Jornalista Jarbas Cordeiro de Campos

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Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
Jornalista formado pela FAFI-BH,especializado em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde pela ESPMG. "O Tribunal Supremo dos EUA decidiu que "só uma imprensa livre e sem amarras pode expôr eficazmente as mentiras de um governo." Nós concordamos."

09 junho 2011

QUEM SÃO OS CLIENTES DE PALOCCI ?

Foco na campanha presidencial de Dilma

Por Eduardo Graeff, 08/06/11

A oposição não deve perder o foco sobre os negócios de Antonio Palocci. E o foco é, claramente, a campanha presidencial de Dilma Rousseff.

Tudo o que o governo, Lula, o PT e o próprio Palocci gostariam é que a discussão fique na carreira de Palocci como consultor. Tudo o que eles querem evitar é o cruzamento da lista de clientes da consultoria de Palocci com a dos doadores da campanha de Dilma. É essa a casa de marimbondo em que o procurador-geral Roberto Gurgel não quis botar a mão, mas que o Ministério Público do Distrito Federal pode abrir.

Na entrevista ao Jornal Nacional, Palocci desconversou mas confirmou um fato básico e entregou outro. Confirmou que sua consultoria faturou R$ 20 milhões em 2010, como revelado pela Folha. Entregou que no ano anterior o faturamento foi 20% a 30% disso. Ou seja, de um ano para o outro ele multiplicou sua receita entre três e cinco vezes.

Que é que explica esse pulo? O que fez aumentar tanto, tão de repente, o interesse pelos conselhos de Palocci? Não, com certeza, sua condição de ex-ministro da Fazenda. A explicação óbvia é sua entrada na coordenação da campanha de Dilma. Função para a qual ele foi escalado por Lula no fim de 2009 e começou a desempenhar no começo de 2010, como a Folha noticiou na época e eu anotei aqui.

Quem tem alguma noção das coisas sabe que coordenar uma campanha presidencial é um trabalho de 24 horas x 7 dias por semana. Não há hipótese de conciliar isso com a quantidade de horas que um consultor regiamente pago teria de trabalhar para faturar, não digo os R$ 20 milhões de 2010, mas os mesmos R$ 4 milhões a R$ 6 milhões que Palocci teria feito no ano anterior.

Mas Palocci não foi obviamente remunerado pelo seu tempo, e sim pelo prestígio, não de ex-ministro, mas de coordenador da campanha presidencial e provável futuro ministro.

Quem o pagou não estava necessariamente comprando favores específicos do governo Lula, mas acesso privilegiado ao governo Dilma.

Palocci pode até pensar que a bolada foi merecida, como uma compensação antecipada por abrir mão de sua carreira de consultor, se Dilma fosse eleita e ele virasse ministro, como acabou acontecendo. Ou/e como uma espécie de comissão pelos serviços de arrecadador que possa ter prestado à campanha.

E Lula? E Dilma? Caíram das nuvens? Nada disso lhes passou pela cabeça quando escalaram Palocci como seu embaixador pleniponteciário junto ao empresariado?

Palocci, no Jornal Nacional, garantiu que Dilma não sabia de nada.

Fica combinado assim - entre eles.

Entre nós, a combinação só pode ser a seguinte: o papel da oposição é ir atrás da verdade, por mais incômoda que seja para o governo e seu partido. Sem perder de vista que todos os indícios da verdade apontam para a campanha de Dilma.

Fonte: eAgora.

BATALHA POLÍTICA X BATALHA DE OPINIÃO PÚBLICA

HÁ COMO SOBREVIVER A UM ESCÂNDALO?

"El Nuevo Príncipe” (Ed. El Ateneo), de Dick Morris (coordenador de Clinton – 2006), é leitura básica para se entender a complexidade da comunicação política dos governos, muito maior que a do marketing eleitoral, pois ocorre dia a dia. E se insere num universo diversificado, de imprensa, comunicação direta, boatos, opinião pública segmentada, contracomunicação da oposição e dos insatisfeitos, e da internet. Morris fala disso em “Governar”, na parte 2 de seu livro. Nele, trata de diversos temas, mas especialmente de "como sobreviver a um escândalo".

A este último ponto Morris dedica atenção. "Não há como ganhar na cobertura de um escândalo. A única maneira de sair vivo é falar a verdade, aguentar o tranco e avançar". Com vasta experiência junto à imprensa dos EUA, lembra que, quando ela abre um escândalo, tem munição guardada para os próximos dias. Os editores fatiam a matéria, pedaço a pedaço, para, a cada dia, ter uma nova revelação. De nada adianta querer suturar o escândalo com uma negação reativa, pois virão outras logo depois, desmoralizando a defesa. E outros veículos entram, com fatos novos, para desmentir.

Para Morris, a chave é não mentir. O dano de mentir é mortal. "Uma mentira leva à outra, e o que era uma incomodidade passa a ser obstrução criminal à Justiça". A força de um escândalo é a sua importância política. As pessoas perdoam muito mais aqueles fatos sem relação com o ato de governar. E ir acompanhando a reação do público. "Se os eleitores se mostram verdadeiramente escandalizados com o que se diz que ele fez, é melhor que não tenha feito. Roubar dinheiro quase sempre não se perdoa".

Em outros tipos de escândalo, como os de comportamento, os eleitores se mostram mais suaves e compreensíveis. Os mais velhos são sempre menos tolerantes. Os de idade intermediária tendem a ser mais flexíveis, especialmente com escândalos de comportamento. Os eleitores jovens se fixam mais no caráter da pessoa do governante.

Portanto, além da complexidade de se enfrentar um escândalo, a comunicação de governo deve ser, pelo menos, etariamente segmentada. Na medida em que o governante nada tem a ver diretamente com o fato, que os responsáveis sejam de fato afastados por traição de confiança. Caso contrário, o próprio governo será contaminado e terá perdido precocemente a batalha de opinião pública e, assim, a batalha política.


Blog do Cesar Maia.

03 junho 2011

AUTOFAGIA PETISTA


Jogada de risco

Por Ilimar Franco, para O Globo

Uma ala do PT, a que elegeu o deputado Marco Maia (RS) presidente da Câmara e fez de Paulo Teixeira (SP) o líder da bancada, está pregando o rompimento do acordo com o PMDB.

Este grupo quer eleger outro petista presidente da Câmara. O comportamento dos petistas na votação do Código Florestal na Câmara e o suposto cochilo que resultou na convocação de Palocci, para depor na Comissão de Agricultura, são fruto deste embate.

Esta ala, que não ficou satisfeita com seu quinhão no governo Dilma, também aposta no enfraquecimento do ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Este movimento tem a batuta de integrantes das tendências Mensagem (Democracia Socialista), Movimento PT e PT de Luta e de Massas.

Por isso, os petistas da maior tendência, a Construindo um Novo Brasil, pretendem retomar a liderança da bancada e reagir aos movimentos para desestabilizar seus quadros no governo.

Esta autofagia explica tanto a paralisia na defesa de Palocci quanto seu abandono.

02 junho 2011

BEAGA PLANEJANDO O FUTURO

Foi na Nordeste, mais precisamente no Bairro São Gabriel que iniciamos o PROPAR - Programa Participativo de Obras Prioritárias idealizado e implementado pelo então prefeito João Pimenta da Veiga e executado por Eduardo Azeredo na gestão 89/93.


Este programa foi iniciado na minha Região Nordeste de BH, onde resido há 31 anos, em 05 de janeiro de 89, em reunião com o então prefeito e todas as lideranças comunitárias desta Região. Naquele dia todas as lideranças compareceram levando suas reivindicações que recebidas por Pimenta da Veiga as levou para a SUDECAP e as orçamentou e retornou em nova data na mesma comunidade a qual foi informada dos custos e das necessidades econômicas e financeiras e da viabilidade de execução da obras solicitada. Olha que as reivindicações não foram poucas e todas foram executas.


O programa rendeu credibilidade à primeira Administração Participativa do PSDB em Capital. Na administração seguinte de Patrus Ananias, este programa foi institucionalizado com a criação do Orçamento Participativo, todavia com participação reduzidíssima, em função da limitação orçamentária para as obras priorizadas pela comunidade e por último, modernizado, foi parar na internet com o prefeito Fernando Pimentel.

Em nossa Região Nordeste, ainda existem problemas que são comuns a todas as “Nordestes”. Mas aqui a participação foi e ainda é – acredito eu – a mais organizada da Capital. Aqui enquanto lideranças comunitárias, criamos o CRAC – Conselho Regional de Associações Comunitárias, entidade de direito publico privado que congrega todas as entidades comunitárias da região e que hoje se encontra instado no Centro Social Urbano do Bairro São Paulo.

Salvo engano, até hoje em BH, só existem o CRAC da Nordeste e do Barreiro. E para que seja garantida uma participação democrática, seria muito bom que as administrações regionais motivassem a mobilização das lideranças comunitárias no sentido de se estruturarem em CRACs como forma de garantir participação integrada no BH 2030 de todas as regiões da Capital.


Jornalista Jarbas Cordeiro de Campos,

NOVA RODOVIARIA DE BELO HORIZONTE

PBH publica aviso de licitação do novo terminal rodoviário

Publicado em 30/05/2011 18:34:03


A Prefeitura, através da BHTrans, publicou na quinta-feira, dia 26, o Aviso de Licitação para Delegação da Construção, Implantação, Gestão, Manutenção e Operação do Novo Terminal Rodoviário de Belo Horizonte. O edital da concessão e seus anexos podem ser consultados no site da empresa (www.bhtrans.pbh.gov.br).

Os envelopes com as propostas comerciais dos interessados serão recebidos no dia 29 de julho, na sede da empresa (avenida Engenheiro Carlos Goulart, 900, bairro Buritis). A sessão pública da concorrência está marcada para o dia 1º de agosto de 2011, às 10h, também na sede da BHTrans.

No dia 14 de março de 2011 foi realizada a Audiência Pública de Concessão do Novo Terminal Rodoviário de Belo Horizonte, que reuniu na sede da BHTrans inúmeros empreendedores dos segmentos de shoppings, construção, empresas de ônibus e da área de terminais rodoviários.

Segundo esclareceu Célio Freitas, diretor de Planejamento da BHTrans, o prazo de concessão do empreendimento foi ampliado de 25 para 30 anos e o pagamento da outorga por parte do empreendedor, antes previsto para a assinatura do contrato, será efetuado depois que a área estiver liberada para a construção. “Estes foram os pontos que identificamos para atrair os empreendedores. O projeto do novo terminal poderá ser modificado pelo empreendedor, desde que sejam respeitados os parâmetros técnicos que norteiam o projeto da rodoviária, como, por exemplo, o número de plataformas, área de circulação, número de vagas para estacionamento, entre outros itens”, explicou Célio Freitas.

O projeto do Terminal Rodoviário São Gabriel será implantado no bairro São Gabriel, na região Nordeste, e prevê dois setores distintos: um destinado ao terminal rodoviário e outro voltado a atividades comerciais e de serviços. O investimento total previsto é da ordem de R$ 150 milhões. As obras deverão ser iniciadas ainda em 2011 e concluídas em 2012.

