "A técnica que se usa é não mostrar o orçamento, mas quem fiscaliza sabe direitinho qual o valor", afirmou.

A presidente se referia ao Regime Diferenciado de Contratações (RDC), específico para os eventos, que teve o texto básico aprovado na quarta-feira. Com a mudança, não será possível afirmar, por exemplo, se estourou ou não o orçamento da Copa-2014. A proposta ainda pode ser modificada, pois os destaques serão apreciados apenas no fim do mês.

A decisão foi incluída de última hora no novo texto da Medida Provisória 527, que cria o RDC. “As medidas foram discutidas amplamente pelo governo e pelo TCU", afirmou a presidente. Dilma ainda disse que o sistema de ocultar o orçamento é utilizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela União Europeia "para evitar que o licitante, que está fazendo a oferta, utilize a prática de elevação dos preços e de formação de cartel".

Pelo texto aprovado, só órgãos de controle, como os tribunais de contas, receberão os dados. Ainda assim, apenas quando o governo considerar conveniente repassá-los – e sob a determinação expressa de não divulgá-los.

Ontem, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Benjamin Zymler, afirmou, por meio de nota, que o RDC pode aperfeiçoar o controle de recursos públicos e o andamento das licitações e contratações. Entretanto, Zymler faz uma ressalva para que o regime de contratação integrada seja discutido no Congresso Nacional. Segundo o projeto de lei de conversão da Medida Provisória 527, a administração pública deve dar preferência às contratações integradas para obras e serviços de engenharia, desde que haja justificativa técnica e econômica. No regime de contratação integrada, apenas uma empresa fica responsável por elaborar os projetos básicos e executivos e, também, por executá-los.

Ministro recua.


O ministro do Esporte, Orlando Silva, recuou ontem e disse que vai divulgar todas as despesas com a organização da Copa 2014 e dos Jogos Olímpicos 2016, no Rio. A declaração foi dada depois de a imprensa ter revelado que, em ofício enviado ao TCU, o ministério havia informado que a prestação de contas de gastos estimados em R$ 10 bilhões nos eventos estaria vinculada à "conveniência do Executivo". O valor se refere aos novos contratos, sobretudo na área de segurança, saúde e telecomunicações.

Em entrevista dada após conversa com a presidente Dilma Rousseff, o ministro declarou que ela própria, em "ordem explícita", exigiu que todo o processo de contratação para os eventos tenha "máxima transparência". "O TCU nos solicitou (informações sobre) quando e que outros temas serão incorporados a essa matriz. Respondemos ao TCU que vamos fazer aditivos à medida que consolidarmos os vários temas", declarou.

Segundo o ministro, o governo pretende divulgar todas as informações sobre os projetos e seus custos. "Todo e qualquer recurso público utilizado terá máxima transparência. Temos interesse de ofertar ao TCU, ao Ministério Público, ao Congresso, à sociedade", disse o ministro.


Documentos



A presidente Dilma Rousseff disse ontem, em Ribeirão Preto (SP), que não é a favor que o sigilo ultrassecreto se imponha sobre documentos que indiquem violações aos direitos humanos. De acordo com a presidente, o governo decidiu permitir o status de ultrassecreto apenas para documentos que coloquem em risco a soberania nacional, a integridade territorial e as relações internacionais do país. “Estão fazendo uma confusão, porque vi recentemente que estavam incluindo no sigilo de documentos as violações aos direitos humanos”, afirmou Dilma. “Não há sigilo nenhum nos demais casos, porque para alguém não abrir os documentos, depois de 25 anos, tem que fazer uma justificativa a uma comissão.”

12 junho 2011

DILMA RECONHECE O QUE O PT NEGA

“Em seus oitenta anos há muitas características do Senhor Presidente Fernando Henrique a homenagear.
O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica.
Mas quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje.
Esse espírito, no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidação da democracia brasileira em seus oito anos de mandato.
Fernando Henrique foi primeiro presidente eleito desde Juscelino Kubitschek a dar posse a um sucessor oposicionista igualmente eleito.
Não escondo que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas, justamente por isso, maior é minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de idéias.
Querido Presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço!”

Não há que tenha tido a sua obra tão vilipendiada, tão agredida, tão covardemente desconstruída — ao menos é essa a tentativa — como FHC. E os agentes desse trabalho de reconstituição vigarista do passado são os petistas. Na luta cotidiana, nas disputas eleitorais, sempre foram muito além das “divergências” de que fala Dilma. O “arquiteto” do Real jamais teve a sua obra reconhecida. Ao contrário: criou-se a fantasia estúpida de que mesmo o plano que livrou o Brasil do buraco era parte de uma outra arquitetura: a do “neoliberalismo”, a da “privataria”, a das ações concertadas contra os interesses do povo.
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo.