A rodoviária terá dois pavimentos, com 35.500 m², ligada por passarelas à Estação BHBUS São Gabriel e também ao empreendimento comercial a ser implantado. Todo o projeto está sendo estudado para garantir o melhor funcionamento do terminal e o maior conforto aos usuários.

30 maio 2011

INFLAÇÃO CORRÓI SALÁRIO DO TRABALHADOR



Renda média do trabalhador cai de R$ 1.568,41 em março para R$ 1.540 em abril. Com desemprego estável, IBGE diz que alta de preços derruba vencimento dos assalariados




Por Victor Martins, Mariana Mainenti e Fábio Monteiro, para o Estado de Minas

Brasília – O dragão da inflação já está engolindo a renda do trabalhador. Realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) mostrou que a taxa de desemprego manteve-se praticamente estável, passando de 6,5% em março para 6,4% no mês seguinte. É o melhor desempenho para um abril desde 2002. No entanto, o rendimento médio real do trabalhador (descontada a alta dos preços) caiu 1,8%. O brasileiro empregado, que em média tinha disponíveis R$ 1.568,41 para as despesas mensais em março teve de se virar com menos, R$ 1.540, em abril.

Com isso, a massa de rendimento real efetivo no Brasil, que é a soma dos ganhos de todos os trabalhadores, também encolheu – 1,7% – para R$ 34,7 bilhões. Isso significa menos dinheiro disponível no país, seja para comprar, seja para poupar. Não à toa, as classes menos favorecidas, C, D e E, já estão retirando produtos básicos dos carrinhos de supermercados. A inflação acumulada em 12 meses pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 6,51%, ultrapassando a meta estipulada pelo governo para o ano, de 6,5%. “A queda no rendimento do trabalhador em abril é efeito da inflação”, observou a analista do IBGE Adriana Belinguy.

A redução mais evidente nos salários ocorreu entre trabalhadores do setor imobiliário. O tombo chegou a 4,8% em abril e a 2% no ano. Em Recife (PE), a queda foi maior que no restante do país, 4,1% na comparação mensal. Para analistas, esse freio mostra, pela primeira vez e de forma concreta, que as medidas macroprudenciais e o aperto na taxa básica de juros (Selic) surtiram efeito: a economia entrou em rota de desaceleração.

Na visão de Octávio de Barros, economista-chefe do Bradesco, os dados do mercado de trabalho são compatíveis com a projeção da instituição de que a taxa de desemprego ficará em 6,4% em 2011 e o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do pais) em 3,8%. “A forte desaceleração verificada nos rendimentos reais sugere que nos próximos meses o mercado de trabalho seguirá em movimento de moderação, reforçando nossa expectativa de arrefecimento no crescimento da economia no restante deste ano”, argumentou o economista.

Apenas duas regiões pesquisadas pelo IBGE escaparam dessa piora no rendimento dos trabalhadores. Em Salvador (BA) esses ganhos cresceram 3% e em Porto Alegre (RS), 0,6%, locais onde os salários ficaram em R$ 1.240,90 e R$ 1.536,80 respectivamente. Entre os setores da economia, o que mais obteve perda nos rendimentos foi o segmento de serviços prestados à empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e financeira. Apenas em abril, o ganho desses trabalhadores derreteu 4,8%. No ano, a queda foi de 2%.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, porém, rebateu todas as avaliações dos especialistas e os dados do IBGE. Para ele, não existe desaceleração. “Eu já disse e reitero contra o mercado, no segundo semestre a inflação vai cair e o nível de emprego vai subir”, afirmou o ministro. "Vamos fechar o ano com 3 milhões de empregos e os dados em 2012 vão surpreender para melhor a todos, mas não a mim”, disse.

29 maio 2011

AÉCIO VENCE SERRA

Grupo de Aécio vence Serra e passa a comandar PSDB


Ex-governador desistiu de ocupar Instituto Teotônio Vilela e como consolação vai comandar Conselho Político da legenda; convenção deste sábado reelegeu Sérgio Guerra como presidente

O ex-governador José Serra saiu derrotado na briga interna pelo comando do PSDB e pela liderança na fila de pré-candidatos da legenda ao Planalto em 2014, decididos em convenção realizada neste sábado, 28.

No novo balanço de poder do partido, o grupo político do senador Aécio Neves (MG) obteve o comando de postos-chave na máquina partidária. Como prêmio de consolação, Serra vai presidir o Conselho Político do PSDB.

Depois de uma madrugada tensa de negociações, Serra recuou do desejo de presidir o Instituto Teotônio Vilela (ITV).

Para minimizar danos e não aprofundar o racha partidário, os caciques do partido decidiram turbinar o Conselho, atribuindo-lhe funções práticas, como a edição de normas internas.

Mas apesar de presidir o novo órgão, Serra não terá ali maioria. Do mesmo colegiado farão parte o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o próprio Aécio, e os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Marconi Perilo (GO).

Leia mais em Grupo de Aécio vence Serra e passa a comandar PSDB

25 maio 2011

AUTOFAGIA PETISTA ENTREGA CABEÇA DE PALOCCI


Gabinete de Palocci violou sigilo de caseiro, diz Caixa

Em documento, estatal responsabiliza ministro por vazamento pela 1ª vez. Até então, banco não havia se pronunciado sobre responsabilidade do chefe da Fazenda na época do caso, em 2006

Rubens Valente, Folha de S. Paulo

A Caixa Econômica Federal informou à Justiça Federal que o responsável pela violação dos dados bancários do caseiro Francenildo dos Santos Costa foi o gabinete do então ministro da Fazenda e hoje ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, ao vazá-los para a imprensa.

É a primeira vez que o banco estatal responsabiliza o ex-ministro. Até então, dizia que apenas havia "transferido" os dados sob sigilo para o Ministério da Fazenda, sem acusar Palocci ou seu gabinete pelo vazamento.

Em setembro de 2010, a Caixa foi condenada pela Justiça a pagar indenização de R$ 500 mil ao caseiro pela quebra do sigilo e recorreu.

Na apelação, a estatal informou, a partir das conclusões de inquérito da Polícia Federal, que cabia a Palocci resguardar o sigilo dos dados que lhe foram entregues pelo então presidente da Caixa, Jorge Mattoso.

A quebra do sigilo e a divulgação, pela revista "Época", dos dados bancários de Francenildo -testemunha da CPI dos Bingos que havia desmentido afirmações de Palocci- levaram à queda do ministro em 2006.

Em 2009, por 5 votos a 4, os ministros do Supremo rejeitaram a abertura de processo contra Palocci, por falta de provas de seu envolvimento na violação.

No recurso contra o pagamento da indenização, a Caixa diz, ao subscrever trecho do relatório da PF, que "o domínio do fato [o vazamento] pertencia ao ex-ministro da Fazenda, apontado como mentor intelectual e arquiteto do plano, sobre o qual a Caixa não possui qualquer poder de mando. Ao contrário: é o ministro que possui poderes sobre a Caixa".

Na apelação, a Caixa procura se eximir de qualquer culpa na divulgação dos dados protegidos pelo sigilo. Tomando por base o relatório da PF, o banco responsabiliza Palocci e seu então assessor de imprensa à época, o jornalista Marcelo Netto:

"O ministério poderia, e deveria, ter recebido as informações e apenas ter levado a cabo as investigações recomendáveis para o caso, não permitindo que seu assessor procurasse a imprensa".

Segundo a apelação, "nem mesmo a Polícia Federal tem dúvida de que o assessor [Netto] do Ministério da Fazenda foi o responsável pela entrega das informações bancárias do autor à imprensa, com consequente divulgação, a partir de quando houve a quebra do sigilo".

A Caixa aponta que Palocci era o responsável pela guarda dos dados sigilosos.

"Pretender-se concluir que à época dos fatos o ex-ministro Antonio Palocci Filho não representava o Ministério da Fazenda levar-nos-á à conclusão, inexorável, de que o ex-presidente Jorge Mattoso também não representava a Caixa. [...] Mas não é essa a realidade", afirmou a Caixa.

Para o advogado do caseiro, Wlício Chaveiro Nascimento, na apelação a Caixa "enfim reconhece que houve um plano para desqualificar o caseiro".

Antonio Palocci voltou a ser o centro da discussões políticas depois que a Folha revelou, no último dia 15, que ele multiplicou por 20 seu patrimônio nos últimos quatro anos. Palocci tem 99,9% da empresa de consultoria Projeto que faturou R$ 20 milhões no ano passado.

24 maio 2011

UM BANDO COMO TESTEMUNHAS

Defesa merece figurar entre as provas contra Palocci

Do blog de Augusto Nunes

Emudecido pela descoberta do milagre da multiplicação do patrimônio, que fez de um médico sanitarista o mais próspero especialista em operações sigilosas, Antonio Palocci completou oito dias de estrepitoso silêncio.

Não precisou dar um pio para ser absolvido pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Bastaram explicações por escrito.

Nem precisou telefonar para congressistas para conseguir a solidariedade da base alugada (e de oposicionistas com culpa no cartório) Bastou o recado do assessor Thomaz Traumann lembrando que o chefe fez o que meio mundo faz.

A cada 15 anos, constatou o jornalista Ivan Lessa, o Brasil esquece o que aconteceu nos 15 anos anteriores. Esse prazo valia para o século passado.

Neste, ficou bem mais curto, sobretudo por faltar espaço no noticiário jornalístico e na memória dos brasileiros para armazenar por muito tempo tantos escândalos, roubalheiras, pilantragens e sem-vergonhices envolvendo corruptos com salvo-conduto expedido pelo governo.

Hoje, nos cálculos do Planalto, o país esquece a cada 15 dias o que aconteceu nos 15 dias anteriores.

Quinze dias foi o prazo estabelecido pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para que o chefe da Casa Civil apresente as explicações solicitadas pelo DEM e pelo PPS, justificadamente intrigados com o surto de enriquecimento que acometeu o ministro, e que se tornou especialmente agudo depois da vitória de Dilma Rousseff.

Até aí, nada demais, apressou-se a esclarecer Gurgel antes mesmo de repassar a Palocci as interrogações formuladas pelos partidos.

“Exercício de consultoria não é crime”, pontificou. (Em princípio, não é crime exercer ofício nenhum, desde que o profissional não se valha dos instrumentos de trabalho para cometer delinquências).

“O procurador-geral só atua nas encrencas mesmo, só atua quando há crime”, enfatizou. “A prestação de consultoria pode ser reprovável em aspectos éticos, mas, em princípio, não constitui crime e, se não constitui crime, não justifica a atuação do Ministério Público”.

Não é conversa de quem só decidirá o que fazer, com a seriedade que se exige do chefe de uma das raras instituições ainda respeitáveis, depois de examinar com lupa as explicações de Palocci.

É conversa de quem espera que passem com mais rapidez as duas semanas que precedem o esquecimento. A montanha de indícios veementes berra que Gurgel só não vê nada de estranho porque foi contaminado pela miopia conveniente que grassa no Planalto.

Leia a íntegra do artigo em O bando de testemunhas de defesa merece ser incluído entre as provas contra Palocci

13 maio 2011

TODOS PRECISAMOS LEMBRAR

Em 9 de maio de 2011, ao receber o diploma de notório saber que lhe foi conferido pela Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, o jornalista Luiz Cláudio Cunha inovou: não se limitou a agradecer o justo reconhecimento que há muito lhe era devido. Deu uma aula, da qual selecionei alguns trechos:
"Todos precisamos lembrar. Eu, como jornalista, tenho o dever de contar".

A Imprensa

O governo, qualquer governo, faz mal à imprensa.
A imprensa, toda a imprensa, faz bem ao governo – principalmente quando critica.
Governo não precisa do 'sim' da imprensa. Governo evolui com o 'não' da imprensa.
A proximidade da imprensa com o governo abafa, distorce o jornalismo.
A distância entre governo e imprensa é conveniente para ambos, útil para a sociedade e saudável para a verdade.

A Internet

O país vive uma completa democracia, que não se reflete na qualidade do que se vê e se lê no tedioso belicismo da Internet, com raras exceções. Nada, portanto, justifica o sigilo do nome e o abuso de codinomes engraçados ou ridículos que apenas ocultam a pobreza das ideias e o despreparo para a discussão inteligente.
Eu, por princípio, só entro no espaço de comentários com meu nome, profissão e cidade, certo de que é um dever meu me qualificar perante quem me lê.
Espaço de uma justa e infinita liberdade, a Internet deveria simplesmente impor a regra da identificação a quem deseja usufruir de seu espaço democrático. Apenas isso. Imediatamente, resgataríamos o espaço e o tempo perdidos para os que não têm a coragem de expor suas ideias, boas ou ruins, com o próprio nome.
Leia mais em Todos precisamos lembrar, na seção Documentos deste blog

11 maio 2011

NÃO ABASTEÇO EM POSTOS DA BR DISTRIBUIDORA


Redução nos preços do álcool e gasolina nos postos da BR tem que ser maior.

Por Ramona Ordoñez, para O Globo

A direção da BR Distribuidora, estatal líder do mercado de distribuição de combustíveis, anunciou que vai reduzir, a partir de hoje, os preços de venda da gasolina e do álcool hidratado (etanol) postos revendedores. Assim, o preço da gasolina gasolina vai cair em 6% e o álcool será vendido a um preço 13% menor da distribuidora para os postos.

Técnicos do setor estimam que, a queda no preço pago pelo consumidor na bomba, poderá ser da ordem de R$ 0,16 por litro de gasolina, que no Rio está custando em média R$ 3, ou seja, redução cerca de 5%. Já a redução dos preços do álcool deverá ser de R$ 0,30 por litro, ou algo em torno de 11,5 %. A empresa informou que a decisão foi tomada em função da queda dos preços do álcool vendido pelas usinas, que vem ocorrendo com o aumento da oferta do produto na moagem da cana.

Leia mais em BR Distribuidora anuncia redução nos preços do álcool e da gasolina

09 maio 2011

As duas faces do lulopetismo

Por A.P.Quartim de Moraes - para O Estado de S.Paulo*

Num mesmo dia, 4 de maio último, os principais jornais brasileiros estamparam duas notícias distintas, aparentemente sem nenhuma relação uma com a outra, que revelam claramente o que significaram para o Brasil os oito anos de lulopetismo. A primeira: a pobreza no País caiu 50,64% entre dezembro de 2002 e dezembro de 2010, período dos dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva. A segunda: os quatro filhos e três netos de Lula recusavam-se até então a devolver os passaportes diplomáticos que lhes foram concedidos irregularmente nos últimos dias do governo do chefe do clã, levando o Ministério Público Federal a cogitar de recorrer à Justiça para corrigir a anomalia.


Quem se sentir chocado com a colocação dessas duas notícias num mesmo nível de importância para efeito de avaliação do governo Lula deve atentar para o seguinte: o sentido de justiça que impele os bons governantes a lutar pela diminuição das desigualdades é inspirado pelos mesmos valores humanos universais que estabelecem que não pode haver justiça enquanto houver regalias e privilégios aos quais, por definição, só poucos podem ter a oportunidade de acesso. Por mais bem-sucedido que tenha sido no combate à pobreza - e em grande medida realmente o foi -, Lula deixou a obra pela metade ao não ter tido capacidade, ou preparo, para entender que ele próprio é e continuará sendo beneficiário dos mesmos direitos e submisso aos mesmos deveres, nem mais nem menos, do mais humilde dos cidadãos que seu trabalho como presidente resgatou da pobreza. É a igualdade perante a lei, fundamento da organização de qualquer sociedade minimamente civilizada.

Mas não é apenas a atitude antiética de agir como se fosse "mais igual" do que o cidadão comum que compromete o desempenho de Lula como chefe de governo e o coloca muito distante da condição de estadista. Muito piores, do ponto de vista do bem comum, são as consequências da generalização desse comportamento, por contaminação, pelos quadros da administração estatal, estimulados, pelo exemplo que vem de cima, a cultivar privilégios e regalias. Se o chefe pode, por que não eu? É assim que os desmandos e a corrupção prosperam, na razão inversa em que, inevitavelmente, decai a eficiência da máquina governamental.

Lula e o PT sabem perfeitamente disso, pois durante mais de 20 anos combateram ferozmente os privilégios das "elites", acusaram todos os governos, mesmo depois da redemocratização do País em 1985, de se colocarem a serviço de interesses de potências ou do capital internacional e das castas e dos estamentos sociais que o dominavam, em prejuízo da grande maioria da população. Pois bastou chegar lá para o lulopetismo pôr em prática tudo o que sempre combateu. Desde aliar-se às mais retrógradas oligarquias regionais e envolver-se - segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal - em esquemas de compra de votos de deputados federais em troca de apoio político até promover um aparelhamento do Estado como nunca antes visto neste país e emascular completamente as grandes organizações sindicais, com a criação de um neopeleguismo alimentado a fundos de pensão.

É claro que esse novo tipo de apropriação privada do poder público teve reflexos negativos, que, com toda a certeza, prejudicaram o desempenho do próprio governo Lula. Não estivessem os coronéis que dominam o Congresso Nacional, os partidos que manipulam a máquina do Estado e os neopelegos deslumbrados com seu novo status social - não estivessem todos tão completamente envolvidos na defesa de seus próprios interesses, como a ampliação de suas regalias e de seus privilégios -, certamente os dois mandatos de Lula teriam um saldo de realizações concretas muito mais amplo a apresentar.

Não é à toa que os mais expressivos resultados desses oito anos se concentram nos programas que representam bandeiras históricas e prioritárias do PT - e, não por acaso, se traduzem em votos -, como a incorporação ao mercado de consumo de milhões de brasileiros antes marginalizados. Contudo metas com menores visibilidade e implicação eleitoral imediata, como todas aquelas que dizem respeito à infraestrutura indispensável ao desenvolvimento - estradas, aeroportos, saneamento básico, geração de energia, etc. -, sem falar no descontrole fiscal decorrente da gastança de recursos públicos, o que hoje começa a ameaçar o controle da inflação, quase todas essas ações, cujo implemento depende não apenas de investimentos adequados, mas também de gestão eficiente, ficaram a dever no governo Lula e hoje constituem uma verdadeira herança maldita para Dilma Rousseff.

Assim, a arrogância da família Lula da Silva na recusa a devolver os passaportes diplomáticos que obteve, indevidamente, ao apagar das luzes do "seu" governo não é um fato isolado e "da maior irrelevância", como já declarou um dos mais notórios aduladores do chefe, Marco Aurélio Garcia. Trata-se de mais um triste exemplo da falta de compostura ética e moral que caracterizou e prejudicou oito anos de lulopetismo no comando da República.

Se Lula não conseguiu, ou não soube, ou não quis transmitir certos valores éticos a seus descendentes, não é de admirar que não se tenha preocupado em fazê-lo em relação a seu partido e, principalmente, à enorme massa de seus eleitores. O que importa é ser "pragmático", levar vantagem. Daí a leniência com que ele próprio sempre passou a mão na cabeça dos seus "aloprados", com que o PT absolve um corrupto confesso como Delúbio Soares, com que todos juntos proclamam descaradamente que o mensalão nunca existiu.

Claro, é uma invenção das "elites". Nas quais, hoje, Lula e o PT, e suas duas faces, estão confortavelmente instalados. Ou não?


*Jornalista e editor

06 maio 2011

ABAIXO A ESCRAVIDÃO DA CLASSE MÉDIA

Os 60 milhões de brasileiros, 40 eleitores do Serra e 20 da Marina, indicaram em primeiro turno, que querem uma proposta serviços de saúde e educação pública de qualidade que reduzam seus custos familiares e principalmente reduzam a carga tributária que lhe é imposta compulsoriamente sobre o consumo (ICMS e IP) e sobre o sobre o salário (IRF).


Esses eleitores esperam uma proposta de Governo que os libertem da extorsão financeira de que se tornou vitima frente à ganância fiscal do governo petista que socializou os custos do Estado com essa classe média, sem gerar nenhum benefício para essa mesma classe.


A atual Classe Média “B” composta pelos 40 milhões de votos do José Serra e a Classe Média “C” pelos 20 milhões de eleitores de Mariana Silva, estão sendo extorquidos pelo atual governo petista e sendo empurrados para a nova Classe Média C/D, parte descendente e parte em ascendência, mas inculta, portanto incapaz de compreender que na medida em que evolui se torna patrocinadora compulsória deste mesmo governo que o faz cliente e escravo e não beneficiários de bons serviços de saúde e educação e outros que são na mais, nada menos que obrigações de qualquer governo.


A classe média atual, descendente ou ascendente, espera uma proposta que a liberte do jugo do atual governo ex-PT que se acha a serviço de banqueiros e empresários.

05 maio 2011

OPOSIÇÃO REAGE COM VEEMÊNCIA

Oposição se revolta contra MP ‘árvore de Natal’



Senadores liderados por Aécio, Itamar e Demóstenes deixam plenário em votação de projeto sobre oito temas.




Por Maria Lima e Adriana Vasconcelos, O Globo



Mesmo enfraquecida por rachas internos e enfrentando seu pior momento no Congresso desde que o PT chegou ao poder, a oposição decidiu sair da letargia e abrir várias frentes de ação no Senado, para tentar furar o bloqueio da ampla maioria governista.

Ontem, liderada pelos senadores Itamar Franco (PPS-MG), Aécio Neves (PSDB-MG) e Demóstenes Torres (DEM-GO), a oposição em peso deixou o plenário em protesto contra a votação da medida provisória 513, classificada como "árvore de Natal" por tratar de oito assuntos. Os governistas pretendiam aprová-la rapidamente, sem discussão. E conseguiram.