10 junho 2011

AÇÃO QUE NÃO PODE SER UNIVERSALIZADA

PT, de Palocci a Delúbio

Por Fernando de Barros e Silva, na Folha de S. Paulo

Ex-prefeito de Guarulhos, o secretário-geral do PT, Elói Pietá, publicou um artigo sintomático no site do partido. Chama-se "O PT e a crise do ministro Palocci" e só veio à luz depois da sua queda. A pretexto de fazer um balanço do episódio, dá uma versão bastante fantasiosa do que é o PT, embora, por isso mesmo, deva agradar boa parte da sua militância.

Segundo homem na hierarquia petista, Pietá se diz espantado com a "origem dos ganhos privados", a "magnitude dos resultados" e "o alto padrão de vida que ele (Palocci) se concedeu". E arremata: "Defender a vida modesta para políticos vindos da vida modesta das maiorias é para o PT uma das condições indispensáveis para comandar o processo de distribuição de renda e inclusão das multidões excluídas".

Ou seja, ao fazer a apologia do ideal de vida franciscano, Pietá parece condenar Palocci menos pelas suspeitas que cercam os seus negócios que por traição de classe, por cultivar, nas palavras dele, "o ideal de empresários". Palocci ficou rico -este é, afinal, seu maior pecado.

É óbvio que esse partido de hábitos espartanos, diferente dos outros ou refratário ao capital, só existe na cabeça do autor. O petismo está integrado à realpolitik há muito tempo. Já concedeu tudo no campo ético. Os empresários, de quem Pietá prega que tenham "a devida distância", fazem fila para financiar candidatos petistas. Aliás, depois que o PT descobriu o capitalismo, os tucanos parecem gerentes de fábrica.

Talvez fosse o caso de perguntar o que o autor pensa da vida modesta de Lula como palestrante. Sim, Lula é um caso único, mas é também o grande exemplo -ou não?

A atitude de Palocci seria mais condenável que a farra dos mensaleiros? Pietá não toca no assunto, mas é o que a leitura de seu texto pode sugerir. Muitos petistas ainda pensam que a "boa causa" justifica ou enobrece a lambança. Ou seja: faltam a Palocci a consciência de classe, o compromisso claro e a altivez de um Delúbio Soares.

09 junho 2011

QUEM SÃO OS CLIENTES DE PALOCCI ?

Foco na campanha presidencial de Dilma

Por Eduardo Graeff, 08/06/11

A oposição não deve perder o foco sobre os negócios de Antonio Palocci. E o foco é, claramente, a campanha presidencial de Dilma Rousseff.

Tudo o que o governo, Lula, o PT e o próprio Palocci gostariam é que a discussão fique na carreira de Palocci como consultor. Tudo o que eles querem evitar é o cruzamento da lista de clientes da consultoria de Palocci com a dos doadores da campanha de Dilma. É essa a casa de marimbondo em que o procurador-geral Roberto Gurgel não quis botar a mão, mas que o Ministério Público do Distrito Federal pode abrir.

Na entrevista ao Jornal Nacional, Palocci desconversou mas confirmou um fato básico e entregou outro. Confirmou que sua consultoria faturou R$ 20 milhões em 2010, como revelado pela Folha. Entregou que no ano anterior o faturamento foi 20% a 30% disso. Ou seja, de um ano para o outro ele multiplicou sua receita entre três e cinco vezes.

Que é que explica esse pulo? O que fez aumentar tanto, tão de repente, o interesse pelos conselhos de Palocci? Não, com certeza, sua condição de ex-ministro da Fazenda. A explicação óbvia é sua entrada na coordenação da campanha de Dilma. Função para a qual ele foi escalado por Lula no fim de 2009 e começou a desempenhar no começo de 2010, como a Folha noticiou na época e eu anotei aqui.

Quem tem alguma noção das coisas sabe que coordenar uma campanha presidencial é um trabalho de 24 horas x 7 dias por semana. Não há hipótese de conciliar isso com a quantidade de horas que um consultor regiamente pago teria de trabalhar para faturar, não digo os R$ 20 milhões de 2010, mas os mesmos R$ 4 milhões a R$ 6 milhões que Palocci teria feito no ano anterior.

Mas Palocci não foi obviamente remunerado pelo seu tempo, e sim pelo prestígio, não de ex-ministro, mas de coordenador da campanha presidencial e provável futuro ministro.

Quem o pagou não estava necessariamente comprando favores específicos do governo Lula, mas acesso privilegiado ao governo Dilma.

Palocci pode até pensar que a bolada foi merecida, como uma compensação antecipada por abrir mão de sua carreira de consultor, se Dilma fosse eleita e ele virasse ministro, como acabou acontecendo. Ou/e como uma espécie de comissão pelos serviços de arrecadador que possa ter prestado à campanha.

E Lula? E Dilma? Caíram das nuvens? Nada disso lhes passou pela cabeça quando escalaram Palocci como seu embaixador pleniponteciário junto ao empresariado?

Palocci, no Jornal Nacional, garantiu que Dilma não sabia de nada.

Fica combinado assim - entre eles.

Entre nós, a combinação só pode ser a seguinte: o papel da oposição é ir atrás da verdade, por mais incômoda que seja para o governo e seu partido. Sem perder de vista que todos os indícios da verdade apontam para a campanha de Dilma.

Fonte: eAgora.