Em outra frente, alguns senadores como Aécio e o pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB) traçaram como estratégia buscar na sociedade civil apoio para suas propostas e usar as dificuldades da equipe econômica para manter a inflação sob controle como mote principal de seus discursos.

— Nenhum integrante da oposição vai ficar torcendo para que o governo perca o controle da inflação. Quem tinha essa prática num passado recente eram o PT e seus aliados, que votaram contra o Plano Real, o Proer e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não dá para ficar tapando o sol com a peneira, nem escondendo que a alta inflacionária tem origem na ineficiência do governo e no comportamento "Papai Noel" adotado nos dois últimos anos — discursou Jarbas.

Para Aécio, o governo poderá ajudar, e muito, na reorganização da oposição:

— Meu esforço hoje é para fortalecer as oposições. Mas parece que quem mais vai nos ajudar nisso será o próprio governo, com sua tibieza no combate à inflação, na sua falta de vigor para enfrentar as reformas necessárias e diante da fragilidade na gestão da infraestrutura.

Na discussão da MP-513 — que trata de temas que vão da criação do fundo garantidor da União para empresas que vão participar de obras da Copa e das Olimpíadas à ajuda ao Haiti e a mudanças no seguro habitacional —, o clima ficou tenso entre os senadores.

A MP foi relatada em plenário pelo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e ele próprio teve dificuldade de explicar a junção de tantos temas.

O levante da oposição foi iniciado pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que rasgou e jogou no chão o texto da MP, anunciando, aos gritos, que recorreria ao Supremo para restaurar as prerrogativas do Senado:

— Isso é uma indignidade! É uma imoralidade! Temos de honrar nosso mandato. Estamos rasgando a Constituição. É para isso que existe o Senado?

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) ironizou:

— Já que é tudo de interesse nacional, vamos fazer uma lei que trate de falências e concurso de miss.
Do lado de fora, Aécio anunciou que hoje vai à OAB denunciar os abusos que estão sendo cometidos no Senado pela base do governo:

— Foi um gesto político de protesto. Até a base está envergonhada com essa humilhação. Eles tentaram dez relatores para essa MP e ninguém quis porque é uma vergonha. O Renan aceitou. Eu me sinto envergonhado hoje como parlamentar. Isso aqui virou vale-tudo!

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02 maio 2011

UM NOVO MODELO, UM NOVO PSDB


O conflito paulista pode ser benéfico para uma renovação na cúpula. A divisão paulista propicia o surgimento de novos modelos administrativos e a ascensão de Aécio Neves à tão pretendida posição de líder da oposição. Resta saber se haverá uma só oposição, pois o surgimento do PSD, de onde se vislumbra a mão de Serra, poderá levar a uma fragmentação definitiva das oposições. Os caminhos do PSD e da oposição nacional pertencem ao futuro.

Pensando nele é que o atual governo de Minas tenta se consolidar como paradigma de um governo de oposição, igualmente voltado para o social. Se prosperar o exemplo mineiro, poderá até converter o PSDB nacional. Se não conseguir tanto, definitivamente ajudará o estado a diminuir as suas desigualdades sociais e a elevar o nível de renda das populações mais carentes. Não é política para a nova vedete nacional, a chamada classe C, mas é boa política. Independentemente das suas intenções, a sociedade agradece. Fonte: Jornal Estado de Minas.

30 abril 2011

Carta do Zé Agricultor, o criminoso da roça...(ipsis litteris)

A carta a seguir - tão somente adaptada por Barbosa Melo - foi escrita por Luciano Pizzatto, engenheiro florestal, especialista em direito sócio ambiental, empresário e diretor de Parque Nacionais e Reservas do IBDF-IBAMA 88-89, detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia.


Prezado Luis,


Quanto tempo; né?.


Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava. Lembra; né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada, o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra; né, Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver aí na cidade, que nem vocês. Não que seja ruim o sítio; aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos aí da cidade. Tô vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter, porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha; mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou, deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né .) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, e falaram que, se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas, tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo. Mas as vacas daqui não sabem os dias da semana e, aí, não param de fazer leite. Os bichos daí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama; só comprando outra, né Luis? O candeeiro, eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele.
Bom, Luis; tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas avisei pra ele que ele estava muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Foi o que eu pensei, mas eu acho que me enganei. É que, semana passada, me disseram que ele foi preso na cidade, porque botou um chocolate no bolso, tirado da prateleira de um supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele, e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu, eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia. Aí, eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia; isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava; hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros . Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô, Luis, aí, quando vocês sujam o rio, também pagam multa grande; né?
Agora, pela água do meu poço, eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, porque, quando vou na capital, nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vir fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo. Aí eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do
Promotor, porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado, Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que, se eu for multado, eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade. Aí tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo; vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom, porque, com vocês, e só abrir a geladeira, que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca; é só abrir a geladeira, que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais, Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.
(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)
Divulgue! Fonte: e-mail recebido e distribuido. Faça vc também !

29 abril 2011

DO TREM BALA PERDIDA A COPA DO FRACASSO

Herança maldita é isso aí


Do Blog de Augusto Nunes



Em julho de 2006, quando o acasalamento do descaso administrativo com a escassez de investimentos pariu o apagão aéreo, o presidente Lula comunicou ao país que o ministro da Defesa, Waldir Pires, cuidaria de matar o monstrengo no berço.

O plácido baiano nada fez. Foi substituído em julho de 2007 por Nelson Jobim, que prometeu matar de susto a criatura que acabara de festejar o primeiro aniversário.

Além de brincar de general, almirante e brigadeiro, também o gaúcho falastrão nada fez. Em julho de 2008, repassou o filho da inépcia federal a Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil.

No país real, as coisas seguiram piorando. No Brasil Maravilha inventado por Lula, não foi pouco o que a Mãe do PAC fez. Só em São Paulo, inaugurou o terceiro aeroporto que até hoje ninguém viu, modernizou Guarulhos sem deixar marcas visíveis da proeza e ampliou Viracopos sem acrescentar-lhe um único metro.

Em julho de 2010, durante a campanha eleitoral, deu o problema por resolvido e foi cuidar do trem-bala. No País do Carnaval, não é agosto o mais inquietante dos meses. É julho, confirmou nesta terça-feira a reunião entre Dilma e seus 40 ministros.

Invocando a aproximação da Copa do Mundo, os cardeais do novo e já velho governo resolveram enxergar o colapso da aviação civil. Também decidiram que cabe à iniciativa privada solucionar o problema que conceberam, amamentaram e carregam no colo.

Em julho ─ sempre no sétimo mês ─ estarão prontos os editais que instituem nos cinco principais aeroportos o modelo de concessão. Concessão é a privatização que não ousa dizer seu nome.

Leia a íntegra do artigo em Herança maldita é isso aí, clicando no titulo.

20 abril 2011

MALVERSAÇÃO DE DINHEIRO PÚBLICO


Gasto em publicidade de Lula bate o de FHC em 60%

O Estado de S.Paulo

Em seu último ano, o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gastou R$ 1,62 bilhão com publicidade. A despesa ocorreu em ano eleitoral e superou em 60% os gastos realizados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002, seu último ano de mandato.

Dados divulgados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência registram que o valor é a soma dos investimentos de todos os órgãos e entidades da administração direta e indireta, que incluem ministérios, secretarias, fundações, autarquias e empresas estatais.

De acordo com os dados oficiais, R$ 472,7 milhões foram investidos pela administração direta e R$ 1,15 bilhão pela administração indireta. O Planalto informou que o dinheiro foi aplicado nos meios televisão, jornal, rádio, revista, internet, outdoor, cinema e mídia exterior (mídia em aeroportos, placas, painéis, etc).

Em nota publicada à noite, a Secom argumenta que "alguns investimentos publicitários" passaram a integrar o rol de despesas do governo só na era Lula. "Até 2003, não havia investimentos publicitários em órgãos como Ministérios do Turismo, Ciência e Tecnologia, Cidades, Secom, Secretarias de Direitos Humanos, Mulheres, Promoção da Igualdade", diz a nota.

16 abril 2011

INICIO DO FIM DESDE DO SECULO PASSADO

Belo Horizonte, 30 de novembro de 1.997.

Por Jarbas Cordeiro de Campos*

Senão despertarmos agora, no próximo século seremos apenas uma boa, mas vaga lembrança para os cidadãos de nossa Capital. Devemos e precisamos defender o ideal Social Democrata, em praça pública e em todos os fóruns de debates da sociedade. Todavia, antes de irmos para estes fóruns, precisamos quebrar a imobilidade das bases, resgatar a consciência política, ampliando nossa militância e ainda capacitá-la para o contraditório político.


Desde 1988, ano da fundação do PSDB, poucos foram os momentos em que se manteve mobilizada as bases do Partido, ou seja, seus militantes, os membros de diretórios, inclusive a base parlamentar eleita: vereadores, deputados estaduais e federais e outros. Exceção as vésperas de eleições ou convenções, assim mesmo deixando a desejar se consideramos o número de filiados, fato este que acreditamos acontece com nosso partido em todas as capitais.

Enquanto Diretório Nacional e Estadual e Executiva Municipal, precisamos de companheiros que pratiquem uma administração partidária participativa entre os militantes e as bases parlamentares com dinamismo e ações próprias, especificamente voltadas para as questões da Cidade, mas claro sem perder de vista as questões internas, do próprio partido que ainda permite que falsos militantes apoderem-se do Partido, realizem convenção sem edital, portanto, sem dar conhecimento aos filiados, em hora e local ignorados, violando a democracia partidária, os princípios programáticos e as normas estatutárias, notadamente os artigos 14 e 32 de nosso Estatuto.

Precisamos transmitir a todos os militantes, não só através de cursos de formação política, mas por meio de fóruns, seminários, conferências e mesmo através do Conselho Municipal de Ética e Disciplina entre outros mecanismos os conhecimentos e as EXPERIÊNCIAS VITORIOSAS obtidas pelos companheiros que estiveram e estão a frente de diretórios, de secretarias e outros órgãos da administração tucana municipal, estadual e federal, caso contrário estaremos nadando contra a correnteza e consequentemente seremos levados a derrota. Desta forma o Partido no município crescerá e terá posições claras e comparativas que levadas, tanto ao conhecimento da população pela mídia, como defendidas pela Bancada de Vereadores, servirão de parâmetros no confronto das idéias, dos programas e métodos de administração pública.


*Jornalista, foi Diretor de Assuntos Legislativo do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte, fundador do PSDB nacional, estadual, zonal e municipal, foi primeiro presidente do 39º Diretório Zonal do Partido e Delegado a Convenção Estadual e Nacional e ao Congresso Estadual e Nacional do PSDB; três vezes-Presidente da Associação dos Servidores do Legislativo do Município de Belo Horizonte, fundador do Conselho Regional de Associações Comunitárias da Região Nordeste de Belo Horizonte, entidade mantenedora do CSU-São Paulo, entre outras experiências.


“Não podemos deixar que o mundo se transforme num mercado global sem outra lei que a do mais forte. Precisamos repensar esse mundo e introduzir o social entre os pontos maiores de nossa preocupação” Mitterrand, presidente francês.

15 abril 2011

Preços do governo pressionam a inflação

Apesar do governo tentar controlar a inflação, reajustes no setor público colaboram para escalada do custo de vida Por Alexandre Rodrigues, para O Estado de S.Paulo Enquanto o governo tenta mostrar empenho para controlar a inflação, os reajustes de preços administrados pelo setor público têm exercido influência significativa no aumento do custo de vida. Os aumentos do transporte urbano nas principais regiões metropolitanas ajudaram o grupo transporte a responder por mais de um quarto da inflação de 2,44% medida no primeiro trimestre do ano pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve continuar a registrar a pressão do segmento na inflação de abril, já que os reajustes de ônibus urbanos em cidades como Curitiba (13,5%) e Fortaleza (11,11%) entraram em vigor depois do início de março, deixando resíduos para abril.

Na capital fluminense, no início de abril, o metrô subiu 10,7% e os táxis tiveram reajuste de 14% no quilômetro rodado e de 2,3% na bandeirada.

Além disso, outros aumentos autorizados pelo setor público estão previstos para este mês. As taxas de água e esgoto subiram 16% em Curitiba na segunda quinzena de março. Em Goiânia e Belo Horizonte, o serviço deverá ter reajuste de 6% e 7%, respectivamente, nos próximos dias.

14 abril 2011

"HERANÇA MALDITA"



Por Merval Pereira, para O Globo

Os indicadores econômicos não são bons para o governo, mostrando inflação em alta e crescimento em desaceleração. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de fevereiro indica que houve uma queda pela metade em relação a janeiro. De acordo com o Banco Central, a atividade econômica cresceu 4,17% no primeiro bimestre em relação ao mesmo período de 2010, o que coloca o crescimento anual do PIB mais próximo de 4% do que dos 5,5% da previsão oficial.


Enquanto isso, a inflação se aproxima do teto da meta (6,5%), com tendência a ultrapassá-lo nos próximos meses.
Há claras semelhanças entre a situação atual e a que o presidente Lula encontrou nos primeiros meses de governo em 2003, mesmo que por motivos diferentes.


O mais grave é que, nas duas ocasiões, o descontrole da economia tem origem na própria ação política e econômica petista.


Lula e Dilma receberam a seu tempo "heranças malditas", fruto de seus próprios atos irresponsáveis.


Em 2002, a inflação oficial ficou em 12,53%, a maior desde 1995, quando o teto da meta era de 5,5%, e o motivo principal da alta do IPCA foi o descontrole na cotação do dólar, que chegou a atingir R$ 4,00, pressionando os preços especialmente no segundo semestre, à medida que ficava clara a possibilidade de vitória de Lula.


Já nos nossos dias, o governo parece manipular a cotação baixa do dólar para tentar segurar a inflação, que mesmo assim se aproxima de 7%. O índice de janeiro indica a pior inflação desde 2005.


Pelo menos é o que pensa o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que em recente encontro de empresários criticou a política econômica por, ao priorizar o controle da inflação, ter abandonado "compromisso" de manter o câmbio a pelo menos R$ 1,65, deixando que ele ficasse abaixo de R$ 1,60, o que faz com que o dólar esteja em seu nível mais baixo desde o Plano Real.


Cálculos da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior com base na taxa real de câmbio mostram que o poder de compra da moeda brasileira praticamente dobrou em relação ao verificado em julho de 1994, início do Plano Real, como se o dólar estivesse 50% mais barato do que naquela época.


O problema da presidente Dilma é que ela não pode atribuir à "herança maldita" de Lula seus problemas econômicos, mesmo porque os gastos excessivos do governo central foram feitos em grande medida para garantir sua eleição, embora oficialmente tenham sido atribuídos a políticas anticíclicas para combater a crise.

A crise não passou de um pretexto a posteriori para o descontrole que já havia sido contratado.


Lula, ao assumir em 2003, com seu pragmatismo político, tomou todas as ações mais duras que tinha que tomar e atribuiu todos os seus problemas a uma suposta "herança maldita" deixada por Fernando Henrique Cardoso.


O principal mentor da política econômica que reequilibrou as contas públicas foi o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que, se durante os anos iniciais do primeiro mandato de Lula era a eminência parda da economia, começou a perder terreno quando Dilma assumiu a Casa Civil em lugar de José Dirceu, na crise do mensalão.


Houve a célebre discussão sobre corte dos gastos públicos, quando Dilma chamou de "rudimentar" uma proposta de Palocci e Paulo Bernardo, então no Planejamento, para corte de gastos públicos de longo prazo com o intuito de fixar que não poderia haver aumentos superiores ao crescimento do PIB.


A proposta era que, num período de dez anos, com os gastos abaixo do crescimento do PIB, o governo sinalizasse equilíbrio de longo prazo para a economia.


Quando Palocci caiu, em decorrência da crise da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, assumiu Guido Mantega, e a política econômica foi mudando aos poucos, até atingir, no fim do segundo mandato, o ápice da gastança pública.


Mantega assumiu a Fazenda garantindo que levaria a economia ao seu crescimento máximo, que, segundo ele, poderia ser próximo a 5%, enquanto Palocci e Henrique Meirelles, no Banco Central, trabalhavam informalmente com uma taxa máxima de 3,5%, acima da qual a inflação aumentaria.


Tudo indica que, depois de em 2010 termos tido crescimento indiano de 7,5%, voltaremos ao antigo PIB potencial de 3,5%, em virtude do descontrole da inflação provocado por uma política de crescimento do Estado e consequentes aumentos dos gastos públicos.


O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, permanece onde sempre esteve, isto é, defendendo o controle dos gastos públicos e da inflação através de remédios amargos nos primeiros meses de governo.


O problema é que Lula podia aguentar o tranco de crescer apenas 1% no primeiro ano de governo, para pôr a economia em ordem, mas Dilma parece temer por enquanto uma economia que desacelere muito.


Ela ainda parece apostar na estratégia de Mantega, que combate a inflação a conta-gotas e se utiliza da valorização do real para não afetar o crescimento da economia mais do que já está.


A previsão oficial de crescimento já caiu de 5,5% para 4%, mas, como a inflação não dá sinais de recuar, é possível que sejam necessárias novas medidas para conter a demanda.


À medida que não dão resultados, essas propostas defendidas por Mantega parecem levá-lo para o cadafalso. A própria presidente já teve que sair em sua defesa, para desmentir boatos de troca de ministério.


Mas, no banco de reservas, prontos para entrarem em campo em posições mais decisivas, estão o próprio presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o secretário-geral da Fazenda, Nelson Barbosa, homem de confiança de Dilma Rousseff.


Os dois, porém, têm o mesmo perfil nacional-desenvolvimentista que precisaria ser freado neste momento. E nada indica que haja ambiente político para que o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, retorne ao comando da economia. E muito menos que ele queira.

06 abril 2011

Existe inteligência na oposição ao governo


Aécio Neves quer fazer dos prefeitos sua base

Por Ilimar Franco, para O Globo


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez um engenhoso discurso hoje no Senado. Falou como quem tem consciência da fragilidade orgânica da oposição e da dificuldade de fortalecer o PSDB, o DEM e o PPS sem a máquina do governo federal. Falou com profundo conhecimento da realidade política brasileira e como quem sabe que historicamente tem sido muito difícil atrair para a oposição parcelas dos partidos que estão no governo Dilma Rousseff.

Sem condições orgânicas de capturar as estruturas partidárias, a opção de Aécio foi falar direto para as bases desses partidos, para os caciques locais. Ao adotar como sua principal bandeira a questão da crescente redução da parcela dos municípios no bolo tributário, ele disse o que querem ouvir os mais de cinco mil prefeitos brasileiros, sejam aliados ou de oposição ao governo Dilma Rousseff: Os municípios precisam ter uma participação maior no bolo tributário. Esse discurso é música de qualidade nos ouvidos dos prefeitos.

O tucano mineiro está dizendo: votem em mim, peçam votos para que eu seja presidente, que vocês terão mais dinheiro na mão para administrar seus municípios. É tudo o que eles querem e pelo qual lutam suas entidades. Não há prefeito que faça reparo a este discurso. Muitos estarão tentados, num cenário de estabilidade econômica, a fazer uma opção eleitoral pragmática e prática.

Esta na busca de criar um movimento em apoio à sua candidatura, que rompa a dicotomia de amor e ódio entre petistas e tucanos, a explicação para o discurso moderado de oposição, no qual abriu espaço para que sejam reconhecidos méritos e erros em todos os governos do país desde a redemocratização. Os mais raivosos devem ter espumado ao ouvirem o tom monocórdico das críticas do mineiro.

É cedo ainda para sabermos se a estratégia de Aécio Neves vai colar, mas ele está dando uma demonstração cabal de que há inteligência política e emocional na oposição.

05 abril 2011

Uso de dinheiro ilegal ou Mensalão do PT

Nos trilhos


Por Merval Pereira, para o Blog do Noblat


O relatório final da Polícia Federal sobre o mensalão, que está na mesa do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pode ser a peça que faltava para que a denúncia criminal seja feita antes de agosto, quando prescreve o crime de formação de quadrilha contra os 38 acusados do processo. O que impede a prescrição é a denúncia, que tem que ser feita pelo Ministério Público através do procurador-geral da República.

O relatório, fruto de seis anos de investigações, recoloca as coisas em seus devidos lugares e enterra a tentativa em curso de desqualificar o processo que foi acolhido pelo Supremo e tem uma novidade explosiva que, mais uma vez, leva o mensalão para dentro da campanha presidencial de Lula em 2002.

O ex-segurança e amigo de Lula, Freud Godoy — envolvido também no caso dos aloprados da campanha de 2006, apanhados tentando comprar um dossiê contra os candidatos tucanos — confessou à Polícia Federal que recebeu R$ 98,5 mil do esquema ilegal como pagamento pelos serviços de segurança prestados na campanha de 2002 e durante o período de transição, entre a vitória na eleição e a posse de Lula na Presidência.

Em 2005, quando estourou o caso do mensalão com a denúncia do presidente do PTB, o então deputado Roberto Jefferson, houve um momento decisivo na CPI que apurava os desvios.

Foi quando o marqueteiro Duda Mendonça confessou que recebeu parte do pagamento pela campanha presidencial de Lula em uma conta no exterior, dinheiro do esquema montado pelo empresário Marcos Valério que acabou conhecido como mensalão.

Não foram poucos os petistas que consideraram que ali havia chegado o fim da linha para o partido e o próprio governo, apanhados em falcatruas diversas.

O uso de dinheiro ilegal para pagamento da campanha presidencial tipificava crime de responsabilidade pelo presidente da República, pois o pagamento fora feito já com Lula no Planalto, e chegou-se a falar na oposição de pedido de impeachment contra o presidente.

Naquele momento delicado, os principais assessores de Lula chegaram a analisar, segundo depoimento do então secretário particular do presidente, Gilberto Carvalho, a hipótese de o presidente Lula não concorrer à reeleição.

Os então ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, chegaram certa vez a sugerir ao presidente Lula que fizesse um acordo com a oposição: em troca de poder cumprir todo o seu mandato, abriria mão da reeleição. Há relatos de que Márcio Thomaz Bastos chegou a procurar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para tentar um acordo nesse sentido.

A oposição, no entanto, temia uma reação dos chamados "movimentos sociais", e o próprio Fernando Henrique alertou para o perigo de se criar um "Getulio vivo" com a deposição de Lula.


Chegaram à conclusão de que seria melhor deixá-lo "sangrando" até o fim do governo, certos de que ele seria derrotado na reeleição, um erro de cálculo grosseiro, como se pode constatar.

Agora, está comprovado que outro componente importante do esquema pessoal de Lula na campanha presidencial também recebeu dinheiro do que ficou conhecido como valerioduto, esquema de uso de dinheiro público montado por Marcos Valério para comprar apoio no Congresso ao governo Lula e locupletar os dirigentes petistas.

O relatório da PF traz mais provas confirmando o que já está no processo do Supremo: a maior parte do dinheiro para compra de políticos tinha como origem o fundo Visanet do Banco do Brasil.


A Polícia Federal também conseguiu provar que o banqueiro Daniel Dantas cedeu à chantagem do PT, depois de uma reunião com o então chefe do Gabinete Civil, José Dirceu, e se comprometeu a dar uma "ajuda financeira" ao partido no valor de US$ 50 milhões, dos quais pelo menos R$ 3,6 milhões teriam sido repassados ao publicitário pouco antes de estourar o escândalo.

As novas provas da Polícia Federal servem para esvaziar a tentativa de refazer a história que estava em curso pelo PT, com a ajuda pessoal do ex-presidente Lula.

A indicação do deputado João Paulo Cunha, um dos mensaleiros, como presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados faz parte dessa manobra petista, que visava a constranger o Supremo no julgamento do mensalão que se avizinha, tratando os acusados como virtualmente absolvidos.

O ex-presidente Lula, que em 2005 fez um discurso à nação dizendo-se traído, tem se dedicado nos últimos anos a tentar apagar da História do país o maior escândalo de corrupção já registrado, alegando que se tratou de uma tentativa de golpe para tirá-lo do governo.

Ainda na Presidência, Lula recebeu no Palácio o ex-ministro José Dirceu, acusado pelo procurador-geral da República de ser o "chefe da quadrilha" do mensalão. Dirceu saiu alardeando que Lula se dedicaria, quando deixasse a Presidência, a esclarecer "a farsa" do mensalão para provar que ele não passara de um golpe político.

O próprio Lula, na campanha do ano passado, usou o palanque em que fazia a defesa da candidatura Dilma para acusar: "Mais uma vez (sic) se tentou truncar o mandato de um presidente democraticamente eleito."

Também o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, expulso do partido ainda em 2005, e o ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira, que pediu desfiliação na mesma época para evitar a expulsão, estão querendo que a direção partidária reconsidere suas situações.

Silvinho, como era conhecido, já não está mais entre os acusados pelo mensalão no processo do Supremo: através de um acordo com a Procuradoria Geral da República, aceitou fazer 750 horas de serviços comunitários em três anos, numa aceitação de culpa.

O crime de que ele era acusado, o de formação de quadrilha, pode prescrever ainda em agosto deste ano caso a condenação venha a ser de apenas um ano. Outras nove pessoas, entre elas, José Dirceu, estão acusadas nesse crime e podem ser beneficiadas pela prescrição.

O relatório final da Polícia Federal pode ajudar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a fazer a denúncia criminal antes de agosto ou então fortalecer a convicção dos juízes do Supremo, justificando uma eventual condenação pelo Supremo Tribunal Federal a pena maior que um um ano, o que anularia a prescrição.

31 março 2011

Pela redução dos preços dos combustíveis.

GASOLINA (GNV, DIESEL e ÁLCOOL) Como poderemos baixar os preços desses combustíveis ??? NÃO DEIXE DE LER A força da Internet contra uma FÁBRICA DE DINHEIRO que alimenta os cofres do governo e da Petrobras.

Então continue a ler. Não deixe de participar, mesmo que você HOJE não precise abastecer seu carro com gasolina!! Mesmo que você não tenha carro, saiba que em quase tudo que você consome, compra ou utiliza no seu dia-a-dia, tem o preço dos transportes, fretes e distribuição embutidos no custo e conseqüentemente repassados a nos consumidores.

Você sabe que no Paraguai (que não tem nenhum poço de petróleo) a gasolina custa R$ 1,45 o litro e sem adição de álcool . Na Argentina, Chile e Uruguai que juntos (somados os 3) produzem menos de 1/5 da produção brasileira, o preço da gasolina gira em torno de R$ 1,70 o litro e sem adição de álcool.

QUAL É A MÁGICA ?? Você sabe, que já desde o ano de 2007, conforme anunciado aos "quatro ventos", o Brasil já é AUTO-SUFICIENTE em petróleo e possui a TERCEIRA maior reserva de petróleo do MUNDO. Realmente, só tem uma explicação para pagarmos R$ 2,89 o litro ou até mais: a GANÂNCIA do Governo com seus impostos e a busca desenfreada dos lucros exorbitantes da nossa querida e estimada estatal brasileira que refina o petróleo por ela mesma explorado nas "terras tupiniquins”.

CHEGA !!! Podemos fazer alguma coisa. Ou vamos esperar a gasolina chegar aos R$ 3,00 ou R$ 4,00 o litro? Mas, se você quiser que os preços da gasolina baixem, será preciso promover alguma ação lícita, inteligente, ousada e emergencial. Unindo todos em favor de um BEM COMUM !!!

Existia uma campanha que foi iniciada em São Paulo e Belo Horizonte que nunca fez sentido e não tinha como dar certo. A campanha: "NÃO COMPRE GASOLINA" em certo dia da semana previamente combinado não funcionou. Nos USA e Canadá a mesma campanha havia sido implementada e sugerida pelo próprios governos de alguns estados aos seus consumidores, mas as Companhias de Petróleo se mataram de rir porque sabiam que os consumidores não continuariam "prejudicando a si mesmos" ao se recusarem a comprar gasolina. Além do que, se você não compra gasolina hoje, vai comprar MAIS amanhã. Era mais uma inconveniência ao próprio consumidor, que um problema para os vendedores.

MAS um economista brasileiro, muito criativo e com muita experiência em "relações de comércio e leis de mercado", que pensou nesta idéia relatada abaixo e propôs um plano que realmente funciona. Nós precisamos de uma ação enérgica e agressiva para ensinar às produtoras de petróleo e derivados que são os COMPRADORES que, por serem milhões e maioria, controlam e ditam as regras do mercado, e não os VENDEDORES que são "meia-dúzia". Com o preço da gasolina subindo mais a cada dia, nós consumidores precisamos entrar rapidamente em ação ! O único modo de vermos o preço de a gasolina diminuir é atingindo quem produz, na parte mais sensível da empresa : o CAIXA. Será não comprando a gasolina deles!

MAS COMO ? Considerando que todos nós dependemos de nossos carros, e não podemos deixar de comprar gasolina, GNV, diesel ou álcool. Mas nós podemos promover um impacto tão forte a ponto dos preços dos combustíveis CAIREM, se todos juntos agirmos para FORÇANDO UMA GUERRA DE PREÇOS ENTRE ELES MESMOS. É assim que o mercado age!!! Isso é Lei de Mercado e Concorrência.

Aqui está à idéia: Para os próximos meses (março/ abril / maio de 2011) não compre gasolina da principal fornecedora brasileira de derivados de petróleo, que é a PETROBRÁS (Postos BR). Se ela tiver totalmente paralisada a venda de sua gasolina, estará inclinada e obrigada, por via de única opção que terá, a reduzir os preços de seus próprios produtos, para recuperar o seu mercado. Se ela fizer isso, as outras companhias (Shell, Esso, Ipiranga, Texaco, etc...) terão que seguir o mesmo rumo, para não sucumbirem economicamente e perderem suas fatias de mercado. Isso é absolutamente certo e já vimos várias vezes isso acontecer! CHAMA-SE LEI DA OFERTA E DA PROCURA

Mas, para haver um grande impacto, nós precisamos alcançar milhões de consumidores da Petrobrás. É realmente simples de se fazer! Continue abastecendo e consumindo normalmente!! Basta escolher qualquer outro posto ao invés de um BR (Petrobrás). Porque a BR ? Por tratar-se da maior companhia distribuidora hoje no Brasil e conseqüentemente com maior poder sobre o mercado e os preços praticados. Mas não vá recuar agora... Leia mais e veja como é simples alcançar milhões de pessoas!!

Essa CAMPANHA foi iniciada por aproximadamente trinta pessoas. Se cada um de nós enviarmos a mesma mensagem para, pelo menos, dez pessoas a mais (30 x 10 = 300) e se cada um desses 300 enviarmos para pelo menos mais dez pessoas, (300 x 10 = 3.000), e assim por diante, até que a mensagem alcance os necessários MILHÕES de consumidores! É UMA "PROGRESSÃO GEOMÉTRICA" QUE EVOLUI RAPIDAMENTE E QUE VOCE CERTAMENTE JÁ CONHECE ! Quanto tempo levaria a campanha? Se cada um de nós repassarmos este e-mail para mais 10 pessoas a estimativa matemática (se você repassá-la ainda hoje) é que dentro de 08 a 15 dias, teremos atingido, todos os presumíveis 30 MILHÕES* de consumidores da Petrobrás (BR), (fonte da ANP - Agencia Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis).


Isto seria um impacto violento e de conseqüências invariavelmente conhecidas... A BAIXA DOS PREÇOS. Agindo juntos, poderemos fazer a diferença. Se isto fizer sentido para você, por favor, repasse esta mensagem, mesmo ficando inerte. PARTICIPE DESTA CAMPANHA DE CIDADANIA ATÉ QUE ELES BAIXEM SEUS PREÇOS E OS MANTENHAM EM PATAMARES RAZOÁVEIS ! ISTO REALMENTE FUNCIONA. VOCÊ SABE QUE ELES AMAM OS LUCROS SEM SE PREOCUPAREM COM MAIS NADA! O BRASIL CONTA COM VOCÊ!!! Fonte: e-mail.

20 março 2011

ÉTICA NO FOTO JORNALISMO


Deve o fotojornalista apenas mostrar a realidade crua através da sua lente ou interferir nela quando a sua consciência assim o exige? Kevin Carter achou que não devia interferir, em 1993, quando fotografou, para o New York Times a imagem de um bebê do Sudão, caído no chão, enquanto no mesmo plano um abutre esperava pacientemente pela refeição.

Não salvou a criança e o mundo, que deu o bebê como morto, criticou-o e chamou-lhe a ele próprio abutre. Carter acabou por ganhar o prémio Pulitzer com esta imagem que o perseguiu e o levou ao suicídio aos 33 anos.

O jornal El Mundo, descobriu que o bebê era um menino, chamava-se Kong Nyong, e sobreviveu ao abutre. Segundo o jornal espanhol a enfermeira Florence Mourin, que coordenava os trabalhos do programa das Nações Unidas para o combate à fome no Sudão em Ayod, o local onde tudo aconteceu, que o menino estava a ser acompanhado, como prova a pulseira branca na mão direita, que se podia ver na fotografia premiada.

Recentemente recebi um vídeo por e-mail que faz o mesmo questionamento. Até quando o fotojornalista pode se omitir de agir contra um ato de violência em busca da melhor foto ou prêmio? Vale a pena dar uma conferida.

Clique no titulo para ver video.

Fonte: jornal Estado de Minas

16 março 2011

O desastre japonês é muito pior

O colapso econômico do Japão já começou. A amplitude da devastação está agora se tornando mais clara e muitos já estimam que este será o mais caro desastre natural da história humana moderna. O tsunami que atingiu o Japão no dia 11 de março adentrou e varreu mais de 9,5 km da faixa de terra que vai do litoral ao interior, destruindo praticamente tudo pelo caminho. Incontáveis milhares de pessoas morreram e comunidades inteiras foram completamente aniquiladas.

(Veja estas impressionantes e assustadores imagens do antes e depois do Tsunami. Pressione o botão direito do mouse sobre a divisória central de cada foto e deslize o cursor para a esquerda e para a direita, e você terá uma ideia da devastação ocorrida).

Logo, como uma nação cujo governo está afogado em dívidas poderá reconstruir dezenas de cidades que foram repentinamente destruídas?

Muitos analistas da grande mídia estão dizendo que a economia do Japão irá se recuperar rapidamente dessa calamidade, mas eles estão simplesmente errados. O tsunami dizimou milhares de quilômetros quadrados. A perda de casas, carros, empresas e riqueza pessoal é praticamente inimaginável. Vários anos serão necessários para se reconstruir as estradas, as pontes, as ferrovias, os portos, as linhas de transmissão de energia e os sistemas de abastecimento de água que foram destruídos. Várias seguradoras e instituições financeiras japonesas serão totalmente dizimadas como resultado dessa enorme tragédia.

É claro que nos dias vindouros a população japonesa irá se unir e trabalhar duro para reconstruir o país, mas a verdade é que é impossível "se recuperar rapidamente" de tamanha e tão maciça perda de riqueza, de ativos e de infraestrutura.

Apenas pense no que aconteceu após o Furacão Katrina. A economia de Nova Orleans se recuperou rapidamente? Não, e ainda hoje há algumas áreas de Nova Orleans que mais se parecem com zonas de guerra.

E o desastre japonês é muito pior ...
Leia mais aqui.

"Que é isso ? Piraram ? "


"Tropa... de elite

Por Renata Lo Prete, na Folha de São Paulo

Causou rebuliço e-mail distribuído pelo secretário de Movimentos Populares do PT do Rio, Indalécio Wanderley Silva. O texto convoca uma plenária, hoje, contra a visita de Obama, considerado "persona non grata no Brasil".

Na reunião, movimentos sociais planejarão o que chamam de "grande manifestação" em repúdio ao presidente americano.

A mensagem deixou governistas de cabelo em pé. O governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que luta para garantir que a Cinelândia, onde Obama discursará, fique lotada, cobrou explicação dos petistas. "Que é isso? Piraram?", questionou. "

14 março 2011

DEM consolida influência de Aécio

Por Marcelo de Moraes,para o jornal Estadão.
Atualizado: 14/3/2011 0:09


Depois de atravessar sua pior crise interna, o DEM se reúne amanhã para sacramentar a escolha do senador José Agripino Maia (RN) como seu novo presidente e assegurar a influência majoritária do senador Aécio Neves (PSDB-MG) como preferido do partido para as eleições de 2014.

Mais do que ser mera legenda de suporte para a campanha presidencial de um político tucano, o DEM quer deflagrar a estratégia nacional para assegurar sua sobrevivência política. A ideia do partido é investir nos eleitores da classe média, especialmente aqueles que chegaram há pouco tempo nessa faixa, impulsionados pela ascensão que tiveram durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na avaliação dos dirigentes do DEM, essa nova classe média é conservadora nos costumes e cobra uma atuação mais presente do Estado. Nessas análises, o comando do partido concluiu que esse grupo de eleitores demanda uma participação direta do governo, mas de uma forma diferente do que se imaginava. Não se trataria de estatizar empresas ou rechaçar privatizações, mas sim de exigir que a administração pública garanta a eficiência de serviços públicos - nas áreas de educação, saúde e segurança, por exemplo.

'A pessoa que agora tem dinheiro para comprar um aparelho celular quer que esse serviço seja bom. E quer também que o preço caiba no fim do mês no seu orçamento. E isso eles não recebem do Estado', diz o atual presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), que apoia seu sucessor, Agripino. 'É a mesma coisa com as passagens aéreas. Viajar de avião não é mais algo restrito às elites e esses novos consumidores cobram qualidade no serviço.'

Para o comando do partido, as eleições de 2010 teriam demonstrado que esse eleitor é conservador e ficou órfão de um candidato especificamente voltado para ele. Por conta disso, teria migrado para a candidatura de Marina Silva (PV), justamente porque ela empunhava publicamente algumas bandeiras de interesse desse grupo, como, por exemplo, a oposição à legalização do aborto.

A discussão do tema virou um dos pontos centrais da campanha presidencial no primeiro turno, chegando a monopolizar os debates entre a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra.

Velório. A convenção do DEM também pode marcar o fim de uma disputa interna que quase provocou a implosão do partido.

Interessados em assumir o poder e promover uma guinada em seus rumos, um grupo integrado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acabou saindo derrotado e deixará o DEM. Kassab leva com ele a administração da maior prefeitura do País, mas também carregará alguns representantes da ala mais conservadora.

Para o ex-prefeito do Rio César Maia, a ocasião é perfeita para que o partido consiga consolidar sua refundação. O movimento foi iniciado com o abandono do nome PFL, em 2007, e baseado na tentativa de caminhar para uma ideologia de centro, desvinculado da velha Arena.

O ex-prefeito é contundente em relação à saída do partido dos setores dissidentes. 'Diria que essa convenção do dia 15 de março é o velório da Arena e será a afirmação do DEM', afirma.

03 março 2011

Pró e contras do voto distrital

Ementa: acrescemte-se a proposta abaixo, o voto facultativo para que nossos candidatos tenham que nos apresentar suas propostas e nos convencer a ´comparecer as urnas.

Por Eduardo Graeff, 24/02/11

Será que a discussão da reforma política já micou antes de começar? Olhando o quadro pintado pelo Estadão hoje, parece que sim. Com o PT e o PMDB defendendo propostas diametralmente opostas, ambas ruins, não sobra muito espaço para alguma reforma que preste.

Isso reforça minha impressão que essa discussão só tem chance de avançar se sair do Congresso para a rua. OK, rua é um chavão e um exagero: para a fatia da opinião pública, minoritária mas não desprezível, que se interessa pela saúde da democracia.

Parafraseando um dito famoso: a reforma eleitoral é um assunto sério demais para ser deixado para os políticos. Se os eleitores - muitos deles, pelo menos - não entrarem no assunto, isso não vai dar em nada ou vai dar… bem, você sabe.

Tento fazer a minha parte alimentando a discussão pública com os fatos e argumentos que consigo alinhavar. Escrevi bastante sobre os defeitos do sistema eleitoral proporcional de lista aberta em vigor e do sistema em lista pré-ordenada defendido pelo PT. Sobre o sistema majoritário proposto pelo PMDB, concordo com José Dirceu (que coisa!). Ele disse ao Painel da Folha ontem: “O ‘distritão’ é o puro poder econômico. Se elege quem tem mais dinheiro.”

Mas isso vale um post separado. Antes, quero resumir por que acho que o voto distrital é a melhor alternativa para o eleitor e pode ser bom para a maioria dos deputados e candidatos a deputado.

Primeiro, ele é fácil de explicar e entender. A justiça eleitoral divide os estados em tantos distritos quantos forem seus deputados. Cada partido pode apresentar um candidato por distrito. É eleito o candidato mais votado. Simples assim.

Segundo, barateia o custo da campanha. Em vez de sair feito barata tonta atrás de voto por todo o estado, acotovelando-se com sabe-se lá quantos e quais concorrentes, cada candidato irá se concentrar no seu distrito, sabendo exatamente com quem concorre.

Terceiro, facilita a escolha do eleitor. Em vez de ter de escolher mais ou menos ao acaso um entre centenas de candidatos, ele tem chance de se informar melhor sobre cada um dos candidatos no seu distrito (no máximo uma dúzia, eu chutaria).

Quarto, permite aos eleitores saber exatamente quem é o seu deputado e ao deputado saber quem são seus eleitores. Isso facilita a prestação de contas do deputado aos eleitores e a fiscalização dos eleitores sobre o deputado.

Quinto, dá aos eleitores insatisfeitos com seu deputado a possibilidade de votar contra ele na eleição seguinte. Isso acaba com a moleza para os fichas-sujas e relapsos. Hoje, tendo dinheiro, eles sempre podem ganhar o voto de alguns milhares de incautos pelo estado.

Sexto, garante uma representação mais equilibrada das diferentes regiões do estado. Hoje os municípios e regiões dentro do mesmo estado acabam elegendo ou não elegendo um deputado por motivos aleatórios. Os eleitores das regiões metropolitanas são superassediados e acabam subrepresentados por causa da fragmentação do voto.

Sétimo, aumenta a chance dos chamados candidatos de opinião. Mas não é o contrário? O voto distrital não tende a paroquializar os deputados? Em estados pequenos, com distritos de poucos milhares de votos, pode ser que sim. Mas aí os deputados já são em geral paroquializados. Agora, pense nos estados grandes, com distritos de centenas de milhares de eleitores. Nessas “macroparóquias” - principalmente nas áreas metropolitanas hoje subrepresentadas - os candidatos de opinião terão muito mais chance de se eleger do que pelo sistema atual.

Oitavo, dá força aos partidos na hora de dar ou negar legenda aos candidatos, mas dá mais força aos eleitores, estimulando-os a se envolver mais no processo eleitoral e no debate público entre as eleições.

Acho que conseguiria listar outros argumentos, mas estes me parecem de bom tamanho.

Consegui vender meu peixe? Se você acha que sim, pelo menos em parte, me ajude a espalhar. E em todo caso me ajude a testar e apurar os argumentos com seus comentários.

Com isto termino esta série de posts. Para ver os anteriores da série e outros sobre este assunto, siga a tag “reforma eleitoral” aí embaixo. Se sobrar tempo e paciência, pode ver também os artigos, um e dois, que publiquei recentemente no Estadão sobre o mesmo assunto.

02 março 2011

Estou de saco cheio deles já

"O PDT tem um programa histórico, sempre defendeu os direitos dos trabalhadores, e se o PT abandonou os trabalhadores, a culpa não é nossa. Manda o PT se f... Estou de saco cheio deles já."

Deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical

28 fevereiro 2011


Grandes apagões viram rotina no Brasil


Só este ano, já foram registradas 14 grandes ocorrências; dos seis maiores blecautes registrados no mundo desde 1965, três foram no País

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

Dez anos depois de mergulhar no maior racionamento da história, o Brasil volta a conviver com problemas no setor elétrico.

Mas, desta vez, a crise não está na falta de energia, como ocorreu em 2001, mas na dificuldade de fazer o produto chegar até o consumidor final. Nos últimos meses, uma série de apagões e blecautes regionais causaram transtornos e prejuízos aos brasileiros.

Só neste ano, até o dia 22, foram 14 grandes ocorrências, conforme relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A maior delas deixou o Nordeste sem luz por até cinco horas. O incidente - ainda sem explicações precisas - garantiu ao Brasil o título de país com o maior número de blecautes de grandes proporções.

Das seis maiores ocorrências registradas no mundo desde 1965, três são do Brasil: em 1999 (97 milhões de pessoas), 2009 (60 milhões) e 2011 (53 milhões), segundo a consultoria PSR. O maior ocorreu na Indonésia, em 2005, atingindo 100 milhões de pessoas.

Além dos grandes apagões, que normalmente ocorrem por falhas no sistema de transmissão, a população também tem convivido com uma série de desligamentos na rede de distribuição, de responsabilidade das concessionárias.

Nesses casos, os cortes estão limitados às áreas de concessões das empresas, cidades ou bairros. As companhias alegam que a culpa é de São Pedro e que as redes não têm suportado as fortes chuvas.

Fonte: Blog do Noblat.

22 fevereiro 2011

Lula e ex-ministro são alvos de ação no MPF


O Globo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Previdência Social Amir Francisco Lando são acusados de improbidade administrativa por utilizar a máquina pública para realizar promoção pessoal e favorecer o Banco BMG, envolvido no esquema do mensalão .

O Ministério Público Federal no DF (MPF/DF) entrou na Justiça e pede o bloqueio dos bens dos acusados e o ressarcimento aos cofres públicos de cerca de R$ 9,5 milhões gastos indevidamente.

De acordo com o Ministério Público, o processo está em fase de intimação dos réus. Ele foi protocolado no último dia 31 de janeiro, na 13ª Vara Federal.

Entre outubro e dezembro de 2004, segundo apurações do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União (TCU), mais de 10,6 milhões de cartas de "conteúdo propagandístico" foram enviadas aos segurados do INSS com dinheiro público.

As cartas informavam sobre a possibilidade de obtenção de empréstimos consignados com taxas de juros reduzidas. No total, foram gastos cerca de R$ 9,5 milhões com a impressão e a postagem das cartas.

A ação, datada de 26 de janeiro, defende que não havia interesse público no envio das informações e a assinatura das correspondências diretamente pelo então presidente da República e pelo ex-ministro da Previdência foi realizada para promover as autoridades.

O Ministério Público também aponta o favorecimento do Banco BMG, única instituição particular apta a operar a nova modalidade de empréstimo naquela época.

As investigações mostraram que a única novidade na época do envio das cartas era o convênio recém firmado entre o banco e o INSS, pois a lei que permitia aos segurados efetuarem empréstimos consignados foi sancionada dez meses antes. Outro fato que chamou atenção foi a rapidez no processo de convênio entre o BMG e o INSS: durou apenas duas semanas, quando o comum é cerca de dois meses.

A investigação mostrou, ainda, que os custos de postagem das cartas também causaram prejuízo aos cofres públicos, uma vez que os valores pagos pelo INSS aos Correios foram mais altos do que os valores de mercado.

De acordo com o Ministério Público, se forem condenados pela Justiça, os acusados poderão, ainda, ter os direitos políticos suspensos; pagar multa; ficar proibidos de contratar ou receber benefícios do Poder Público; e perder a função pública ou aposentadoria, quando for o caso.

21 fevereiro 2011


José Serra: 'O falso rigor esconde a falta de rigor'


Trechos da entrevista concedida por José Serra a Sílvia Amorim e publicada, hoje, em O Globo

(...)

Qual a sua avaliação sobre a postura do governo Dilma nesse primeiro teste da presidente no Congresso?

Lamentável. Está à vista de todos: oferece cargos, loteia o governo, promove a troca de favores não republicanos em troca da submissão de parlamentares. O valor do mínimo está sendo usado para o governo evidenciar ao mercado um rigor fiscal que ele absolutamente não tem. O falso rigor esconde a falta de rigor. Por que não começam pelos cortes de cargos comissionados ou dos subsídios, como os que são entregues ao BNDES?

São uns 3% do PIB, R$ 110 bilhões. O governo está inflando despesas de maneira enganosa ou vai falir o país em um ano. Dou um exemplo: as despesas de custeio foram de R$ 282 bilhões em 2010. O orçamento deste ano diz que o governo vai gastar R$ 404 bilhões: um aumento de 43%. Os restos a pagar do governo Lula se elevam só neste ano a R$ 129 bilhões. Quer apostar como vão cancelar muitos dos projetos, depois de servirem como instrumento para atrair votos na campanha?

O senhor tem usado bastante o Twitter para criticar e cobrar ações do governo Dilma. O que destacaria deste início de governo?

O destaque é o estelionato eleitoral. Há quatro meses falavam em investir num monte de coisas, milhões de casas, milhões de creches, de quadras esportivas, de estradas, de ferrovias. A realidade é que está tudo parado, a herança maldita deixada por Lula é gigantesca em razão do descontrole dos gastos, dos maiores juros do mundo, da desindustrialização.

A montagem do governo foi um festival de barganhas e, antes de terminar o segundo mês, ainda tivemos o bloqueio a um salário mínimo melhor, o escândalo de Furnas e a não apuração dos escândalos da Casa Civil. Não é à toa que a presidente fala pouco e nunca de improviso. O atual governo optou por fingir que nada disso é com ele.

As suas recentes aparições em público têm sido interpretadas como uma demonstração de interesse pela presidência nacional do PSDB. O senhor está disposto a disputar o cargo?

Depois da eleição, eu me recolhi, tive e tenho um período de maior reflexão. Eu estou voltando aos poucos. Não tenho me movimentado nem aparecido tanto assim. Mas vou voltar a trabalhar e ao ativismo político. Não é emprego, não é cargo. Meu objetivo é debater o Brasil. Eu já fui presidente do PSDB entre 2003 e 2004. Em nenhum momento, a ninguém, expressei o desejo de voltar à presidência do partido. Não acho que seja uma questão tão importante agora. Há muita fofoca, diz-que-diz-que, presunções. Em todo caso, dentro do partido são muito poucos os que desejariam trazer 2014 para 2011. Além de surrealista, isso nos tiraria o foco, enfraqueceria a oposição.

Um de seus principais aliados, o senador Aloysio Nunes Ferreira já disse publicamente que "Serra deve estar presente na direção do partido". Isso não é um sinal de que há uma tentativa de viabilizá-lo?

Posso garantir que não há nenhum movimento. A afirmação do Aloysio deve ter sido feita em resposta a alguma pergunta específica e tirada de contexto. Mas me parece óbvia: por que o PSDB iria excluir de seu quadro dirigente uma pessoa que teve o voto de 44 milhões de brasileiros? Por que excluiria um de seus fundadores? Por que excluiria um quadro que já foi deputado, líder, senador, ministro duas vezes, prefeito da maior cidade e governador do estado mais populoso?

O senhor cogita criar um novo partido?

Isso é uma calúnia anônima, sem pé nem cabeça.

O seu nome também tem sido lembrado para a eleição de 2012 à Prefeitura de São Paulo. O senhor estuda essa possibilidade?

Já disse e repito: não vou disputar eleição em 2012. Quem está trabalhando com essa hipótese está perdendo tempo.

Em 2010, o senhor foi considerado o candidato natural do partido à Presidência da República. O senador Aécio Neves é o candidato natural do PSDB para 2014?

Não sei como aferir se uma candidatura é natural ou não. Quando só há um candidato, a candidatura não é natural, é única, como aconteceu com o Covas (Mário Covas) em 1989 e com o Fernando Henrique em 1994 e 1998. Em 2002, muita gente achava que eu era o candidato natural. No entanto, quando a eleição se aproximou, pelo menos dois qualificados companheiros também se apresentaram. O que eu acho é que 2014 ainda está muito longe, e há muitas variáveis ainda imprevisíveis. Seria perda de tempo ficar especulando sobre o assunto.

08 fevereiro 2011

Lula está com problema de memória", rebate Paulinho


Por Leila Suwwan, para O Globo

As centrais sindicais, que aguardavam uma nova rodada de negociação com o governo, reagiram ao revés duplo sofrido hoje. Primeiro, devolveram a acusação de "oportunismo" ao próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lembrando que ele e Dilma prometeram juntos, em plena campanha eleitoral, o aumento real do salário mínimo para 2011.

Surpresos com a decisão tomada na reunião de coordenação do governo de enviar a proposta de R$ 545, reafirmaram a disposição de brigar nas ruas e no Congresso por um aumento superior.

Em encontro das seis entidades hoje cedo, o grupo decidiu emitir um documento conjunto que indica o rompimento da presidente com os trabalhadores. O primeiro grande protesto, do setor metalúrgico, acontece amanhã em São Paulo.

A frustração dos sindicalistas ocorre devido ao que consideram ser intransigência dos ministros de Dilma - especialmente da área econômica - sobre o valor a ser aplicado, que contem apenas a correção inflacionária dos atuais R$ 510.

Eles pediam um reajuste para R$ 580, além da correção da tabela de Imposto de Renda e aumento nas aposentadorias. Porém, hoje mesmo decidiram aceitar um "adiantamento" do reajuste previsto para 2012 e sinalizam abertamente um acordo no patamar de R$ 560.

Os presidentes da CUT, Força, CTB, CGTB, UGT e Nova Central unificaram os discursos e devem afirmar em carta aberta que Dilma está rompendo com os oito anos de gestão Lula, em favor de interesses do setor financeiro.

- O Lula está com problema de memória. Quando Serra propôs o mínimo de R$ 600 e os 10% para os aposentados, ele e Dilma estiveram reunidos com os presidentes das centrais aqui na Força, antes do comício em São Miguel Paulista e afirmaram, juntos, que nos podíamos garantir para as nossas bases que teríamos aumento real neste ano - disse o deputado Paulo Pereira (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, citando o comício de 15 de outubro em que Lula acusou José Serra (PSDB-SP) de fazer demagogia com o salário mínimo.

- Ele ficou o tempo todo no palanque convencendo a mim e ao Artur (Henrique, presidente da CUT) que tudo seria acertado depois, não precisávamos fixar o valor naquele momento. Estamos apenas cobrando o que ele sugeriu. Mas agora a eleição acabou - completou Paulinho.

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